Jogos esquecidos: Dragon Crystal

Ainda a coisa das consolas portáteis estava efectivamente a ganhar tracção, já havia vontade nestas pequenas caixas de trazer experiências de topo para as pequenas plataformas portáteis.

Em era em que o Game Boy estava a dominar e a ser quase rei e senhor, recordo-me de haver sempre a guerra de consolas e companhias. Na altura, até dentro da família, o que me levou a pedir o Game Boy como prenda e o meu irmão (que fazia anos um mês depois), a pedir uma Game Gear.

De um momento para o outro, tinha acesso a dois universos distintos nas minhas mãos e embora só pudesse usar livremente a Game Gear quando o meu irmão deixava, não tardou a que tivesse acesso a cada vez mais sessões à medida que ele queria jogar outras coisas.

Entre os vários jogos que ele tinha para a Game Gear que mereciam todos ser falados como jogos esquecidos, havia um em especial que se iria transformar num dos meus primeiros RPG sem que desse por isso.

Dragon Crystal foi lançado para a Game Gear e Master System na Europa em 1991 e o sistema do jogo era bastante simples. Este era um RPG Roguelike onde cada vez que se morria, o jogo começava do zero outra vez com tudo no mundo mudado de forma aleatória. A nossa personagem começava no seu estado mais básico com um ovo agarrado às costas de onde ia chocando um dragão.

Dragon Crystal era tudo menos simples e era muito fácil entrar em campanhas onde tudo corria bem até o jogo nos atirar para uma arena repleta de inimigos muito mais fortes, para mundos onde tudo era muito mais poderoso ou pior ainda, mundos sem porta de saída.

Dragon Crystal funciona como um RPG com a personagem a precisar de comida para não morrer de fome, a equipar espadas e armaduras para ficar mais forte e apanhar livros e poçoes que faziam coisas boas, más ou totalmente aleatórias.

O charme de Dragon Crystal tinha a ver com a sua exploração. Ao iniciar, as árvores, cactos ou outras coisas servem como “nevoeiro” que tapa corredores e salas e só explorando é que se descobria a saída e como continuar a campanha. Este sentimento de exploração era exímio e explorar todo o mapa antes de seguir para o próximo dá sempre uma sensação de dever cumprido.

Além do mais, o jogo pode ser quase infinito e isso é algo que nos anos 90 para crianças como eu era do melhor que podia haver para que um jogo fosse compensar o preço gasto nele. Dragon Crystal era um desses jogos sem dúvida.

Segundo descobri ao ler um bocado sobre ele, afinal o jogo não foi totalmente esquecido, tendo recebido uma versão na Virtual Console da Nintendo 3DS em 2012. Fico contente que muitos o possam ter conhecido desta forma.

No fundo, uma das grandes forças de Dragon Crystal e o porquê de gostar tanto dele é porque tinha quase todos os elementos que iria começar a gostar na maioria dos videojogos do género, mesmo que o roguelike tivesse caído um pouco pelo caminho.

Recomendo vivamente que experimentem Dragon Crystal se tiverem essa hipótese. É um jogo extremamente actual e com mecânicas que ainda hoje funcionam bastante bem. Para isso nem precisam de descarregar nada, basta aceder ao Internet Archive aqui e aceder ao jogo.

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