Análise – Cat Quest

  • Plataformas: PlayStation 4, Switch, PC, Mobile
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens e captura de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Hoje em dia a maioria do jornalismo de videojogos só se preocupa com duas coisas, falar sobre jogos AAA e sobre jogos indie. Os sites mais populares são assim e depois encontram aqueles sites que acabam por falar mais sobre videojogos Japoneses, mas a verdade é que tirando algumas excepções raramente se ouve falar sobre outras coisas pelo meio, deixando vários jogos de interesse de fora, e apesar de Cat Quest ser um jogo indie, este é um desses videojogos que ficou de lado por não ter aquele aspecto indie habitual.

Tirando a informação que era revelada pela PQube, mal ouvi falar sobre Cat Quest até ao seu dia de lançamento em que um par de análises ficou disponível, e depois devido à sua demo que me conquistou de imediato. Cat Quest é um jogo simples, bom e para todas as idades, mas com isto não quero dizer que é perfeito, pois podia melhorar em alguns cantos.

A história é bastante simples, a irmã do protagonista é raptada pelo vilão e o barco onde ambos estavam a viajar afunda-se, com o nosso herói a naufragar no reino de Felingard e a conhecer Spirry, um espírito que nos vai acompanhar durante esta aventura onde vamos resgatar a nossa irmã e cumprir o nosso destino como Dragonblood.

Algo que salta logo de imediato à vista é o mundo do jogo que faz lembrar os RPGs dos anos 90, com a personagem a vaguear pelo mapa que apresenta várias cidades, dungeons para explorar e até inimigos a derrotar. As cidades são simplesmente aquilo que o jogador vê, não havendo nada a explorar nas mesmas ou até uma transição que nos leve para dentro das mesmas, já as dungeons são o completo oposto, com cada uma a ter uma sala com inimigos e tesouros que o jogador pode encontrar.

As cidades servem então para dormir nas famosas estadias que estão presente em qualquer RPG que se preze, recuperando vida e gravando o jogo nesse processo. Nestas várias cidades presentes também é possível aceitar side quests, com cada cidade a ter o seu par de side quests que seguem a sua própria história, contando assim eventos que estão a ter lugar no mundo de Felingard para além da aventura do nosso herói.

Normalmente em RPGs o que o jogador encontra são várias side quests que o levam a recolher itens ou eliminar monstros, muitas vezes sem contar uma história em condições, e esta aproximação que Cast Quest decidiu tomar acaba por oferecer mais vida ao mundo e de tornar estas tarefas mais interessantes caso o jogador esteja com intenção de investir nas mesmas. Sendo algo em que o jogador deve investir pois a história principal é bastante curta e sem muito para apresentar.

Em termos de jogabilidade Cat Quest é simples, um botão serve para desviar dos ataques dos adversários e outro para atacar, com quatro botões extra dedicados à magia. Os inimigos apresentam sempre um círculo quando vão realizar um ataque físico e símbolos quando estão prestes a utilizar um ataque mágico, permitindo ao jogador ver o timing para se poder desviar dos ataques que estão para vir. É uma representação mais visual e simplificada do que o habitual, facilitando assim o jogo para os jogadores que não estão habituados a este tipo de andanças.

Caso o jogador morra não existe muito progresso que seja perdido, o jogador é imediatamente lançado para o último ponto de repouso ou side quest que tenha iniciado, com apenas o progresso da quest a ser perdido, tudo o resto, desde experiência a itens recolhidos são mantidos. Tendo em conta que não existe modos de dificuldade, o jogo vai além do necessário para não complicar a vida a quem estiver com o comando na mão.

Quanto ao equipamento, este está dividido em três partes, acessórios de cabeça, armadura e armas de ataques. Cada peça de equipamento aumenta as estatísticas do jogador como vida, ataque ou até armadura, e também está dividida por níveis. Caso o jogador encontra uma peça de equipamento que já tenha em posse, em vez de a poder vender a mesma aumenta o nível de peça repetida, ou seja, se o jogador possuir uma espada normal que seja de nível 10, ao encontrar uma segunda espada normal esta vai aumentar de nível de 10 para 15 ou 20, continuando assim de cada vez que o jogador encontra uma peça repetida.

A certa altura no jogo a habilidade de caminhar em água e voar vão ser adquiridas. Estas habilidades são remanescentes do barco e zepelim presentes nos RPGs da velha guarda, só que aqui é possível usar estas habilidades a qualquer altura, sem ser necessário procurar e entrar num barco ou zepelim que tenham ficado no outro canto do mapa. A possibilidade de poder fazer isto a qualquer altura oferece uma sensação bastante boa, sendo uma óptima adição ao jogo.

Sobre os aspectos técnicos do jogo, os visuais simples são bons, embora o design dos inimigos e personagens pudesse ter beneficiado de mais trabalho. Em termos de banda sonora o jogo podia ter feito um pouco mais de esforço, não tendo grandes músicas de destaque ou variedade. E uma vez que este é um jogo completamente sobre gatos, podem esperar uma grande quantidade de trocadilhos que envolvam gatos.

Cat Quest é um jogo simples e bom, e mais do que isso não é necessário, pois cumpre o seu objectivo, no entanto está aqui presente um potencial que pode ir ainda mais longe se a produtora decidir dedicar o seu tempo para o fazer. O jogo é curto mas tem o seu charme, que facilmente conquista quem o experimentar, sendo uma boa readaptação da era antiga de RPGs para os tempos modernos.

Positivo:

  • Jogo fácil e acessível
  • Side quests tem as suas próprias story arcs
  • Possibilidade de caminhar na água e voar a qualquer altura

Negativo:

  • Banda sonora podia estar melhor

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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