Análise – Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise

  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Versão de Análise: Nintendo Switch
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Posso começar por dizer que não fui grande fã do primeiro Deadly Premonition. A história teve os seus pontos altos e baixos mas a jogabilidade certamente não tinha o melhor aspecto. No entanto nunca pensei que iria ficar interessado na sua sequela anos mais tarde quando esta fosse lançada.

Metendo logo de imediato os pontos com os quais todos já devem estar familiarizados e que como é habitual grande parte da industria e semelhantes irão focar-se ao ponto de dizer chega, vamos falar sobre os aspectos técnicos do jogo. Sim, a performance de Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise não é a melhor de todas, no entanto existe bem pior.

Na maioria das vezes durante as cutscenes mal as personagens acabavam de falar a cara dos modelos fazia “reset” para meter a boca no sorriso com a qual começavam, como se nunca tivessem sido programadas para estar noutra posição. O aspecto gráfico podia estar bem melhor, embora a arte do jogo tenha o seu charme, se podia estar mais apresentável? Podia. Mas não é mau de todo.

Durante a minha aventura as famosas frame drops apenas aconteceram no mundo sandbox enquanto ia de um lugar para o outro, mas tendo em conta que apenas estava a movimentar-me não fiquei muito incomodado. Provavelmente parte disso deve ter sido por já ter absorvido a ideia de que o jogo continha alguns problemas, mas não é tão injogável quanto muitos dizem, pessoalmente encontrei pior em outros jogos e até bugs bem mais graves.

Provavelmente o pior problema que encontrei foi os tempos de loading entre algumas transições onde o jogo parecia ter empancado durante um ou mais minutos, mas apenas foi necessário esperar pois isto é considerado “normal” com o jogo. O sound mixing também podia estar melhor em alguns aspectos. Resumindo, a performance de Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise podia estar melhor mas não é o Diabo que muitos dizem ser. No entanto podia receber mais atenção e melhorar algumas coisas neste aspecto.

Falando sobre outros aspectos, a pequena aldeia de Le Carré é um pouco grande e vazia. O jogo original já era semelhante neste aspecto, mas o problema continua presente na sequela, onde não existe grande razão para haver um mapa tão grande nem muitos incentivos para o explorar.

Mudando para a história, esta tem início alguns anos após os eventos de Deadly Premonition, mas o foco é um caso que aconteceu em 2005, antes do jogo anterior, que é contado por Zach. O caso tem início com a morte de uma rapariga, York por coincidência estava na aldeia mas quando acaba por ouvir sobre o caso acontece que o corpo desapareceu, sendo que este acabou de reaparecer no presente, o que levanta uma nova investigação por parte do FBI.

A maioria do jogo tem lugar em 2005 seguindo o caso de Le Carré, mas no final de cada capítulo o jogador regressa a 2020, o presente, onde fica a saber mais sobre a situação actual e qual a ligação entre os dois anos. A história principal de 2005 tem os seus altos e baixos, mas acaba por ser demasiado curta e sem aproveitar bem o seu tempo para explorar o que mais podia oferecer. Já o lado de 2020 são sessões mais curtas mas melhor elaboradas e que acabam por prender o jogador, sendo a melhor parte do jogo.

Quem for familiar com Deadly Premonition já sabe que vai encontrar personagens bem Americanas neste jogo, e as vozes Inglesas reflectem bem isso, fazendo um óptimo trabalho nesse aspecto. As personagens tem todas algo para oferecer, embora a maioria seja apenas “explorada” em side quests ao invés da história principal.

Este é um dos problemas que o jogo tem, a maneira em como as missões estão feitas. A história principal é construída com missões bastantes fáceis de se realizar e simples, o único pormenor incomodativo é que uma boa parte delas necessita que o jogador espere até certa hora ou até certo dia da semana para poder continuar. Entretanto é o vosso dever entreterem-se com as side quests.

No entanto as side quests são um do maiores problemas do jogo. Não existe problema ao estas serem encontradas ao acaso, mas boa parte delas requer que o jogador simplesmente ande a passear por Le Carré e que por sorte encontre o item necessário para a concluir. Existem até algumas quests que o jogador desbloqueia num capítulo mas apenas pode concluir no capítulo seguinte por alguma razão.

Não faz muito sentido apresentar algo numa altura em que não possa ser concluída em especial se não houver indicação do que é necessário fazer e tendo em conta que a maioria das outras quests obrigam o jogador a andar a passear pela cidade à procura de items que estejam no chão. Todo este sistema devia de ser revisto por completo para apresentar uma melhor experiência a quem está a passar o seu tempo com o jogo.

Para além de coleccionismo os jogo conta com algumas mecânicas que já estavam presentes em Deadly Premonition. Existe um sistema de fome, cansaço e até para tomar banho, no entanto estes não afectam muito o jogo e podem quase ser ignorados com grande facilidade. Não é certo qual a ideia por detrás destes sistemas tendo em conta o seu fraco impacto no jogo e de não haver uma mecânica maior por detrás dos mesmos que estivesse ligado a outro tipo de elemento.

O jogo também conta com alguns momentos de acção, sendo possível atacar ou disparar contra inimigos. Não existe muito por onde pegar, sendo algo bastante simples e que o jogador irá encontrar em certas secções que serão bastante óbvias caso tenham jogado o jogo anterior. Excluindo isso existe um novo método de transporte neste novo jogo que vem substituir o movimentos com veículos, sendo este um skate que York encontrou quando o seu carro foi roubado. Tenho a dizer que apesar das frame drops que andar de skate até é divertido.

Voltando às personagens, York continua a demonstrar a sua excentricidade que o torna popular. A personagem parece viver noutro mundo que é desligado do conceito de normalidade e várias vezes gosta de trazer o seu conhecimento sobre cinema para todas as conversas. Para juntar-se a York existe Patricia Woos, uma pequena rapariga que decide acompanhá-lo durante a sua estadia em Le Carré.

Enquanto que todas as outras personagens não sabem como reagir à maneira de ser de York, Patricia é a única que diz o que passa-lhe pela cabeça, criando boas situações onde esta o chama pela sua excentricidade e ficando ainda melhor quando York decide responder, o que cria vários argumentos engraçados.

Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise é um regresso que ninguém estava à espera mas que impressiona e agrada aos velhos fãs. Quem for introduzido à série com este jogo poderá encontrar algo interessante por debaixo de problemas maiores, como disse anteriormente, os problemas técnicos não são o final do mundo, mas o jogo necessitava de uma boa atenção quanto aos seus elementos secundários de jogabilidade para não tornar-se tão monótono e cansativo em certas situações.

Positivo:

  • York continua a ser uma personagem excêntrica e interessante
  • Patrícia é o melhor sidekick que York podia ter
  • Secção que tem lugar em 2020 são o ponto mais interessante

Negativo:

  • Alguns problemas de performance
  • Missões secundárias necessitam de uma revisão
  • Le Carré é desnecessariamente grande e/ou vazio

Latest posts by Mathias Marques (see all)
Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram