Análise – Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy

  • Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens e capturas de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Com Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout a Gust veio novamente mudar um pouco a fórmula da série, de forma a agarrar uma maior audiência. Este não foi de facto a primeira vez que a companhia o fez, com Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book, que foi lançado em 2015 e marcou o início da trilogia “Mysterious”, a ser o primeiro indício de que a companhia queria mudar algo na série. E com a companhia a tentar até um spin-off entre o lançamento do último jogo da trilogia “Mysterious” e o primeiro Atelier Ryza.

No entanto foi apenas com o primeiro Atelier Ryza, onde a Gust novamente tentou mudar a sua fórmula de forma a introduzir novatos à série, que a franquia Atelier finalmente caiu sobre os olhos de muitos.

De facto, Atelier Ryza foi tão popular que acabou por receber uma sequela de uma forma pouco natural para a franquia. Normalmente os jogos Atelier são apresentados em trilogias, onde os três jogos estão interligados entre si, mas cada um com um (ou mais) protagonistas diferentes. Neste caso, Atelier Ryza 2 não seria Atelier Ryza 2 mas sim outra personagem que continuaria a fazer parte da trilogia “Secret“.

Não é a primeira vez que um jogo da série recebe uma sequela numeral, mas é raro o suficiente para se destacar. Afinal de contas, Ryza foi extremamente popular, e a Gust decidiu que havia mais para contar sobre a personagem e universo.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy é uma continuação do jogo anterior, tendo lugar três anos após a aventura do grupo original. Agora que todos já decidiram que caminho querem seguir enquanto adultos, cada um está para o seu canto, mas rapidamente reunem-se, juntamente com umas caras novas, para explorar um conjunto de ruínas misteriosas.

Estas novas caras não são apenas personagens adicionais que Ryza conhece nesta nova aventura, mas também novos membros da equipa, a maioria deles jogáveis, mas um em particular que é um dos pontos principais do jogo, Fi. A fada misteriosa a qual o título se refere.

Fi não fala muito, para além de repetir o seu nome, mas é um criatura engraçada e Ryza imediatamente cria um elo com esta criatura, sendo interessante ver onde esta nova amizade leva as duas personagens. Já as novas adições, e até as caras que estão de regresso, são interessantes, apesar de algumas possuírem temas bastante óbvios, apesar de serem bem trabalhadas.

Quanto ao resto da história em si, o progresso será feito ao explorar umas quantas ruínas ao mesmo tempo ou então à vez. O progresso é feito ao interpretar pistas e produzir acções que desbloqueiam o caminho em frente, e também ao procurar por pontos de interesse para recolher informação a fim de organizar tudo e descobrir o segredo por detrás de cada ruina.

Por vezes será necessário avançar com eventos adicionais de forma a desbloquear a história principal. Estes eventos vem num formato já conhecido para os fãs, cutscenes com as personagens principais e secundárias do jogo. O jogo informa de uma maneira bastante boa quais os objectivos a concluir para progredir com a história e também histórias adicionais com outras pessoas. A única coisa a fazer é assistir a cada evento ao dirigir-se a cada local na cidade, embora por vezes também seja necessário concluir algum tipo de requisito para poder avançar com cada história.

Apesar de contar com combate, que sofre algumas alterações do HUD, apesar de na sua maioria continuar igual ao jogo anterior, Atelier Ryza 2 não foca-se muito neste, sendo o seu maior elemento a colheita de materiais para alquimia. Ao contrário da trilogia “Mysterious” onde o tempo avançava à medida que o jogador ia realizando acções, aqui a hora apenas muda de cada vez que mudam de zona.

Tempo é algo presente na série Atelier, mas que a Gust tem vindo a mudar desde então, uma vez que muitos não são fãs desta mecânica. E a forma como agora foi alcançado é bem melhor, permitindo que o jogador explore à vontade cada zona, apesar de continuar a haver um limite de materiais que pode recolher antes de regressar ao atelier.

A alquimia também tornou-se mais simples de se entender, sendo necessário usar SP para aprender novas receitas, e com o jogador a ganhar SP de cada vez que revela novos segredos nas ruínas ou quando criar algo com a alquimia. Jogos anteriores da série requeriam que o jogador cumprisse certos requisitos para desbloquear novas receitas, por vezes tornando a tarefa um pouco complicada ou enfadonha, dependendo do que fosse necessário, sendo que esta aproximação põe de lado as partes entediantes.

Puni Raising foi algo adicionado através de uma actualização ao jogo anterior, mas foi feito a pensar nesta sequela, estando presente com algumas novidades. Basicamente o jogador pode criar o seu próprio Puni (um slime) quase ao estilo Tamagotchi, com este a mudar de forma e sendo possível mandá-lo à procura de itens pelo mundo.

Num todo Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy não foge muito ao seu antecessor, apenas melhorando alguns elementos que estavam em falta e introduzindo outras novidades. As animações das personagens necessitam de algumas melhorias, e torna-se bastante óbvio que as personagens principais receberam mais atenção em comparação com os NPCs. Outro ponto que a Gust gosta de insistir e que não me agrada muito, é o facto de cada cutscene contar com barras negras no canto superior e inferior do ecrã, tendo em conta que não adicionam nada de diferente ao jogo.

Se até agora a Gust tem-se focado em atrair novos jogadores e melhorar as suas mecânicas, é bom que ou numa terceira parte da série “Secret” ou para a próxima trilogia que uma das prioridades seja o departamento visual. Volto a referir que as personagens principais tem um óptimo aspecto e um design até original na sua maioria, mas tudo o resto, incluindo o cenário são bastante básicos. Já a banda sonora continua a ser um ponto alto da série.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy possui um tempo de duração razoável, tendo cerca de trinta horas no total, e pouco mais se considerarem o conteúdo extra que existe mas que não tem muita variedade. Tendo em conta que jogo acabou por adicionar algumas novidades como exploração aquática e pouco mais, seria interessante de no futuro a Gust continuar a explorar mais actividades e elementos extra de jogabilidade, para poder oferecer mais conteúdo para os fãs e atrair ainda mais novatos.

Positivo:

  • Personagens
  • Banda sonora
  • Alquimia e combate são mais fáceis de entender

Negativo:

  • Animações precisam de melhorar
  • Barras negras nas cutscenes podiam ser retiradas

Mathias Marques
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