Análise – Omega Quintet

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A Compile Heart é uma companhia de jogos que faz parte da Idea Factory, conhecida por desenvolver jogos do tipo Puzzle e RPG’s Japoneses. Omega Quintet é um dos primeiros JRPG lançados para a PS4 sendo que estão muitos mais na calha para os próximos tempos.

A base da história de Omega Quintet pode parecer banal, mas depois de sermos abordados por alguns detalhes informativos importantes ao longo do jogo, já podemos dizer que esta aventura tem a sua “própria impressão digital”. O papel das personagens principais é dado a um grupo de 5 raparigas e ao seu “manager”, Takt, que recebem um trabalho bastante invulgar.

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Na verdade Omega Quintet é mesmo o nome da banda das personagens, que para além de cantarem j-pop, são as únicas no mundo capazes de combater os monstros que estão a transformar o planeta num lugar apocalíptico. Estas forças misteriosas do mal chamam-se “Blare” e há que os parar custe o que custar.

O jogo começa com uma “Verse Maiden” prestes a reformar-se. Com a saída desta, entram outras 5 no seu lugar. Ao inicio, começamos por utilizar uma só personagem para tudo no universo Omega Quintet. Até aqui tudo bem, por uma questão de habituação e aprendizagem mais focada, alguns tutoriais vão-nos encaminhando e introduzindo funções novas que vão sendo apresentadas aos poucos. Entretanto passam-se uma, duas ou até três horas e só aí é que aparecem duas personagens novas para a equipa. Só aqui é que é finalmente possível gerir de forma diferente os combos, as estratégias e as distâncias do inimigo no campo de batalha.

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Mais tutoriais? Okay. Só passadas mais duas ou três horas é que conseguimos interagir com as outras duas personagens da banda. Com mais personagens chegam mais habilidades, o que é bom, mas parece que chegam sempre mais tutoriais também. Parece que com tudo chegam novos tutoriais. Vou ter pesadelos com tutoriais, desconfio. Deixam de ser informativos e necessários e passam só a ser cortes bruscos na jornada e aborrecidos por continuarem a ter tanto protagonismo mesmo além das dez horas de jogo.

A jogabilidade é boa (depois de mudar os analógicos de japonês invertido para normal), a exploração é livre e agradável, até sermos forçados a visitar constantemente os mesmos lugares do mapa para completar as missões. Os combates são entusiasmantes na medida em que temos a autonomia suficiente para sermos responsáveis pelo rumo da batalha, podemos analisar os valores de “hit”, os “elementos” consoante fraquezas ou resistências, optar entre tácticas de ataque ou defesa e ainda ataques de elemento, ou relacionados com a música.

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Outra característica interessante de Omega Quintet é que estar a perder um confronto torna-se menos aborrecido, visto que à medida que as personagens sofrem dano e a sua “indumentária” enfraquece, estas ficam gradualmente sem roupa (sendo que no mais grave dos casos resta a lingerie).

O jogo é plena e integralmente acompanhado de diálogos em formato anime em 2D. Na minha opinião, estas intervenções são uma mais valia para a história em si. As personagens têm personalidades muito distintas, o que torna a interacção entre elas bastante divertida, acontecem muitas situações desajeitadas, alegres e recheadas de alguma sátira. É uma realidade que há muitas falas desnecessárias, o que pode fazer com que os diálogos tornem o jogo muito parado, mas no geral, e especialmente para fãs de anime, este é um complemento que vale muito a pena e que servem para aliviar, de certa forma.

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O ponto forte deste jogo foca-se na animação e efeitos visuais. Não há qualquer dúvida de que as personagens têm um design incrivelmente apelativo. Todas as cinemáticas são portadoras de uma grande qualidade, o que se torna negativo quando passamos de seguida para o modo de exploração, por contraste. Os efeitos durante a batalha são um tanto ou quanto medianos, sendo que os monstros estão bem representados e o mistério associado à grande variedade de espécies dá-nos a curiosidade necessária para progredir no jogo.

A música é tão boa que quase merece estar presente em playlists de mp3’s, ou não seria este um dos factores mais influentes deste jogo. Para realçar ainda mais a importância da banda sonora neste jogo, Omega Quintet tem um editor de vídeo de modo a ser possível construir um concerto de raiz: desde escolher os movimentos de dança de cada uma das personagens, quem canta cada frase da letra, a quem é dado o destaque, escolher diferentes ângulos de câmara, combinar as vozes das mais variadas formas, individualmente e por cada parte da música.

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Quanto às vozes, é de realçar que as dobragens estão expressivamente ricas. Tanto em inglês como em japonês. A parte aborrecida é que enquanto exploram os mapas, cada personagem tem disponível, individualmente, apenas 4 ou 5 frases que repetem com muita frequência. Quando estamos em missão a correr pelos campos à procura de monstros (ou a fugir deles) estamos sempre a ouvir uma espécie de remix de um disco riscado de “Estou cansada.”, “pergunto-me o que haverá por aqui”, “vamos lá ao trabalho!”, e etc.

Omega Quintet tem material suficiente para ser jogado durante horas e horas e horas, não só pelo seu carácter de JRPG, como também pelos extras que vão muito para além do horizonte. Preparem-se para passar horas a personalizar as personagens, editar concertos, experimentar diferentes estratégias de batalha, tudo isto para além das horas do jogo-base.

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É inevitável olhar para a intro do jogo sem me lembrar de Sailor Moon, pois todo o ambiente que liga os uniformes às músicas do quinteto de raparigas com ar inocente, faz lembrar as navegantes e o seu Mascarado, se bem que de uma forma muito própria.

É por este e outros motivos que Omega Quintet é destinado a um público muito específico ganhando um pouco de versatilidade nos momentos em que o jogo assume um papel mais “maroto” (ouvi dizer que maroto entre aspas calha sempre bem) e também pelo carácter proveitoso em batalha. Esta análise resulta num Razoável para o público em geral mas para os fãs deste tipo de universo acho que vale a pena experimentar.

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Positivo:

  • Design apelativo
  • Música contagiante e responsável por um bom ambiente
  • Vozes boas em inglês e japonês
  • Sistema de combate
  • História, diálogos divertidos e enriquecedores.

Negativos:

  • Demasiados tutoriais e estendidos até muitas horas de jogo
  • Falas muito repetitivas e irritantes no modo de exploração
  • Algum diálogo desnecessário e que se arrasta

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Catarina Perez

Sou o resultado de uma experiência feita pelo governo que correu mal. Encontro-me em missão de fuga, disfarçada de Algarvia pouco bronzeada (quase transparente), perdida pela capital com uma 2DS na mão e um Mew na Pokébola. O PróximoNível é o meu esconderijo secreto preferido onde posso fazer as coisas mais divertidas: jogar, comer, ver anime, ser tonta e jornalismo.

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Catarina Perez

Sou o resultado de uma experiência feita pelo governo que correu mal. Encontro-me em missão de fuga, disfarçada de Algarvia pouco bronzeada (quase transparente), perdida pela capital com uma 2DS na mão e um Mew na Pokébola. O PróximoNível é o meu esconderijo secreto preferido onde posso fazer as coisas mais divertidas: jogar, comer, ver anime, ser tonta e jornalismo.

  • Raizor

    não é bem o meu estilo de jogo…mas gostei da análise 🙂

    a 1º de muitas análises Catarina :). Força

  • _GM_

    Começas bem a fazer análises. Dão-te logo um jogo meh xD

    • Pelo menos não é Mindjack :v

      • tylarth

        Pelo menos não é disney magical world!

      • ShadowDust

        Mindjack ainda se safa, vai lá analisar o Monochroma ou o Adventure Time da PS3!

        • Silver4000

          O Monochroma parece-me melhor que o dos Marretas.
          Mas ainda assim o Tokyo Twilight é capaz de ter sido o pior.

    • Eles ameaçaram-me com o pior jogo de sempre, da praxe, mas depois viram que sou um bom garoto e fiquei com um “razoável”

  • Kanudo

    Pela maneira como descreves os tutoriais, quase dá a entender que estavas a jogar Final Fantasy XIII :v