The Last of Us da HBO e o problema de casting sobre videojogos

As adaptações feitas para cinema costumam normalmente estar ligadas na maioria dos caso a livros que passam para o grande ecrã. Adaptar palavras para o cinema ou a televisão é muito mais simples porque parte de uma descrição mais abstracta. Mesmo se tivermos em conta a BD, existe sempre uma boa margem para adaptar algo de forma mais livre.

Com os videojogos a coisa acaba p0r ficar muito mais complicada. A transformação de personagens bastante detalhadas para o mundo real é muito complicada, ainda para mais tendo em conta que é preciso escolher actores reais que não são exactamente a cópia do que temos no jogo.

Como é óbvio, os fãs conseguem sempre ir à procura de actores que são muito parecidos e conseguem encontrar pessoas bastante semelhantes. Um bom exemplo é o caso de Nathan Fillion que mostrou ser o actor ideal para interpretar Nathan Drake de Uncharted, mas este papel acabou por ser concedido a Tom Holland que fica um pouco distante da imagem que temos de Drake.

Recentemente, com a nova série da HBO que está a adatar The Last of Us, o mesmo voltou a acontecer. Mesmo que os fãs já tivessem atirado para o ar vários actores “ideais”, o casting final acabou por ficar um pouco distante daquilo que a maioria estaria à espera. Como é óbvio, a maioria não ficou muito satisfeita com a situação e as críticas começaram a surgir.

Embora pareça um pouco “ingrato” ver bons actores muito parecidos com as personagens a ficar para trás, a verdade é que as adptações vão sempre acabar por sofrer com este problema. Mas mesmo que os actores fossem muito parecidos, existem sempre muito mais coisas relacionadas com a produção que levam a que determinadas escolhas sejam feitas.

Para começar, estamos a falar de uma indústria que vive muito de negócio e das ligações entre os mesmos, como tal, existem companhias que já dispõem de um leque de actores específico que vão ser indicados para esses castings específicos. Em várias situações, os actores são escolhidos por serem os melhores, ou em muitos outros casos, o melhor actor até pode nem estar interessado no papel.

A lista de situações não se fica por aqui. Existem situações relacionadas com contractos, com partocínios, com forças externas e, não podemos nunca negar esta eventualidade (pois ela existe), de dar uma posição por cunha, amizade ou porque é um actor ou actriz que está na moda.

Todas estas situações podem ser reais ou totalmente falsas seja para The Last of Us ou para qualquer outra série/filme. Existe um mar de situações que estão por detrás do casting e nem sempre é fácil ir apenas pela escolha do público. Não nos podemos também esquecer que até Neil Drukman da Naughty Dog estará envolvido com esta escolha.

De qualquer forma e indepentemente de quem dá a cara, muitos não se lembram de um dos elementos mais importantes. A voz é tão importante como a face da personagem e não nos podemos esquecer que ao escolher Pedro Pascal para Joel ou Bella Ramsey para Ellie (as duas imagens em cima), a voz será a dos próprios actores. Por isso as palavras que já ouvimos Ellie dizer não vão ser de Ashley Johnson, nem Troy Baker será Joel.

Temos de admitir que à partida, uma série ou um filme que adapte um jogo nunca será 100% igual e que algo coisa irá sempre ser perdida pelo caminho. Muitos queriam que Joel fosse Nikolaj Coster-Waldau que entrou em Game of Thrones e Kaitlyn Dever para Ellie. São castings que parecem saídos do plano da quase perfeição (as duas imagens em baixo deste parágrafo), mas quando os actores fossem começar a falar, para quem jogou o jogo, iria sempre faltar alguma coisa.

 

Está na altura de começar a admitir que, tal como os livros que são adaptados para outros estilos de entretenimento, a adaptação não é feita apenas a pensar em quem leu, mas sim num público geral e como se costuma dizer, é complicado que seja melhor que o original.

Por isso sim, por muito que possa “custar”, a verdade é que é no caso dos videojogos, vamos ter a peça original na sua forma “verdadeira” como um jogo e quem quiser experimentar (mais tarde) o verdadeiro conteúdo, ele existe. A parte boa é que além de apenas ver, será possível viver a história. Afinal, não é por nada que somos o verdadeiro meio interactivo de entretenimento.

Podem sempre saber mais sobre The Last of Us nas nossas análises feitas aos dois jogos:
Análise – The Last of Us
Análise – The Last of Us: Remastered
Análise – The Last of Us: Part 2

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