Análise – Baccano!

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  • Episódios: T1 – 13 ; OVA – 3
  • Temporada: Verão 2007 (Julho – Novembro)
  • Produtores: Brains Base; Aniplex, Happinet Pictures, Sakura Create
  • Géneros: Acção, Comédia, Histórico, Mistério, Seinen, Supernatural
  • Idades: +17
  • Adaptação: Light Novel

Durarara!!, Durarara!!, Durarara!!, não é estranho que parte das pessoas que viram Durarara!! não tenham conhecimento de Baccano!, uma obra mais antiga do mesmo autor. Na realidade só existe um ano de diferença entre a estreia de ambas as light novels, mas Durarara!! é a série que tem recebido mais atenção tanto por parte dos fãs como do autor.

Sendo que a história tem a mão de Ryohgo Narita, e o estúdio que está por detrás do anime é a Brains Base, o mesmo de Durarara!!, já podem imaginar que tipo de anime Baccano! irá ser. Uma história aqui, outra ali, e ainda mais uma acolá, mas desta vez ao longo de três anos e mais uns quantos. Mas principalmente centrada nos acontecimentos que vão desde 1930 a 1932 (o “presente”, mas é melhor que não pensem demasiado nisso).

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Para vos meter a par da situação, a história central é sem dúvida 1932…digo, 1931… pronto, é a viagem do comboio Flying Pussyfoot (não estou a brincar, o nome é este), onde metade da acção toma lugar. No entanto, vamos tendo “flashbacks” para 1930 e 1931, que vem a mostrar como certas personagens se conheceram, e ao mesmo tempo dar protagonismo a outras que não estão presentes na viagem do Flying Pussyfoot.

Sabemos que o anime toma lugar no Flying Pussyfoot, ou pelo menos metade dele, então e o resto? Qual é o tema central de Baccano!? Por um lado temos o jovem Firo Prochainezo [Hiroyuki Yoshino] que acabou de entrar na família Martillo, que está perto de entrar em guerra contra outras famílias.

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Sim, estamos a falar da máfia, boa parte das personagens de Baccano! fazem parte da máfia, havendo algumas excepções, como por exemplo, um duo de ladrões… peculiares, Miria e Isaac [Sayaka Aoki e Masaya Onosaka respectivamente]. Que para além de serem umas cabeças de vento (que roubaram a porta de um museu para impedir as pessoas de entrar), acabam por ser um raio de sol para todos.

Outra personagem peculiar é Jacuzzi Splot [Daisuke Sakaguchi], líder de um gangue, sendo um pouco amedrontado/assustadiço e que chora facilmente, mas capaz de fazer o que uma pessoa normal não faria. Poderia estar a fazer destaque a mais personagens, mas a maior parte vem num todo, ou fazendo parte da máfia, ou de um outro grupo qualquer, como por exemplo um grupo de pessoas ao acaso que se juntaram para experimentar alquimia como meio de obter a imortalidade. Bem como outras personagens que acabam por ter uma história individual e a sua própria agenda.

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Enquanto que o segundo episódio serviu como build up, e o terceiro abriu com a história, o primeiro foi algo meio estranho. Ao mesmo tempo que apresentava as personagens, fez uma à Breaking Bad (antes de Breaking Bad existir) onde “mostrou a resolução” de vários eventos que vão acontecendo, o que acabou por me deixar confuso (ainda mais quando certas coisas mostradas nunca mais foram tocadas). Mas após ver essas cenas acontecerem já tudo fez um pouco mais de sentido.

Sim, o problema de Baccano! é de saltar demasiado entre os anos, principalmente quando é em 1931 que grande parte dos acontecimentos tiveram lugar, algo que irá criar confusão a início. E que apenas consegui fazer sentido ao criar a teoria de que a viagem do Flying Pussyfoot toma lugar perto do final do ano, e os restantes eventos de 1931 no início do mesmo. Foi a única forma que arranjei para situar tudo e fazer sentido com a chegada do comboio a Nova Iorque em 1932. Ou seja, as partes do Flying Pussyfoot são de certa forma o presente, e o resto é o passado. Mas é esse mesmo passado que é complicado de meter em ordem de acontecimento.

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Avaliando cada acontecimento, apesar de a início não dar para perceber o que se anda a passar entre 1930 e 1931. A meio as coisas já começam a ligar-se e a ficarem interessantes, pois de certa forma já sabemos o que vai acontecer no que toca às personagens, e esperamos ansiosamente pelo elo final. O único ponto negativo é a história de Eve Genoard [Marina Inoue], que acaba por ser um pouco fraca.

Já o Flying Pussyfoot é sem dúvida o ponto alto do anime, a início ainda estamos a levar com a apresentação das personagens, mas logo depois, com o efeito de bola de neve, vários eventos começam a ter lugar no comboio, dando azo a uma das viagens mais sangrentas da histórias das locomotivas.

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Quão sangrento? Sangrento o suficiente para ser indicado para maiores de 17. Não, não é gore, mas a quantidade de violência é maior que o anime comum. Braços arrancados, sangue, cabeças rebentadas, muito sangue, gente que adora matar, uma pessoa completamente coberta de sangue, ficam com uma ideia. Embora não seja algo excessivo e com demasiada frequência, nem tudo é presenciado por nós, e tal como disse, nada excessivo e incomodativo… excepto os ossos.

Para além de ser sangrento, o Flying Pussyfoot pareceu-me ser mágico, criando um mistério digno de Poirot. E porquê? Porque a certo momento ficou confuso a maneira como o as carruagens do comboio estavam posicionadas. Afinal aqueles dois estavam a ir para o mesmo sítio e acabaram em locais diferentes? Então e os outros que estavam a voltar para a outra carruagem? E porque é que ninguém encontra ninguém quando andam a vaguear pelas carruagens, tendo em conta que não existe muito para onde fugir?

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Essa confusão deve-se claro à acção que anda a ter lugar por todo o comboio, mas o anime podia ter feito melhor para ajudar a posicionar todas as personagens, bem como as carruagens em que se situam.

Tenho abusado um bocado da palavra confuso durante a análise, é verdade que a início é um bocado complicado de situar os acontecimentos. Mas mesmo assim gostei imenso do anime e não me senti inteiramente perdido quanto ao que estava a ver. Ao contrário de Durarara!! que tem como ponto de venda as suas personagens, bem como as interações/situações das mesmas. Baccano! acaba por dar mais valor à história.

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Isso é comprovado pela falta de desenvolvimento que grande parte das personagens teve. Conseguimos entender como pensam, mas tudo o resto é um mistério, e nem muitas recebem uma devida conclusão. Sendo que até após os 13 episódios, foram lançadas 3 ovas que dão uma ‘closure’ à chegada dos passageiros do Flying Pussyfoot (ou seja, 1932). Apresentando novas personagens, e ao mesmo tempo oferecendo umas conclusões satisfatórias a outras. Mesmo assim, ficam algumas pontas soltas que apenas se resolverão com uma sequela.

Metendo essa pontas soltas de lado, Baccano! em si conseguiu ter um final bastante bom com 16 episódios, dando o sentimento de ser mesmo o fim da história de todas estas personagens. E o clímax de ambos os acontecimentos de 1931 são bastante bons, tanto que até poderia ver mais uma temporada apenas sobre o Flying Pussyfoot e ficaria bastante entretido. Num todo é possível entender o que o autor quer fazer com a história, e se a início parece confuso, não é nada que não seja resolvido ao ver uma segunda vez.

Positivo:

  • História interessante
  • Banda sonorapn-recomendado-ana
  • Visuais bons
  • Personagens

Negativo:

  • Saltos temporais por vezes confundem a situação da história
  • O comboio por vezes parece ser mágico
  • Algumas personagens não tem a sua devida conclusão
  • Onde anda a segunda temporada?

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Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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