Análise – Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Como é possível conter as expectativas para o primeiro filme de uma série como Warcraft? Depois de vários anos a jogar World of Warcraft, Hearthstone e umas passagens por Warcraft 3, eu posso não ser o maior fã, mas já me posso gabar de ter gasto largas centenas de horas em Azeroth.

Claro que vi as primeiras notas que foram lançadas e fiquei assustado com o que alguns supostos fãs disseram. Por isso, decidi ver pelos meus próprios olhos e tirar as minhas próprias conclusões. No final da sessão, não restaram grandes dúvidas. Warcraft não é um filme excepcional, mas é, em qualquer caso, um bom filme.

Warcraft é uma interpretação Hollywoodesca do que é um filme de fantasia com criaturas fantásticas. Por vezes, é possível ver aqui a tentativa de invocar a grandiosidade do Senhor dos Anéis, mas isso é algo que seria de esperar, especialmente tendo em conta que nem toda a audiência conhece este universo.

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Existe um esforço demasiado forçado para tentar passar a mensagem de que ninguém é mau, todos ficam dependentes das suas origens e tradições, o que destaca os Orcs do Warcraft, de qualquer outro tipo de Orcs que já passaram pelo cinema. Mesmo assim, senti que os humanos foram mais vezes o tema principal, enquanto nos jogos, os Orcs costumam ser muito mais o centro da história e das atenções.

Mas onde Warcraft tem de sacrificar em prol da narrativa, é na história original, que sofreu algumas alterações em relação ao original, incluíndo até personagens inéditas que cumprem papéis cruciais nos desenvolvimentos da história, como é o caso de uma Half-Orc que é o centro das atenções, embora não seja assim tão importante quanto isso na história original. Na minha opinião era plenamente dispensável, mas é inegável que cumpre o seu propósito no todo.

A forma como a história é contada e tendo em conta que tem várias personagens e coisas a acontecer ao mesmo tempo, pode também acabar por confundir um pouco os espectadores que nunca tiveram qualquer contacto com os jogos. Os fãs, tal como eu, vão ficar satisfeitos com as referências constantes que são feitas a elementos, localizações e personagens ao longo do filme.

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O tempo passado com os humanos é satisfatório, embora não seja tão divertido quanto isso no início. Existem momentos de comédia forçada e até constrangedora que não vão agradar a todos, mas que ajudam a construir as personagens. Existe desenvolvimento de algumas, mas outras aparecem mais para fazer suporte e desaparecer pouco depois.

Do lado dos Orcs a coisa já decorre de melhor forma. Embora tenham menos tempo de antena, os Orcs são muito mais interessantes e mais fieis ao conceito original dos jogos. Existem os clãs, as lutas internas e os Orcs mais intemporais estão cá todos.

As sequências de combate estão bastante boas e conseguem ter momentos épicos em fartura, com montadas voadoras, lobos e armaduras que estamos habituados a ver nos jogos. Alguns efeitos dos feitiços são um pouco estranhos e este tem o Golem mais descaradamente CGI que vi num filme até hoje. De resto, seja paisagens, cidades e guarda roupa, tudo transborda a Warcraft.

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Já que falamos em CGI, é preciso dizer que este trabalho foi muito bem feito e que no geral, os Orcs mostram um aspecto muito bom. Tendo em conta as cinemáticas da Blizzard, não era de esperar menos num filme. Quanto aos outros actores, a sua prestação é muito positiva, tirando os primeiros momentos de Khadgar e Medivh, que nunca se percebe se está a exagerar ou se o argumento foi mesmo escrito assim.

Como referi no início da análise, Warcraft não é um filme destinado ao estatuto de clássico, mas também não é tão mau como muitos o pintam. Mesmo que tenha alguns momentos menos bem conseguidos e um encadeamento de acontecimentos confuso, este é um filme que respeita o conteúdo original, mudando apenas conceitos que eram necessários para o adaptar melhor ao cinema.

Quando saí da sala de cinema, saí satisfeito e aliviado, embora consiga perceber que os maiores fãs o possam odiar por mudar elementos de história e os não fãs, se sintam demasiado esmagados por tanto conteúdo “nerd”. O que ficou na memória, foi um momento bem passado que honrou de boa forma uma das minhas sagas favoritas. Se gostam de Warcraft e são capazes de suportar algumas liberdades criativas, então vão gostar tanto dele como eu.

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Positivo:

  • Recriação do universo
  • Sequências de combate
  • Referências constantes
  • É uma boa história de origem
  • Orcs são tratados decentemente
  • Bom trabalho de CGI

Negativo:

  • Pode ser dificíl acompanhar a narrativa
  • Alguns actores exageram na sua representação
  • A Half-Orc não precisava de tanto destaque
  • Aqueles Elfos…

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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