Análise – Accel World vs. Sword Art Online

Plataforma: PlayStation 4

Fui eu que pedi este jogo para analisar porque vi Accel World e, contrariamente ao que outras pessoas que viram me têm conferenciado, eu até gostei. Fiquei desapontada com o final aberto, que não foi final nenhum. Para além disso vi a primeira arc da primeira temporada de Sword Art Online, que foi aquela que realmente me pareceu mais interessante.

Accel World vs. Sword Art Online vem em linha com uma série de outros jogos da Bandai Namco sobre o universo do anime Sword Art Online, sempre ao estilo JRPG. Desta vez a abordagem envolveu um crossover entre os dois animes que dão nome ao jogo e cuja temática tem pontos chave em comum: a utilização de tecnologias de realidade virtual de imersão e as suas implicações na vida das pessoas.

As tecnologias em si e a forma como são utilizadas difere substancialmente entre um anime e outro e as temáticas mais específicas inerentes aos protagonistas, personagens secundários e contextos que se vão desenvolvendo também criam contextos muito distintos, mas é impossível não traçar alguns paralelismos entre estes jovens que têm que enfrentar os desafios da vida com ferramentas e contextos socio-culturais que não diferem assim tanto uns dos outros. Aliás, chega a ser revelado que a diferença temporal entre ambos os anime é de 20 anos. Estou a focar-me nisto porque se torna importante para o enredo do jogo em si. Ele bebe desta dinâmica entre o plot de cada um dos animes, daquilo que lhes é comum, mas também do que os distingue e começa a formar um cenário em que é plausível que ambas as suas histórias se tenham cruzado.

Já que estamos numa de contexto a nível da história, comecemos por aí mesmo. Posso dizer à partida que este é um jogo que foi feito para vos contar uma história adicional em relação aos universos de Sword Art Online e Accel World. É um jogo de aventura que, pela vicissitude de ser baseado em animes focados em videojogos MMO, tenta ir mais além, emulando ser tanto o jogo de aventura como o próprio MMORPG, e conta a história com elementos visual novel. Se soa a uma grande caldeirada desnecessariamente complicada é porque o é.

O plot é excessivamente longo, acompanhando uma gameplay extremamente repetitiva e aborrecida. Eu pessoalmente veria esta história enquanto OVA, se ela existisse, em vez de jogar o RPG. Mas pior do que isso é que, mesmo para os fãs de ambas as franquias, esta história não passa de uma tentativa de ordenhar uma vaca de tetas doridas. Se não estiverem extremamente familiarizados com uma ou nenhuma das franquias, este jogo não tem qualquer valor e deixa imensas dúvidas sobre o que está por detrás de cada personagem e das suas vivências, sendo que há vários acontecimentos de ambos os animes que são referenciados de passagem ao longo do jogo. Como cereja no topo do bolo, o desfecho da história apenas surpreende quem, como eu, pensaria “não, isto é um final demasiado óbvio e ao mesmo tempo não faz qualquer sentido, por isso tem que ser outra coisa” mas afinal o jogo termina e foi exactamente como achámos que não ia ser.

Em relação aos personagens, o que posso dizer é que ainda assim são a única verdadeira cor do jogo. À medida que vamos batalhando, os personagens vão tendo diálogos curiosos entre si, principalmente aqueles que tivermos na party.

Quanto a game design, há também problemas gritantes. Para já, graficamente, pelas suas texturas e polígonos, o jogo parece ter sido desenvolvido para a PlayStation 2 ou, na melhor das hipóteses, início de geração passada. Outra grande decepção é o aspecto geral do mundo. Não é interessante. Não é envolvente e não apetece voltar para lá, ao contrário dos personagens que têm uma doentia relutância em fazer logout. Quantos dias é que eles passaram sem comer, ir à casa de banho, tomar banho e viver a vida para fazer tudo aquilo que a história contempla de uma assentada e sem intervalos?

Bem, estou a divagar um bocado, por isso voltando ao mundo criado, este parece altamente vazio e desprovido de criatividade. É um ambiente excessivamente vasto em todas as direcções. Parece que a pessoa que se viu com uma tela absolutamente vazia não sabia bem como a preencher, por isso temos chão, algum relevo, umas ilhas flutuantes, prédios que são cópias uns dos outros em diferentes ângulos e gradações de cor e está feito. O único lugar que ainda assim parece um pouco mais trabalhado é a cidade central, mas esta é relativamente pequena e ainda assim não é impactante, até porque a maior parte do tempo, para avançar na história em momentos intermédios apenas é necessário frequentar um bar e pouco mais.

Passemos agora à jogabilidade. Ui, tanto que dizer! A nossa party nunca ultrapassa os 3 personagens, entre os quais podemos alternar como personagem jogável a qualquer altura. Vai-nos sendo oferecido um leque ainda bastante diversificado de personagens para poder colocar na party, num dos terminais de save e management.

Uma das coisas que me irritou solenemente assim que comecei a jogar foi a mira de inimigos. Torna a gameplay mais complicada em vez de ajudar, uma vez que, por aquilo a que tradicionalmente este tipo de jogos nos habitua, quando nos queremos mover, por vezes seleccionamos um outro inimigo ainda antes de acabar com o anterior. O processo de selecção que o jogo faz do inimigo que vamos atacar quando há uma moba à nossa frente também não faz sentido, sendo que por vezes selecciona automaticamente um inimigo mais afastado em vez do que queremos e é necessário alternar bastante entre inimigos ou desmarcá-los e voltar a focar até o jogo dar com aquele que o jogador realmente pretende atacar. Se a mira não estiver feita, o combate não melhora muito, pelo que muitas vezes a detecção de colisão da arma com o inimigo se torna menos precisa.

As diferentes mecânicas de voo dos personagens de cada uma das franquias também tem o seu quê. Enquanto que os personagens de SAO são fadas e quase todos eles têm asas e voam de forma mais ou menos natural (depois de aprendermos a “pilotá-los”) os de AW saltam alto e repetidamente. É acima de tudo uma questão de hábito, mas geram-se situações no mínimo caricatas graças a estas mecânicas.

Outro problema grave é a distribuição de mobas e a sua inteligência artificial. Todos nós começamos com um nível de personagem elevadíssimo, mas isso faz sentido tendo em conta o contexto da história. Mas isso implica que mesmo os monstrinhos mais fracos e ridículos também são overleved e parece ridículo. Regra geral eles não nos atacam durante muito tempo, mas como estamos sempre em party com alguém, os nossos companheiros guiados por inteligência artificial encarregam-se de desatar à porrada, o que faz com que as bichezas se lembrem de contra-atacar. Isto não é regra, mas verifiquei isto até bem mais tarde do que gostaria de ver no jogo. Depois há vastíssimas áreas do mapa sem qualquer monstro e pontos do mapa onde eles andam em magotes.

Para que tudo isto funcione bem, precisamos de quests, não é verdade? O que é de um RPG sem as quests? Então o que é que sucede: há a main quest, que é a parte ligada à aventura que os nossos heróis estão a viver e as quests que o MMORPG que eles jogam lhes sugere. O que fazer então? As quests secundárias, expostas num placard na cidade, ajudam-nos a fazer grinding para subir de nível. Temos o quest log onde elas ficam registadas quando as aceitamos e que nos mostra algumas informações relevantes para as conseguir executar, mas ainda assim não é um sistema bem desenvolvido. E para seguir a main quest? Não há qualquer tipo de registo. Se forem um peixinho de aquário de fraca memória como eu, estão tramados. Receio que é um bocado como viver a vida. É melhor ter uma agenda onde registar o que fazer a seguir, porque se fizerem grandes intervalos entre sessões de jogo vão acabar por ficar absolutamente desorientados.

A música está longe de ser memorável, mas é agradável de se ouvir de fundo enquanto se faz qualquer coisa. De preferência qualquer coisa sem ser jogar este jogo.

E não vos faço perder muito mais tempo com este jogo porque de facto ele não merece, apesar de eu ter muito mais pontos horripilantes que poderia partilhar. Há jogos piores e menos competentes do que este, sem dúvida. Apenas posso dizer que não vale o dinheiro, visto que enquanto jogo, há Free-to-Play mais bem desenvolvidos e divertidos do que isto e enquanto história, quer para fãs das franquias ou mesmo de anime, não vale a tortura de passar pela longa gameplay a que este jogo vos vai expor nem pela própria história!

Positivo

  • Personagens fiéis aos animes de origem e que retêm aquilo que os torna interessantes nas séries
  • ainda estou a tentar encontrar outro.

Negativo

  • Gráficos datados
  • Mecânicas pouco eficientes
  • História demasiado longa, vazia e previsível ao mesmo tempo que a resolução nem poderia ser aquela, logicamente
  • É difícil perceber a progressão da main quest que não fica registada em lado nenhum
  • Aborrecido e desinteressante
  • Tem um modo online para fazer as quests secundárias… PARA QUÊ???!!!!!

 

Ana Alexandra Pinto

Jogadora desde os 3 anos, noob desde os 2. Treinadora Pokémon atabalhoada e YouTuber recém repescada para o projeto a full time. E feliz por isso! =3

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