Análise – Nioh

Numa era em que todos os jogos estavam a dar as mãos aos jogadores e tornar tudo mais simples e fácil, a From Software conseguiu fazer da série Souls, um exemplo de como muitos jogadores ainda gostam de um bom desafio e de jogos complexos sem grandes ajudas.

Quando o sucesso existe, existe espaço para mais experiências que tentam aproveitar o entusiasmo em em redor de uma boa ideia. Jogos como Lords of the Fallen e Bound by Flame tentaram, mas agora é a vez da Tecmo Koei mostrar que consegue estar entre os melhores com Nioh.

Neste jogo não criam personagem, pois terão de jogar como William Adams, um ocidental que faz a sua viagem rumo ao Japão para tentar impedir uma catástrofe iminente. Apesar de seguir o estilo de Dark Souls, Nioh reserva algum do seu tempo para explicar na realidade o que se está a passar, seja com cinemáticas ou diálogos tidos entre as personagens principais, o que é bastante bem-vindo. Esta fórmula só não resulta na perfeição, porque os cada cenário pode demorar várias horas a passar, o que deixa a história dividida entre segmentos longos de jogabilidade, passando para segundo plano.

Por isso mesmo, é bom ver que Nioh tem noção de que o seu sistema de combate, exploração e evolução de personagem são realmente bons e conseguem manter os fãs deste género bastante investidos. Mesmo que não seja um mundo aberto, cada cenário apresenta caminhos distintos e atalhos bem desenhados, que mostram que foi a equipa de planeamento e desenvolvimento fizeram um bom trabalho. Eu sou um grande fã de atalhos e cenários construídos de forma inteligente, por isso fiquei bastante agradado com o que aqui foi feito.

Tal como em Souls, o combate é extremamente violento e impiedoso. Abordar qualquer inimigo sem cautela pode resultar na morte do artista, o que nos atira de volta para o último Shrine (templo). Quando regressam a qualquer templo, todos os inimigos da área voltam à vida, excepto certos monstros ou bosses. Aqui as criaturas mais fortes são conhecidas por Yo-kai, demónios do folclore japonês, que podem vir para ajudar William, ou servir como poderosos inimigos. Combater os Yo-Kai passa normalmente por conseguir ter paciência e atacar apenas nas alturas certas, pois a vida é abundante e estes conseguem matar com poucos golpes.

Para combater toda esta enchente de bichos e monstros, William pode usar várias armas ao bom estilo de um Samurai. Existem espadas, machados e outras coisas, mas a minha favorita é sem dúvida o Kusari-Gama, uma foice com corrente que pode alcançar os inimigos à distância ou criar ataques rápidos consecutivos. Podem ainda usar arcos e espingardas para atacar à distância que funcionam igualmente bem, embora seja habitual ficar sem munições para pelo menos uma delas em momentos chave.

Uma das grandes mecânicas de Nioh é a sua utilização de Stamina, aqui conhecido como Ki. O Ki é gasto com ataques e defesa, regenerando logo de seguida. No entanto, com a habilidade Ki Burst, é possível carregar um botão na altura certa, para que a barra encha mais depressa e ainda ganhem certos bónus dependendo da especialização da personagem. Eu gostei bastante deste elemento e acaba por ser uma forma inteligente de ganhar alguma vantagem com a perícia do jogador. Claro que os inimigos também são geridos por Ki, por isso podem aproveitar para os deixar sem defesa caso consigam provocar o suficiente.

No que toca à evolução, em Nioh quase tudo gira em redor da Amrita, uma essência que podem recolher de quase tudo, seja inimigos mortos, altares ou até ao refinar armas e equipamento. Além de subir níveis, os equipamentos ajudam a dar ainda mais poder a William, os quais surgem em quantidades industriais, aliás, Nioh é bastante parecido a Diablo e Borderlands neste departamento, pois estão sempre a apanhar coisas novas deixadas pelos inimigos e cada uma delas é categorizada por uma cor que representa a raridade. Como grande coleccionador de Loot que sou, é um sistema que me agrada bastante.

Claro que existem mais algumas mecânicas adicionais, como as benções dos Kamis em forma de sapo que encontram pelo caminho, as fontes de vida e as evoluções feitas com pontos de glória. De qualquer forma, é importante destacar que podem refazer as missões para apanhar mais coisas e ainda realizar missões alternativas nos mesmos cenários.

 

Como não podia deixar de ser, caso se sintam esmagados pela dificuldade do jogo, podem sempre juntar-se a outras pessoas para realizar umas partidas online. O online funciona bem e dá bastante jeito, não havendo problemas de latência ou grandes erros. O mesmo se aplica aos desafios que podem fazer com as almas de outros jogadores. Estas representam um jogador que morreu e que pode ser desafiado para ganhar mais loot. É um sistema bem feito e que oferece mais alguns desafios ao longo do jogo.

Nioh é um jogo com um visual bastante sombrio, mas também não esperava algo diferente tendo em conta o género em que baseia. Contudo, o detalhe das personagens e inimigos é bom, assim como algumas das localizações. Claro que existem zonas menos impressionantes e até alguns modelos de cenários que parecem muito iguais. A banda sonora não é muito vasta, mas tem bons momentos. O destaque neste departamento vai para as vozes, as quais misturam trechos em japonês e inglês consoante as personagens.

Outro ponto positivo de Nioh é a sua longevidade, pois ainda é um jogo que dura algumas dezenas de horas para concluir a história e outras tantas para fazer as missões secundárias e melhorar William para as missões alternativas mais difíceis do jogo.

Quando experimentei Nioh nas Betas e mais tarde em Espanha, deu para perceber que existia potencial, mas que lhe faltava algo. Esse algo só consegue ser descoberto ao jogar Nioh na sua versão final, pois é ao jogar de início e ao ver o jogo a evoluir que tudo se encaixa e começa a fazer sentido. A partir do momento em que Nioh fez o “click”, foi complicado deixar de o jogar.

Tal como os jogos Souls, Nioh não é um jogo que todos vão apreciar, no entanto é seguramente o mais familiar e mais fácil de digerir para quem se quer aventurar por estas andanças. Não é fácil superar o material onde se inspira, mas Nioh é uma aposta válida e acaba por se transformar numa referência do género.

Positivo:

  • Exposição do folclore japonês
  • Combate bem construído
  • Mapas bem desenhados
  • Sistema de Loot
  • Muito para fazer
  • Combates contra fantasmas

Negativo:

  • Cenários bastante similares
  • Alguns elementos visuais mais fracos
  • História sofre com longos intervalos

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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