Análise – GTA 5

Embora os primeiros GTA sejam jogos de culto, foi após a sua passagem da vista aérea para as três dimensões que  GTA começou a ser uma série de referência na história dos videojogos. GTA 3 foi a afirmação, GTA Vice City tornou a série numa grande potência e GTA San Andreas garantiu que a Rockstar conseguia dar vida a um mundo recheado de conteúdo e possibilidades.

Com o lançamento de GTA 4, foi a vez de regressar às origens e expandir de forma gradual para algo maior. Agora que GTA 5 chegou e já o jogamos, GTA 4 não parece mais do que uma entrada para o prato principal.

Pela altura em que esta análise chega até ao PróximoNível, já a maioria dos sites internacionais e alguns nacionais já publicaram a análise e vocês já sabem o que esperar deste jogo, por isso em vez de o descrever de forma exaustiva cada elemento de jogabilidadecomo na maioria das análises, vamos abordar um pouco mais a minha experiência e aquilo que o jogo representou ao longo das minhas horas de jogo.

Apesar de reconhecer o impacto e qualidade de GTA San Andreas, este foi um dos jogos da série que menos me puxou ou marcou enquanto joguei. Por isso, regressar a San Andreas era uma das novidades que menos puxou por mim quando GTA 5 foi anunciado. GTA San Andreas tinha um mapa imenso, mas também era um mapa bastante vazio e desprovido de vida em algumas zonas. Fico contente por esse problema ter sido resolvido para este novo jogo.

O mapa de GTA 5 pode parecer pequeno à primeira vista, mas a verdade é que percorrer as suas estradas e localizações mostra que o mundo não é apenas um espaço preenchido com coisas aleatórias, mas sim algo mais sólido e pensado. Como é óbvio, duvido que cada segmento de mato ou estrada tenha sido pensado em pormenor, mas é certamente mais apelativo e organizado que nos jogos anteriores.

Aqui, seja a subir uma montanha ou a nadar, o mundo parece ser muito mais orgânico e ter muito mais vida, respondendo às nossas acções e mostrando ainda mais o esforço que a Rockstar teve para tornar San Andreas num dos mundos abertos mais reais até hoje. Senti-me sempre tentado a explorar e a conhecer as estradas ou a ver os edifícios e monumentos de maior envergadura.

É certo que ainda estamos longe do fotorrealismo, mas para um mapa tão grande e recheado de pormenor como este, coisas como os carros, os pedestres, os prédios, o alcatrão da estrada, as marcas dos pneus na terra batida, a luz característica das horas do dia ou dos efeitos climatéricos, ou até mesmo as nuvens do céu, são pequenos pormenores que resultam num mundo sem igual nos videojogos até agora. Eu sei que um mundo como Azeroth é grande e recheado de actividades, mas GTA 5 consegue ter um mundo mais vivo e sólido.

Como é lógico, as personagens são aqui tão importantes como o mundo de jogo e se GTA Vice City foi o meu favorito tanto num aspecto como no outro, GTA 5 fica taco a taco com o clássico da era das 128 bits, simplesmente por oferecer uma história ampla, bem-escrita e multifacetada, onde os anti-heróis do jogo conseguem cativar a audiência de forma soberba. A minha personagem favorita é Michael, um antigo criminoso que vive agora uma vida de luxo que esconde uma família disfuncional. Embora a história de Michael seja a que me despertou maior interesse, isso não inviabiliza as restantes personagens.

Franklin podia ser uma personagem muito mais sólida, pois a início parece muito mais um rapaz do ghetto que quer subir na vida. Com a evolução da personagem, as coisas parecem claramente ganhar forma, mas é com Trevor que a Rockstar manda a maior pedra para o charco e ensopa todos os que estiverem em redor.

Trevor é uma das personagens mais distorcidas e lunáticas que já vi num jogo e o facto de termos de jogar com ele, até se torna em algo incomodativo durante as primeiras missões. Trevor não é uma personagem fácil de se gostar a início, mas com o avanço da história e passagem de algumas missões, este acaba por mostrar ser mais do que um psicopata e alguns dos seus momentos de brilhantismo surgem quando atravessa constantemente a linha entre o louco e o racional.

As três personagens oferecem momentos fantásticos e muitas pessoas com quem interagem e muitas das missões que foram criadas para cada um, são realmente impressionantes e encaixam neste mundo aberto que nem uma luva. Em GTA 5 joguei coisas que no passado aconteceriam apenas em cinemáticas e aqui, estas estavam a depender de mim e das minhas acções em tempo real.

Tal como nos jogos anteriores, também aqui vão sentir o chamamento constante para realizar outras actividades extra. Existe de tudo um pouco e mais vão sendo desbloqueadas à medida que jogam, seja partidas de Ténis, Golf, aulas de Yoga, visitar bares de Strip entre muitas outras actividades. San Andreas oferece muito que fazer e até somos brindados com alguns acontecimentos aleatórios que vão surgindo aqui e ali ao bom estilo de Red Dead Redemption. A melhor parte é o facto de nunca sermos obrigados ou sufocados para fazer as missões extra.

Algo que notei ao longo das minhas sessões de jogo, foi o esforço feito para tornar diferente a condução dos vários tipos de veículos disponíveis. Um carro desportivo tem uma condução diferente de um carro de família ou mesmo de um camião. Os barcos e motas de água são afectados pelas ondas e o impacto da água e os aviões dançam ao sabor da força do vento. Nestas alturas é que nos apercebemos das vantagens de cada personagem em cada especialidade de condução ou utilização de armas, que ganham vantagens segundo a sua experiência. Quando as coisas correm para o torto, existe sempre a possibilidade de activar as habilidades especiais de cada um que permitem a Michael abrandar a velocidade dos tiroteios, Franklin conduzir em câmara lenta e Trevor ser praticamente imune à dor.

Mesmo sendo um mundo aberto e tendo um mapa gigantesco, a Rockstar mostra uma vez mais que consegue dominar o hardware onde trabalha. San Andreas é uma cidade realmente detalhada e visualmente bonita/feia consoante o tempo ou zonas que visitam. Os carros e outros veículos embora não estejam licenciados estão bastante pormenorizados e sofrem danos em tempo real. Seja a conduzir pelas ruas, a nadar pelas praias ou a sobrevoar a cidade, este é um jogo bastante impressionante.

No que toca às personagens, estas não são propriamente tão expressivas como em L.A. Noire ou tão detalhadas como uma Ellie ou Joel de The Last of Us, mas não ficam muito atrás. Os modelos são bons e humanos e até mesmo os pedestres parecem mais humanos e variados do que antes. Claro que as personagens principais merecem mais destaque e isso é visível em todos os momentos da aventura e história.

Claro que a componente sonora não ia sair negligenciada, ainda para mais com todo o historial da Rockstar no que toca a escolher os actores ideias para cada personagem e a melhor banda sonora possível.
Seja através das personagens principais ou secundárias, gostei imenso do que foi gravado para este jogo, com prestações que não ficam longe de grandes momentos de Hollywood.

Agora, além das músicas das estações de rádio existem uma série de músicas contextuais que se ajustam a alguns dos momentos chave do jogo e tocam em determinadas missões, aumentando a imersão e dando maior impacto. Regressando às rádios, podem contar com mais estações que nunca e um grande número de músicas para todos os gostos. Eu consegui encontrar 3 que gostei de ouvir, por isso vocês também irão encontrar as vossas.

Como devem saber, até à publicação desta análise, o Online do jogo esteve desactivado, como tal foi impossível incluir a minha opinião sobre o mesmo nesta análise.

Que posso eu acrescentar a tudo o que já foi dito em quase todo o lado sobre GTA 5? Não existem dúvidas de que é uma grande experiência com muito para oferecer aos fãs do género e aos apreciadores de videojogos no geral.

A forma mais realista e mais cruel como apresenta os seus temas consegue encontrar um balanço raro, podendo ser pateta num momento e sério no outro. A ajudar a este balanço estão as três personagens principais que se complementam e nos oferecem formas diferentes de explorar San Andreas.

O “hype” em redor de GTA 5 não podia ser maior e este é totalmente justificado. Não estamos a falar de um jogo perfeito, ou do melhor jogo de sempre. Os problemas típicos do género continuam a estar presentes e foram tomadas varias decisões arriscadas que não vão agradar a todos.

Mesmo com estes pontos em conta, GTA 5 é um colosso desta geração e um dos fortes candidatos a jogo do ano. Este é o jogo que marca o início do fim da geração actual, agora vamos ver se aqueles que a vão fechar conseguem estar ao seu nível.

Positivo:

  • História envolvente
  • Três grandes personagens
  • Mundo vivo e credível
  • Várias actividades extra
  • Boas vozes e selecção musical

Negativo:

  • Glitches e bugs típicos do género
  • Continua a ter zonas algo vazias
  • Algumas actividades impostas são aborrecidas

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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