O que diz o Fox? – Artigo 8: Dos 8 aos 80, outra vez

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O meu avô fez esta semana oitenta anos. Parabéns, avô! Lembrei-me logo da conhecida expressão “dos 8 aos 80”, que se usa quando queremos mostrar que determinada coisa pode ser feita por todos e para todos, qualquer que seja a idade. Os videojogos não costumam ser uma dessas coisas. Ou melhor, não costumavam.

É engraçado pensar nisso, porque deve ter sido quando fiz 8 anos que recebi, precisamente dos meus avós, um Game Boy “tijolo”, como gosto de lhe chamar. Foi a minha primeira verdadeira consola de jogos, se não contarmos com a “Brick Mania”(alguém se lembra? Era de um plástico cinzento, com teclas amarelas, e só se jogava Tetris). Comecei logo cedo com o bichinho dos jogos. Pertenço a uma geração que sempre viveu com eles e, por isso, qualquer que seja o jogo que surja, por mais diferente que seja, há sempre uma certa familiaridade. O que não acontece com quem nasceu 10, 20 ou 30 anos antes. E isso fez com que se distanciassem deles.

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É preto, com teclas ros… Vermelhas claras, à Homem!

Os jogos de vídeo, como os conhecemos, servem e movimentam milhões. Mas tenho uma pergunta para vocês: sabem o que é melhor do que os milhões de pessoas que jogam? Os milhões de pessoas que não jogam. E estes últimos são bastante mais. A Nintendo também achou e, assim, nasceu a Wii.

Que nome tão ridículo para uma consola. Wii… E que coisas tão ridículas que ela faz. Wii..? Temos que abanar o comando de um lado para o outro e fingir que jogamos Bowling, Tennis, Golf… a sério? Que brincadeira é esta? É a Wii: uma brincadeira de sucesso!

Toda a gente a conhece. Toda a gente queria uma e, aparentemente, todos tiveram. Foi uma consola que vendeu que nem pãezinhos quentes. Um fenómeno. Foi a consola que conseguiu conquistar aquelas gerações aparentemente “perdidas”, que não ligavam aos jogos, que achavam que era para crianças e que fazia mal à cabeça (e faz, como tudo em exagero). Foi a consola que juntou pais e filhos no mesmo sofá, sendo que os pais, desta vez, gostavam mesmo do que estavam a fazer. Foi a consola dos 8 aos 80.

E agora?

Nasce a Wii U, com o objectivo de… introduzir os jogos àqueles que nunca jogaram antes. Outra vez. E com o mesmo nome, mas com uma letrinha à frente. Que brincadeira é esta? É a Wii U: um insucesso de brincadeira. A Nintendo tentou repetir a receita, não percebendo que os seus clientes já estão servidos. É como se eu estivesse num restaurante, pronto a pagar a conta, quando me perguntam se quero azeitonas e pão com manteiga. “Não, obrigado, estou bem assim.” E fá-lo com um produto que faz o mesmo que as consolas concorrentes da primeira Wii, que foram agora substituídas (Xbox 360 e PS3). Se as pessoas não tinham uma dessas duas, era porque não estavam interessadas. Quem tem uma Wii e não liga muito a jogos não precisa de outra, que faz, para elas, exactamente o mesmo. E essa tem sido uma mensagem difícil de transmitir à Nintendo.

Nintendo Hosts Wii U Experience In New York City

Hmmmmm. Passo!

Mas o que pode fazer ela agora? Muitos defendem que, como é um fracasso de tal ordem, esta deve abandonar o fabrico de consolas e dedicar-se apenas à produção de jogos. Meus amigos, a Nintendo tem tanto dinheiro, que podia tirar umas férias desta recente geração (bem merece). E não nos podemos esquecer que esta tem dominado por completo o mercado das consolas portáteis. A única concorrente tem sido a Sony que, com algumas más decisões, mais parece estar a imitar a Nintendo com a Wii U.
Podia aproveitar essas férias para relaxar, refrescar as ideias e voltar com algo genial, como tão bem sabem fazer. Porque a Wii U não é um fracasso. Só não vende tanto como a Wii, pelas razões que expliquei atrás. A Nintendo podia agora voltar a fazer consolas para aqueles que gostam mesmo delas, para os verdadeiros fãs. Os outros continuam com a Wii, provavelmente com um único jogo, o Wii Sports, debaixo da televisão a ganhar pó.

Já que a Wii criou a sua própria geração – digo isto porque foi tão diferente das concorrentes, que o mercado era outro – a “Big N” podia ter aproveitado para, diz o Fox, seguir dois caminhos diferentes: criava uma nova consola, para os fãs, os que querem um Zelda, um Mario, ou outro dos grandes jogos da Nintendo, mas com poder técnico actual, para competir [novamente] com as outras duas consolas e, outra hipótese, continuava a linhagem da Wii, não com uma nova consola, mas com uma linha de produtos que se soltasse do formato preso que é uma consola e fosse parar a outros horizontes, mais em voga, de acesso imediato, como os telemóveis, os tablets, as redes sociais, etc. A Nintendo está a perder novamente o comboio, depois de ter andado de TGV durante quase 10 anos.

O que acham que a Nintendo devia fazer?

 

O que diz o Fox? é uma rubrica semanal de opinião idealizada e escrita pelo membro da comunidade FoxRS. Os temas semanais são livres e podem mudar entre cada artigo. Podem sugerir temas e comentar em baixo.

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