Assassin’s Creed 3 Liberation

A ideia de ter um Assassin’s Creed idêntico ao que pode ser encontrado nas consolas e PC sempre foi uma coisa que os fãs e a Ubisoft desejaram. Porém, as experiências realizadas até hoje ficaram muito aquém de algo digno da saga.

Com o lançamento da PS Vita, a série foi novamente a exame, do qual resultou Assassin’s Creed 3 Liberation. Será que é desta que podemos ser um assassino em qualquer lado sem temer as limitações impostas por uma máquina portátil?

Assassin’s Creed 3 Liberation conta a história de Aveline, a filha de uma escrava libertada. Ao perder a sua mãe, a protagonista é adoptada por uma família que lhe dá todo o ensino necessário para ser uma defensora da liberdade, o que a leva a tornar-se numa assassina, as coisas avançaram depressa demais?
A história de Aveline não é a melhor da saga e devia ter sido contada de uma forma mais calma e cuidada. O jogo leva-nos a concluir várias missões e a assistir a vários diálogos, mas poucos deles fazem sentido ou parecem bem escritos. A exposição também não é a melhor o que faz com que o jogador se sinta algo desligado daqueles que rodeiam Aveline.

Como a assassina não está visivelmente ligada a um Animus e não vemos quem está a reviver as duas memórias, a empatia com a heroína tarda em crescer e quando acontece, faz com que algumas acções realizadas no passado pareçam fora de contexto, porque é que Aveline começa o jogo como uma Assassina? Porque é que está tão interessada em ajudar com os negócios do pai? E porque razão é que a família ainda não percebeu a verdadeira natureza das acções da filha?
A ausência de um verdadeiro vilão a início também acaba por prejudicar a vontade de continuar.

O que incentiva realmente a jogar Assassin’s Creed 3 Liberation é a sua liberdade de movimento e exploração bem ao estilo dos restantes Assassin’s Creed. Podem subir paredes, trepar casas e até mesmo utilizar as árvores e os ramos para fazer caminho, algo que só foi introduzido em Assassin’s Creed 3. A movimentação de Aveline é fluída e credível, mesmo com a quantidade de quebras de fluidez de que o jogo é alvo quando se movimentam muito depressa entre os telhados das casas.

Claro que a equipa de desenvolvimento tinha de por um travão na diversão e assim foram criadas as Personas de Aveline, três fatos que precisam de vestir, o de Assassin com o qual podem usar todas as habilidades letais, trepar e correr por todo o lado, o de Escrava que permite misturar com outros trabalhadores, mas que limita algumas habilidades ofensivas, e o Lady, a ovelha negra dos três, o qual impede que trepem, corram depressa, ataquem, mas permite que ganhem a confiança de guardas e possam criar conflitos entre a população.

Esta ideia seria boa se não fosse tão limitadora e como cada uma ganha estatuto de notoriedade, por vezes é complicado realizar uma missão após cometer um erro que coloca todos os inimigos a atacar Aveline mal esta cruza a sua linha de visão. Se juntarem a isto o facto de estarem a usar a Lady Persona, então vão sentir-se extremamente limitados e oprimidos.

Tirando isso, vão poder explorar uma boa porção de New Orleans e os Bayous (zonas pantanais) da região de forma aberta e francamente satisfatória para uma plataforma portátil. Os pontos altos de sincronização estão de volta e permitem que o mapa seja revelado no vosso radar. É uma pena que não sejam iniciadas muitas actividades secundárias para tornar a exploração numa coisa mais satisfatória.

Alguns vão lamentar a ausência de um modo online ao estilo de Assassin’s Creed 3, mas não sendo grande fã, também não senti muito a sua ausência, porém, a alternativa, um sistema de dominância assente em controlo de regiões e utilização de unidades com tempos de recuperação também não me pareceu altamente apelativo ou viciante. Aqui escolhem a facção (assassinos ou templários) e competem contra outros jogadores num sistema de combate por turnos ao estilo dos jogos de Facebook, nade de especial, mas que não deixa de ser uma boa adição.

Visualmente Assassin’s Creed 3 Liberation não é realmente agradável à vista, mas era complicado pedir mais de um jogo em mundo aberto tão vasto e detalhado como este. Visto ao longe é interessante e ao perto é bastante feio, mas são penalizações compreensíveis tendo em conta todos os pormenores, personagens e objectos que enchem os mapas.

Sonoramente, a música está ao nível da série e as suas composições são interessantes, mesmo aquelas que podem ouvir na zona do Baiyou. As vozes foram criadas a pensar na zona de New Orleans da época, por isso podem contar com sotaques carregados e muito francês à mistura. Alguns parecem demasiado caricaturados e outros soam a enlatado (talvez por culpa da Vita?), mas no geral é positivo.

Assassin’s Creed 3 Liberation é um misto entre pontos altos e baixos, a história podia e devia ter sido mais bem contada, podia haver mais para fazer no mapa mundo, a fluidez devia estar bem melhor e o visual podia estar mais cuidado, mas quando as coisas correm bem, explorar New Orleans consegue ser um clone “mais feio” dos outros jogos da saga. Se não gostam de Assassin’s Creed, este não é o jogo que vos vai trazer para a série. Para os fãs, este é o melhor jogo da série lançado numa portátil até hoje.

Positvo:

  • A experiência de Assassin’s Creed foi bem implementada
  • Combate e exploração funcionam tão bem como nas outras plataformas
  • Animações de Aveline estão bem conseguidas

Negativo:

  • História pouco explorada e mal explicada
  • Podiam ter sido criados mais objectivos secundários
  • Lady Persona
  • Quebras de fluidez
  • Os típicos bugs de Assassin’s Creed estão de volta

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram