Análise – Lost Dimension

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Quando um jogo tem escolhas morais, ou mesmo quando não tem, eu decido sempre ser bonzinho, ou pelo menos, o que a meu ver é bom naquele momento. Se acabo por ser um otário ou dar uma chapada a alguém é porque a situação assim o exigia no jogo… ou talvez opte pela opção mais pacífica. Tento pelo menos actuar de forma como eu penso que faria caso estivesse nessa situação.

Para além dessas opções existe também a “escolha” entre matar tudo o que vem à nossa frente, ou o de não o fazer. Tudo isso leva-nos aos NPCs, ou para ser mais específico, às personagens secundárias e nossas aliadas. Por vezes existe sempre uma escolha entre um lado ou o outro, significando então que um irá matar o outro, o que me deixa sempre indignado, pois fica a faltar a escolha do meio, que acaba com o final feliz e todos vivos.

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A relação dos parágrafos a cima com Lost Dimension tem a haver com a sua premissa. Um homem que se identifica como “The End” ameaça destruir o mundo em treze dias, e que para meter um entrava aos seus planos a humanidade terá que subir o “Pillar” (uma espécie de torre) e matá-lo. A nossa personagem, Sho Kasugai, acorda a meio de um combate com um pouco de amnésia, onde encontra outras pessoas que estão a sofrer do mesmo.

Apôs o combate é determinado que as onze pessoas presentes pertencem à SEALED, um grupo de pessoas com habilidades chamadas Gift, mas é aí que tudo fica mais complicado. Das onze personagens cinco delas são traidores, e a única maneira para prosseguir é matar um aliado, quer seja traidor ou inocente.

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É imediatamente claro que o meu mundo perfeito vai por água abaixo, ainda pior quando os traidores são diferentes todas as vezes que começarem um novo jogo e também dependendo das vossas acções em jogo. O que poderá fazer com que calhe os vossos favoritos, quer seja uma personagem que faça lembrar o Kanji de Persona 4, ou a mais nova do grupo, ou até uma com uns fortes ataques de fogo.

Felizmente não foi o meu caso (na minha primeira volta), embora preferisse ter ficado com umas que eram traidores e ter-me livrado de outras, algo que não aconselho a não ser que queiram ter complicações para o final.

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Deixando o assunto dos traidores de lado por enquanto, vamos passar à jogabilidade de Lost Dimension. Esta toma a forma de um SRPG, ou seja, um rpg de estratégia.

Para começar, o jogo é dividido por cinco andares com um certo número de missões para executar. Ao aceitar-mos uma missão temos de escolher cinco das personagens que queremos levar connosco, e o número onde as queremos posicionar. Se existe um local onde uma esteja sozinha, e talvez rodeada por inimigos, então o melhor será meter uma personagem com mais movimento para sairmos dessa situação logo no início do nosso turno.

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Já que referi a palavra turno, aproveito para explicar que as missões são divididas por turnos (ilimitados), iniciando-se com o nosso, e depois com os inimigos a tomarem a sua vez. No nosso turno temos então a oportunidade de movimentar as nossas personagens numa área circular, semelhante aos mais recentes jogos da série Hyperdimension Neptunia. Apôs posicionar-mos uma personagem existe a opção para atacar, usar o Gift (habilidades), Defer, itens ou passar o turno.

Todas essas opções, com a excepção de Wait (passar o turno) também funcionam com uma área circular, que pode ter mais ou menos área tendo em conta cada opção, ataque e habilidade. Sobre os Gifts não há muito a dizer, cada personagem tem a sua especialidade e um conjunto de habilidades (diferentes uns dos outros) que pode ir desbloqueando. O Defer pode ser usado para dar mais um turno a uma personagem que já tenha sido usada no turno actual, custando um pouco de Sanity a quem esteja a usar essa acção.

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Sanity e GP são ambos utilizados no uso de Gifts, mas Sanity tem um papel maior. Quando a Sanity chega a zero, tanto pelo uso de Gifts, Defer ou por ataques recebidos, a personagem entra num modo berserk. Onde a custo de restaurar a sua vida, Gift Points e Sanity perdemos o controlo da mesma por dois turnos. Tudo isto mais a especialidade de cada personagem é preciso ter em conta durante as missões, existindo dois elementos principais que afectam as mesmas, os Counter e os Assists.

Estes dois elementos podem ser usados tanto pelo jogador como pelos adversários. Caso estejam dentro do limite de ataque do inimigo e decidam atacar, irão receber um ataque de volta. Já os Assists acontecem quando uma ou mais personagens tem a sua zona de ataque perto de um inimigo, tomando cada um a sua vez para atacar durante o turno de uma personagem. Apesar de algumas queixas que vi sobre o combate depender um pouco na mecânica Assist, eu achei que oferece mais a estratégia para coordenar as personagens e os ataques a usar, sendo que por vezes entrei em modo berserk de propósito para ganhar vantagem sobre os inimigos.

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Fora das missões a nossa localização é no Lobby, onde existe a possibilidade de falar com as personagens, trocar o equipamento, adquirir novas habilidades, comprar equipamento e até usar o modo Vision, o Gift da nossa personagem.

No fim de cada missão, devido à habilidade Vision a nossa personagem consegue ver vozes que podem indicar o traidor. Conseguindo ver até ao máximo de três, o que leva à repetição de missões com diferentes grupos até descobrirmos a que personagens pertence cada voz. Apôs a identificação dos três suspeitos existe a possibilidade de usar a Deep Vision, onde somos entregues a algo semelhante aos loadings de Assassin’s Creed, com o objectivo de perseguir vozes até alcançar-mos a pessoa em questão e assim saber se é culpada ou não. Algo que vai mudando em cada andar.

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Apôs a descoberta do traidor só resta fazer com que os outros votem nele, para isso é preciso criar amizade com os mesmos ao adicioná-los à nossa equipa durante as missões, e contribuir com Assists, itens ou outro tipo de ajuda. Bem como ir falando com eles entre cada missão, e dizendo quem ou quem não suspeitamos de cada vez que um se aproxime de nós para falar sobre o traidor.

É assim que quem jogou Danganronpa vai sentir-se familiarizado com o que se sucede. Antes de prosseguir para o próximo andar é preciso votar no traidor, escolhendo duas pessoas (ou votar duas vezes na mesma). Quem tiver mais votos é eliminado, deixando de existir. Ao contrário de Danganronpa, não existe um ecrã de Game Over caso escolham a pessoa errada, o jogo avança para o andar seguinte e é o jogador quem fica a remoer a sua decisão.

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No entanto é aqui que entra um ponto negativo. Todos os traidores dizem sempre que tinham uma razão para estarem do lado do mal, mas essa razão nunca é explicada, o que na minha opinião afecta um pouco a narrativa. Já que grande parte do jogo anda à volta deste mesmo assunto, seria de esperar que houvesse alguma revelação (cliché) dos motivos do traidor, mas acaba sempre por ser algo do tipo “fui apanhado, tinha os meus motivos.” sem afectar a história em si.

Não afecta a história mas afecta o jogador durante as missões, caso fosse uma personagem a qual tivessem dispensado o vosso tempo em armas e armadura, então tudo isso está perdido. No entanto as suas habilidades são obtidas em forma de matéria, havendo assim a possibilidade de as equipar noutro aliado.

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Para além da história dos traidores, que é quase inexistente, existe também a principal que ataca apenas perto do fim com umas informações interessantes, mas para não adiantar muito, irá ser necessário de que façam pelo menos um New Game +.

Outro dos pontos negativos é que ao iniciar um New Game + todo o progresso anterior é perdido. Equipamento, habilidades e até o nível de experiência regressam novamente ao zero. O que obriga o jogador a começar do novo, apenas com missões extra e a possibilidade de concluir a história.

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Chegando finalmente à parte técnica, Lost Dimension não dispensa de grandes gráficos nem arte. Não são maus, mas podiam ser melhores. A IA dos NPCs por outro lado nem está má, sendo que muitas vezes fazem a decisão de nos cair em cima e dar uma valente sova, por outro lado, os ângulos da câmera no turno dos inimigos não é das melhores. O voice acting por sua vez podia estar bem melhor, no entanto apôs várias horas de jogo fiquei habituado ás vozes das personagens. Já a banda sonora é certamente um dos pontos altos do jogo, a início faz-se de despercebida, mas quem tiver os ouvidos abertos irá fiar agradado com uma banda sonora bastante boa.

Lost Dimension foi um jogo que me deixou entusiasmado e com vontade de continuar a jogar só por mais cinco minutos. Possui ideias interessantes mas que não foram aproveitadas ao máximo. No entanto convida a oferecer novas experiências a cada novo New Game +, e a sua banda sonora é algo a ter em atenção. Os gráficos e as vozes podem ser razoáveis, mas a falta de motivo para a acção dos traidores é o maior ponto negativo a referir. Algo que devia ser mais suportado pelas conversas e documentos que se vai encontrando ao longo do jogo.

[Todas as imagens presentes nesta análise foram captadas durante as nossas sessões de jogo]

Positivo:

  • Cada NG+ é uma nova experiência
  • Boa banda sonora
  • Interessante jogabilidade
  • IA apresenta bom desafio
  • Abordagem da mecânica de traidores é algo novo…

Negativo:

  • …mas não chega a explicar o motivo dos mesmos
  • A história é esquecida durante o início do jogo
  • NG+ é necessário para ter a história completa mas faz reset a tudo o que foi ganho
  • Voice acting demora a agradar
  • Ângulos de câmera no turno dos inimigos não é a melhor

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Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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