Análise – Black Mesa

  • Plataformas: PC
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo. Jogo em Early Access (versão 0.9).

Black Mesa é um jogo que tem estado disponível há já alguns anos, mas apenas neste último Natal é que os níveis de Xen foram adicionados ao jogo, finalmente completando este remake de Half-Life feito por fãs. Esta torna-se então na altura perfeita para pegar no jogo e revisitar a origem da aventura e lenda de Gordon Freeman.

Enquanto que o jogo saiu originalmente em 2015 e apenas ficou oficialmente completo no final de 2019, o PróximoNível ainda não continha nenhuma análise ao mesmo, sendo que então esta análise será do jogo completo e não apenas dos níveis de Xen que foram agora adicionados. No entanto é necessário referir que o jogo está em Early Access na sua versão 0.9, e que sairá da mesma com a actualização para a versão 1.0 que apenas irá corrigir alguns erros, modificar um pouco a AI nos níveis iniciais e ter a certeza que o online e compatibilidade com mods continua bem.

Para quem não conhece, Half-Life é um jogo de ficção científica que tem lugar na facilidade de Black Mesa, e num dia tal como os outros o protagonista Gordon Freeman chega para começar o seu trabalho (embora desta vez esteja atrasado), excepto que tal como em qualquer série de ficção científica alguém decide ignorar o facto de que as coisas não estão a funcionar a 100% e devido a isso um portal é aberto para o mundo de Xen, iniciando assim uma invasão alien sobre Black Mesa e possivelmente todo o planeta Terra.

O que o remake Black Mesa faz com os níveis iniciais de Half-Life é uma revisão dos mesmos, eliminando espaços desnecessários e por vezes até juntando duas divisões numa só, o que é uma excelente ideia pois o jogo original continha imensas divisões que não serviam para nada, tornando o jogo desnecessariamente grande. Em termos de história o remake aproveita tudo o que foi adicionado ou corrigido com as sequelas e decide criar novos diálogos que agora fazem sentido tendo em conta as conversas em Half-Life 2. Obviamente que pequenas referências ou brincadeiras que estavam presentes no jogo original também estão cá como é o caso do famoso microondas.

A meio do jogo foram adicionados novos elementos que prolongam alguns dos níveis e tal como os níveis iniciais, mais revisões foram feitas para melhorar a experiência de jogo. Muitos devem de lembrar-se do nível onde necessitavam de percorrer vários túneis que eram uma confusão, e Black Mesa tem isso em conta, atacando o problema que muitos referiam com esse mesmo nível.

Xen é a maior surpresa que Black Mesa podia oferecer. Tomando alguma inspiração com o mais recente DOOM, os níveis de Xen estão completamente diferente e para melhor. Num pequeno exemplo, o primeiro nível de Xen no jogo original consistia principalmente de uma secção de plataformas e rapidamente terminava. Neste remake essa pequena secção de plataformas continua presente, de forma melhorada, mas o jogo também adiciona outros elementos como vários vestígios dos cientistas que andavam a investigar o planeta incluindo um pequeno abrigo para os mesmos que o jogador explora. O remake também inclui pequenos puzzles nos níveis de Xen, algo que é bem vindo quando comparado com as secções de plataforma do jogo original que eram uma dor de cabeça.

Após a introdução inicial de Xen, um dos níveis acaba por ser demasiado longo, enquanto que a batalha final foi completamente mudada para ter um aspecto mais cinemático e por vezes acaba por ser uma enorme confusão devido a tudo o que está a acontecer no ecrã. Estes níveis finais do jogo acabam por puxar um pouco mais pelo computador e acabei por encontrar pequenos bugs e até levei com algumas vezes onde o jogo parou de funcionar por completo e recusava-se a fechar.

A nível de visuais é óbvio que existe uma diferença com vários cenários refeitos e com mais detalhes e também novos modelos para os NPCs, incluindo dois modelos dedicados para Eli Vance e Isaac Kleiner que tem um papel importante nas sequelas mas que o jogador nunca viu no primeiro Half-Life. Xen por outro lado é a diferença entre o dia e noite, tendo um melhor aspecto e mais vida que ajuda a criar um ambiente completamente diferente daquilo que o jogador vê na facilidade de Black Mesa ou até na versão original de Half-Life. Desde fauna a flora e até as cores utilizadas, Xen é um mimo para os olhos e o ponto alto deste remake no que toca a níveis visuais.

Em termos sonoros o jogo conta com uma nova banda sonora que apesar de ter boas faixas estas tocam poucas vezes. O mesmo já acontecia com o jogo original e até as suas sequelas, o remake podia ter feito uma aproximação diferente no que toca a este aspecto mas decidiu fazer tal como o original, o que é pena pois a banda sonora possui bons momentos, em especial quando o jogador chega a Xen.

Algo que necessitava de uma revisão são as vozes das personagens, ou melhor dizendo, a performance das mesmas em certos momentos oferece resultados mistos. Quem jogou Half-Life deve lembrar-se por vezes da maneira exagerada como alguns NPCs reagiam ao ponto de ter-se tornado um meme durante o ano passado. Em Black Mesa os cientistas possuem conversas normais mas por vezes algumas linhas de diálogo parecem exageradas de propósito para lembrar o jogo original, excepto que é demasiado forçado. Algumas pessoas podem apreciar as pequenas referências feitas desta forma enquanto que outras irão preferir um diálogo mais sério.

O exército também sofre mudanças em termos de voz, sendo que em Half-Life o diálogo era feito através de rádio e era complicado de perceber, e em Black Mesa este já é feito com vozes normais. Pessoalmente sinto um pouco a falta do efeito de rádio que estas vozes tinham (seria igual de o mesmo fosse removido dos Combine em Half-Life 2), mas por outro lado com novo diálogo introduzido e finalmente poder perceber em modos o que estes NPCs dizem acabam por fazer com que esta mudança seja mais um ponto positivo que negativo.

Quanto a problemas técnicos, para além do que foi referido acima sobre os níveis finais de Xen, não existe muito que tenha encontrado para além de alguns problemas de colisão ou a AI que por vezes sofria do mesmo e ficava a caminhar sem sair do mesmo lugar.

Não me esqueci de referir a jogabilidade, simplesmente não existem mudanças na mesma. O jogo tem lugar em primeira pessoa e o jogador colecciona múltiplas armas para eliminar qualquer força adversária. Todas as armas do jogo original estão presentes e nenhuma foi modificada ou adicionada ao repertório. Os momentos de plataforma também continuam presentes, incluindo os que necessitam do famoso “crouch jump” que fez-me realizar que já não o consigo realizar com tanta facilidade como antigamente.

Tendo inicialmente começado como um projecto feito por fãs que mais tarde recebeu reconhecimento pela Valve, Black Mesa é o melhor remake que o Half-Life original podia ter recebido. A atenção dada para cortar material desnecessário e ao mesmo tempo adicionar novidades e coordenar a história para ficar a par com Half-Life 2 demonstra o quanto a produtora, Crowbar Collective, olha para a série como algo especial.

Os níveis iniciais oferecem bons momentos de nostalgia misturados com algumas referências enquanto que os níveis finais decidem oferecer algo completamente novo e impressionar o jogador com uma excelente visão do que o mundo de Xen é. Este remake torna-se algo a recomendar para os fãs e na melhor opção para os curiosos que nunca experimentaram Half-Life mas querem ver qual é o barulho que se faz por detrás do mesmo.

Positivo:

  • Bom remake que tem em conta toda a série
  • Níveis de Xen estão fenomenais
  • Banda sonora

Negativo:

  • Alguns níveis são demasiado longos
  • Problemas de colisão
  • Níveis finais de Xen contam com alguns problemas técnicos

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