Ugo Volt – Um videojogo português que merece ficar na memória

Cada vez existem mais videojogos portugueses a começarem a quebrar barreiras e a serem reconhecidos tanto a nível nacional, como internacional. Recentemente, por exemplo, destacaram-se as aventuras de Detective Case and Clown Bot por parte da Nerd Monkeys e Those Who Remain da Camel 101. Contudo, hoje dedico este artigo a um jogo que infelizmente nunca chegou a ver luz do dia e que surpreendeu-me muito pela positiva, espero que com a minha pequena homenagem mais pessoas possam ficar conhecer ou até relembrar-se acerca de Ugo Volt.

Inicialmente conhecido por Fusion, começou como um pequeno projeto em 1999 para concorrer a um concurso, a sua denominação foi depois alterada para Doshowbikum: The Run, cujo sentido das palavras se assimilariam ao conceito principal do jogo: fazer espectáculo com jogabilidade versátil que combina estilo moderno e clássico. Após a empresa ter sido formada, o nome do projeto passou a ser Flow: Prospects of Mayhem e só quando atingiu um patamar mais sério de desenvolvimento é que o título ficou Ugo Volt.

Ugo Volt estava a ser criado pela Move Interactive, uma pequena empresa com origem na Madeira que posteriormente se aposentou em Cascais. A essência do jogo seria misturar vários estilos de jogabilidade distintos: uma aventura em primeira/terceira pessoa, com elementos RPG e muita ação, que permitiria controlar criaturas de forma estratégica. O jogador poderia fazer uso de quatro poderes que abrangiam electricidade; magnetismo; hipnotismo e a capacidade de hackear adversários. Por outro lado, as armas poderiam ser criadas a partir de múltiplas combinações e teriam as suas próprias características.

O jogo situaria-se numa Lisboa pós-apocalíptica do século XXII, o mundo estaria em detrimento devido ao aquecimento global e somente o Ugo conseguiria definir o destino para a humanidade. O protagonista encontra-se numa posição privilegiada, representando o que seria a seguinte etapa para a evolução do ser humano, o seu corpo estava prestes a ser utilizado para a clonagem de novos humanoides, tudo isto enquanto outros seres humanos viviam na pobreza. A decisão em apoiar esta causa ou acabar com ela dependeria do jogador, podendo resultar em três finais diferentes. Durante a história, também teríamos de lidar com dilemas pessoais da vida de Ugo.

O protagonista teria a habilidade de viajar por duas dimensões que se alternariam entre o real e o simulado, no intento de conseguir escapar à ditadura em que se vivia. Tudo o que era realizado na dimensão paralela, iria afectar os eventos na dimensão real. A área de jogo ocuparia Chiado e os Jerónimos com cenários que mostrariam as consequências das mudanças climáticas. O Terreiro do Paço, por exemplo, estaria inundando e em ruínas.

Ugo Volt obteve bastante notoriedade durante a sua fase de produção, alcançando a meta de ser o primeiro videojogo português a ser apresentado na E3 em 2006. Entretanto, em 2007, começaram a surgir alguns problemas financeiros e quebras nas fontes de investimento, a Move Interactive foi assim levada a colocar em pausa o desenvolvimento do jogo.

Numa tentativa de reunir dinheiro para Ugo Volt, a empresa realizou uma parceria com a SIC para criar um jogo da Floribella. No entanto, estes esforços não valeram de muito. Ao terem perdido o financiamento total por parte dos investidores, a equipa começou a desmoronar-se e infelizmente o projeto acabou por ser cancelado em 2008.

A Move Interactive ganha a minha admiração por ter sido uma empresa arrojada que investiu numa indústria que ainda é alvo de algum cepticismo cá em Portugal. Ugo Volt era uma iniciativa fora da caixa, foi um jogo que trouxe muitas conquistas para a indústria de videojogos portuguesa e conseguiu dar-nos alguma notoriedade no mercado lá fora. Gostaria muito que o jogo tivesse sido finalizado para o puder experienciar, muito mais do que a Floribella.

Ainda espero que um dia algum estúdio com rendimentos possa a pegar neste projeto e avançar com ele, eu sei que provavelmente já não teria o mesmo impacto, caso fosse lançado na altura. No entanto, acho que seria uma boa forma de reaproveitar todo o esforço que a Move Interactive depositou no jogo e deixaria a mim, assim como a outros portugueses, com um sorriso de satisfação na cara.

Antes de ser cancelado, Ugo Volt estava previsto ser lançado para PC e Xbox 360.

Fontes:

Revista Pushstart

JornalismoPortoNet

Andreia Mendes
Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram