A 94º cerimônia de entrega dos Academy Awards, também conhecidos como Oscars 22, ocorreu na madrugada da noite de hoje (27 de Março). Há 23 categorias em jogo, algumas com diferenças em relação ao ano passado. A cerimónia teve como anfitriões, Regina Hall, Wanda Sykes e Amy Schumer, contando com várias outras participações e cameos durante a cerimónia, que já ocorreu presencialmente, tendo sido transmitida online também.
Mais concretamente em relação aos vencedores e derrotados da última noite, uma parte era expectável, já outros foram verdadeiras surpresas que poucos ousavam apostar. O grande vencedor da noite foi Dune, que das 10 nomeações, conseguiu 6, nas categorias de Best Original Score (segundo de Hans Zimmer), Best Sound, Best Product Design, Best Cinematography, Best Film Editing e Best Visual Effects. Era expectável que este novo filme de Denis Villeneuve fosse varrer grande parte das categorias técnicas, mas não se esperava que fosse com uma margem tão grande, mas mereceu todas as vitorias que teve.
Do lado oposto, temos o maior derrotado da noite, The Power Of The Dog. Com 12 nomeações e tendo caído na graça da crítica internacional desde que saiu, surpreendentemente , apenas conseguiu almejar o Oscar de Best Director para Jane Campion. Não é comum filmes com tantas nomeações e com um bom boca a boca nos circuitos da Academia conseguir tão poucas estatuetas. O que demonstra que nada é garantido até ao momento da cerimónia. Até porque, tipicamente, o diretor que consegue o Oscar de Best Director também o seu filme acaba por ganhar como o melhor, o que acabou por não acontecer, fugindo à norma.
Neste sentido, esse prémio foi para CODA, um dos meus prediletos do evento, desde que o vi no verão do ano passado na sequência da atenção que teve no festival de cinema de Sundance. Fiquei rendido à sua poderosa história emocional e parece que os membros da Academia também. Não apenas ganhou o Best Picture, como Troy Kotsur ganhou em Best Support Actor, que o torna o segundo ator com uma deficiência a vencer na história da Academia. E ainda Best Adapted Screenplay, totalizando três vitórias, ficando apenas atrás de Dune.
Pessoalmente, a maior surpresa além de The Power Of The Dog perder por tanto, foi a estatueta de Best Actress ter ido para Jessica Chastain na sua prestação em The Eyes of Tammy Faye. Confesso que não assisti este filme, portanto, não tenho como opinar com conhecimento de causa, mas as minhas escolhas iam para Kristen Stewart ou Olivia Colman. Do outro lado, Will Smith ganha o Oscar de Best Actor, sem grandes surpresas. Tendo sido protagonista do momento mais insólito da cerimónia ao agredir Chris Rock na sequência de uma piada feita por este último. O que até abafou maioritariamente as premiações em si.
Houve também outra polémica, esta antes da cerimónia, uma vez que a Academia pressionada pela emissora ABC, optou por retirar algumas categorias da transmissão em direto. O que levou algumas figuras da indústria a se pronunciar contra, como John Williams e James Cameron. Ainda assim o evento durou quase 4 horas, sendo o maior desde a edição de 2018, o que não adiantou grande coisa na tentativa de reduzir a sua duração. Várias produções não tiveram o destaque merecido como West Side Story e Licorice Pizza, que acabaram por perder em algumas categorias onde o critério para os vencedores foi bastante dúbio.
Refiro-me a Belfast ganhar Best Original Screenplay, o que é bastante irónico, uma vez que o filme replica (senão quase copia) em grande parte aquilo foi o filme Roma de Alfonso Cuarón. Igualmente, com o Oscar de Best Costume Design, que embora eu concorde com a vitória de Cruella, poderiam ter atribuído a West Side Story facilmente.
Houve também ‘premiações’ simbólicas que envolveram o público, como o Oscars Fan Favorite, onde ganhou Army Of The Dead, claramente graças à força que Zack Snyder e os seus fãs têm online, porque pela qualidade do filme não foi. E ainda Oscars Cheer Moment, que premiou uma cena do Flash em Zack Snyder’s Justice League, pelo mesmo motivo.
Seja como for, independentemente de todas as polémicas e controvérsias, foi uma cerimónia melhor face ao ano anterior, e até a própria qualidade dos filmes nomeados subiu substancialmente. Podem contar com uma ou outra análise a algum dos filmes nomeados/vencedores do evento nos próximos dias, mas por agora fiquem com os vencedores, já de seguida:
Best Picture (Melhor Filme) – CODA;
Actor In A Leading Role (Ator num Papel Principal) – Will Smith, (King Richard);
Actress In A Leading Role (Atriz num Papel Principal) – Jessica Chastain, (The Eyes of Tammy Faye);
Actress In A Supporting Role (Atriz num Papel Secundário) – Ariana DeBose, (West Side Story);
Actor in a Supporting Role (Ator num Papel Principal) – Troy Kotsur, (CODA);
Best Director (Melhor Diretor) – Jane Campion, (The Power of the Dog);
Best Original Score (Melhor Partitura Original) – Dune, (Hans Zimmer);
Best Adapted Screenplay (Melhor Guião Adaptado) – CODA;
Best Original Screenplay (Melhor Guião Original) – Belfast;
Best Original Song (Melhor Canção Original) – 007: No Time To Die, (Billie Eilish);
International Feature Film (Melhor Longa-Metragem Internacional) – Drive My Car”;
Best Animated Feature (Melhor Longa-Metragem de Animação) – Encanto;
Best Animated Short Film (Melhor Curta-Metragem de Animação) – The Windshield Wiper;
Live Action Short Film (Curta-Metragem Live-Action) – The Long Goodbye;
Costume Design (Figurinos/Guarda-Roupa) – Cruella;
Best Documentary (Melhor Documentário) – Summer of Soul;
Best Cinematography (Melhor Cinematografia) – Dune;
Best Film Editing (Melhor Edição de Filme) – Dune;
Best Makeup and Hairstyling (Melhor Maquiagem e Penteado) – The Eyes of Tammy Faye;
Best Production Design (Melhor Design de Produção) – Dune;
Best Sound (Melhor Som) – Dune;
Best Visual Effects (Melhores Efeitos Especiais) – Dune;
Best Short Documentary (Melhor Pequeno Documentário) – The Queen of Basketball;


