Final Fantasy vs Dragon Quest, qual deles é o mais importante?

O mundo dos RPGs explodiu e evoluiu para inúmeros sub-géneros no final dos anos 80 sejam RPGs de acção, por turnos, estratégicos ou até os muito conhecidos roguelikes. Ainda hoje em dia vemos o género mutar e absorver outro tipo de jogos como os MMO ou os FPS e fica por se saber quando é que esta mutação irá parar mas uma coisa é certa, os RPGs estão aqui para ficar.

Hoje em dia em temos imensos nomes que ajudaram o género de várias formas, mas existe um que constantemente se destaca acima de quase todos, Final Fantasy. Lançado pela Squaresoft em Dezembro de 1987 e Hironobu Sakaguchi, a história deste jogo é das mais badaladas de sempre e muito conhecida, sendo esta marca uma das responsáveis máximas pela popularização e massificação dos RPGs orientais e por pegar em tudo o que os dois primeiros Dragon Quest haviam feito e melhorou exponencialmente.

Final Fantasy é um jogo que merece todo o mérito do mundo e a série criou alguns dos jogos mais impactantes de sempre, mas será que Final Fantasy está sozinho no topo do monte como um nome ímpar? Eu acredito que não, e é por isso que digo que uma série lançada um ano antes foi tão ou mais importante em popularizar os RPGs na sua altura, Dragon Quest.

Este tipo de comparações podem ser feitas entre Dragon Quest e outros jogos, mas decidi focar-me nestes dois por serem tão importantes. Sendo assim, vamos por partes e vou tentar referir todos os pontos de Dragon Quest que foi lançado em Maio de 1986 e Dragon Quest 2 de Janeiro de 1987 que foram importantes para a criação de Final Fantasy.

Jogabilidade:

No que toca a jogabilidade, eu acho que Dragon Quest foi um dos primeiros a conseguir condensar todos os elementos de exploração, combate e gestão da personagem de uma maneira mais simples.

O sistema de combate por turnos ficou ainda mais assente e imortalizado com o lançamento deste jogo. Com os inimigos no ecrã, vamos escolher as nossas acções que podem variar entre atacar, fugir, usar magias ou items. Dragon Quest apostou numa estética mais simples e com menos texto possível ao contrário de jogos como Wizardry mas sem parecer demasiado simples ou corrido como a série Ultima. Basicamente todas as informações necessárias e essenciais para o combate estavam presentes.

A exploração neste primeiro Dragon Quest é feito de uma maneira simples mas a meu ver tem certos elementos interessantes para a altura. Sem dúvida que o mapa não é o maior de todos, mas para distinguir a dificuldade da região e força dos inimigos temos uma ponte que separa cada uma dessas regiões. Ao atravessarmos a ponte sabemos que estamos a chegar a uma zona com monstros mais difíceis e outras personagens para conhecer.

Apresentação:

Toda a apresentação no geral foi inspirada nos dois primeiros títulos da série Dragon Quest, com uma visão aérea do mapa e zonas como florestas, montanhas, rios e até zonas desertas são fáceis de identificar e estão bem detalhadas. Temos em frente um jogo mais colorido e detalhado do que os clássicos lançados anteriormente. As entradas para as cidades, masmorras ou até castelo estão bastante elucidativas com imagens específicas ou até buracos que mostram entradas para zonas mais confinadas.

A banda sonora é também muito importante para Dragon Quest e tal como acontece em outros jogos, acabou por se tornar num complemento importante para destacar o ambiente e todo o sentimento da situação em questão. Outro elemento genial é a música usada nas masmorras, onde apesar de ser em mesma em todas, a dificuldade da mesma é notória na lentidão e notas mais graves que usam. Nas masmorras finais do jogo, a música é extremamente lenta e mais pesada, dando um efeito de perigo bem conseguido.

Sistema de Party:

Ao contrário do que aconteceu em Dragon Quest, Dragon Quest 2 introduz o sistema de Party onde controlamos 3 personagens. Apesar de não existir um sistema de classes que seja propriamente moldado e ajustado, cada uma das personagens tem as suas capacidades e fraquezas, como é o caso da incapacidade de invocar magia do protagonista que compensa com a sua força física, ao contrário da Princesa de Moonbroke que tem uma capacidade incrível para a magia mas é mais frágil fisicamente.

Dragon Quest 2 - 1987

Dragon Quest não inventou nem revolucionou este sistema, mas a maneira como o abordou e incorporou no jogo, conseguiu sem dúvida servir como inspiração para Final Fantasy que acabou por fazer melhor no seu primeiro jogo.

Conclusão:

Apesar de Final Fantasy ter catapultado o género para outros patamares com títulos de excelente qualidade, a série Dragon Quest acaba por ser uma das opções mais secundárias no que toca a RPGs hoje em dia. O que Yuji Horii acabou por fazer foi pegar na seriedade e profundidade de um género visto como difícil de entender e conseguiu populariza-lo de uma maneira fantástica. No Oriente ainda continua a bater recordes de vendas, tem uma recepção excelente e por mérito próprio.

Se existe algo que não podemos acusar esta série é de não ser consistente, porque com o passar do tempo muitos dos jogos parecem semelhantes e isto graças ao trabalho feito para manterem e melhorarem certos ingredientes específicos que nunca foram removidos, e isto graças às histórias e personagens que vamos conhecendo em cada um dos jogos.

Mesmo assim, é tudo uma questão de preferência e de opinião pessoal. Consigo conviver muito bem com as duas séries e cada uma delas é extremamente importante para mim e por diferentes razões. Os que não conseguem deixar a estética antiga e com uma vibe medieval poderá hoje em dia estar mais inclinado para a série Dragon Quest, enquanto que os que quiserem um jogo com um tema mais moderno poderão apostar em Final Fantasy.

Com praticamente toda a série disponível no Ocidente com a excepção de Dragon Quest X, o MMORPG que foi lançado exclusivamente no Japão, temos em mãos a oportunidade de experimentar esta série de excelente qualidade. Hoje em dia temos Dragon Quest XI e Final Fantasy XV disponível para várias plataformas .

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