No More Heroes 3 – Análise

Depois de umas semanas a estilhaçar inimigos com Travis, sinto-me confiante para falar desta pedra, quer dizer pérola… de uma franquia da Nintendo Wii, de momento, no seu 4º jogo com No More Heroes 3 exclusivo da Nintendo Switch, desenvolvido pela Grasshopper Manufacture.

Entrei na viagem da emoção pela sua estreia e, com No More Heroes 3, até comprei outros jogos para a mesma plataforma, porque também já esperava que o jogo não fosse muito além das 10h de história.

Não joguei os primeiros, nem o “não spin-off” Travis Strikes Again: No More Heroes. A Wii não me puxou interesse, mas fruto das comunidades e do marketing da Nintendo, fiquei intrigado por ver um jogo +18 para a Switch. Um colega mostrou-me os primeiros minutos de No More Heroes 2: Desperate Struggle e… pronto. Ri-me. Achei piada. Comprei.

O género Hack and Slash assusta-me. Hoje em dia, os jogos mais famosos desta bolha são todos extrapolados de sexualidade sem nexo, gratuita, exagerada e sem envolvência no conto. NMH, têm isto tudo, mas a envolvência neste mundo de Santa Destroy é puramente extrapolar o ridículo. Podemos ver isto tudo como uma crítica, como uma sátira. Engulo mais facilmente este tipo de conteúdo que desde logo não se quer apresentar como sério.

Diria que este jogo acabou por alimentar vários lados da minha personalidade. Mesmo quando o jogo não se leva a sério, toca em alguns conceitos que eu adorei ver esquematizados. O diálogo não é profundo, mais uma vez, nem é suposto, mas toca em algo que nós já sabemos e atira-nos à cara como o óbvio que é. Se enjoei a maneira como em alguns jogos as histórias levavam sempre ao mesmo pretexto, NMH3 não pretende ter a mesma profundidade, mas a maneira de apresentar o cerne da questão, logo desde o início, e levar-nos daí ao passado de cada personagem do jogo foi refrescante.

Suda 51 (uma brincadeira com o seu nome Goichi), desde o primeiro jogo em 2007 que nos apresentou as suas influências. Travis – seria o protagonista inspirado em Johnny Knoxville de Jackass e desde o seu jogo antecessor Killer7 que planeava manter o aspeto mais rude e violento em No More Heroes. Para os mais bravos, também é possível ver a inspiração na cinemática de El Topo.

 

A nível de jogos, diria que NMH é um misto da comédia frontal e crítica social de GTA com algo do género de Dynasty Warriors. Suda 51 aproveita todos os momentos para mostrar as influências nipónicas no jogo, tal como as camadas de personalidade que Travis nos apresenta. Travis é um otaku, encontra-se sempre com referências a animes e jogos, mas também é um assassino. A diretiva é parva, mas é refrescante experienciar algo apenas pelo o que é.

É-me difícil criticar algo em que os defeitos, são algo que propositados. Não obstante, NMH3 continua a envergar o cenário dos outros jogos, ainda assim se retirar essa desculpa, é verdade que o mundo aberto parece demasiado inútil e vazio. Adoro as missões secundárias mundanas, mas os desenvolvedores, podiam ter dedicado um pouco mais de tempo a detalhar melhor as 5 localizações diferentes. Um pouco de mais referências, ou se algo limitante, cortar a dimensão dos espaços, não se perdia muito. Entendo que acaba por ser um piscar de olho aos primeiros jogos de mundo livre, mas tudo o que é demais enjoa e o mundo fica facilmente sem personalidade, ao contrário do resto do jogo.

Chega de paleio, a jogabilidade é gratificante e a dificuldade justa. Temos uns 10 inimigos diferentes, cada um com a sua mecânica, contudo, o brilho vai para as batalhas pelo lugar número 1 intergalático. Óbvio que todas diferentes, com padrões diferentes, mas o que importa e onde se nota o brilhantismo vai mesmo para a contínua aposta em não ser um jogo sério, com umas escolhas de design de batalha espantosas. É-me difícil não estragar o conteúdo do jogo, ainda assim, posso dizer que, comprem o jogo, ou não, aconselho a verem algumas das lutas. Como já disse, a jogabilidade é mesmo gratificante e todo o cenário que envolva luta, sente-se mesmo que foi para isto que o jogo foi feito, são lutas de alta velocidade e todas elas limadas do melhor jeito.

Em suma, um jogo espetacular para passar umas 10-15 horas mais coisa, menos coisa. Muitas referências de cultura japonesa, quer seja animes, jogos ou cinema. Referências de culto através de franquias como James Bond, Star Wars, Marvel, Batman, Daemon x Machina, The Legend of Zelda, Final Fantasy etc… Sentimo-nos bem a manejar a katana e a desfazer inimigos, um jogo tão simples e belo quanto isso. É de lamentar a falta de investimento no mundo fora das missões e fora das batalhas.

  Pontos positivos:

  • Estética com atitude própria
  • Simplicidade de jogabilidade
  • Dificuldade controlada
  • Jogo fácil de apreciar

 Pontos negativos:

  • Alguns bugs de imagem
  • Queda de frames do mundo exterior
  • Algumas missões tornam-se repetitivas
  • História e passados algo desconexos

André Miranda
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