Análise – Animal Crossing: New Leaf

Por muitos jogos recheados de acção, explosões e tiros que continuem a ser lançados, existe sempre espaço e vontade na indústria para avançar na direcção oposta.

Animal Crossing é uma das séries que troca as pistolas pela cana de pesca, as granadas pelo regador e a guerra pela vida pacata no campo.

Embora pareça uma temática aborrecida, Animal Crossing: New Leaf faz regressar o género de RPG e gestão ao activo, mantendo a complexidade e exigência a que a franquia já nos habituou.

Animal Crossing: New Leaf introduz o jogador a um nova aldeia (que pode ter o nome e formato que quiserem), uma série de personagens “amorosas” e uma dose de actividades altamente banais. Tudo isto pode parecer simples, mas está muito longe de o ser.

Ao que parece, o verdadeiro presidente da câmara da vossa cidade resolve tirar férias de longa duração e deixa a responsabilidade da construção e manutenção da aldeia para a vossa personagem. Assim sendo, vão começar logo por ter de recolher fundos para pagar pela vossa própria casa e muito mais dinheiro para começar a criar infraestruturas de utilidade pública para a vossa aldeia, assim como eventos ou reflorestação.

A início, as actividades passam por coisas simples como recolher fruta ou conchas para vender e ganhar uns trocos. Mais tarde, com ferramentas mais fortes como pás, fisgas, camaroeiros e canas de pesca, é que o dinheiro começa a aparecer em boa quantidade para começar a investir.

Embora o dinheiro seja um dos centros de atenção de Animal Crossing: New Leaf, o altruísmo é um dos pontos fortes do jogo. Em alguns casos podem escolher se preferem vender ou doar objectos ao museu da cidade, dar objectos aos vizinhos e até fazer entregas de encomendas através de favores. São tarefas recorrentes e embora percam de um lado, acabam por beneficiar de uma forma ou outra.

A jogabilidade de Animal Crossing: New Leaf é bastante simples, com uma vista área sobre o mapa que vai revelando mais área à medida que caminham. Em certas zonas é possível rodar a câmara para ter uma visão melhor sobre o cenário, mas na maioria dos locais, a câmara mantem a mesma posição fixa.

O maior desafio do jogo está ligado à gestão dos recursos e espaço disponível na mala da personagem. Há que saber o que recolher para ganhar mais dinheiro e como agrupar os materiais apanhados de forma a realizar o mínimo de viagens possível e poder realizar mais actividades.

A vossa aldeia oferece uma série de actividades e é interessante ver como toda a evolução da aldeia está programada para acontecer e a forma como podem incentivar o desenvolvimento ou não. Quanto mais fazem, mais habitantes começam a chegar e quanto mais jogam, mais lojas começam a abrir na rua principal e mais zonas extra além da aldeia podem visitar.

Falando em visitar zonas extra, Animal Crossing: New Leaf tenta aproveitar as capacidades wireless e online da Nintendo 3DS para oferecer algumas ferramentas de jogo para um ou mais jogadores.

Existem formas de poder visitar o mundo de amigos ou de pessoas que encontram através de Street Pass, convidar pessoas para visitar o vosso mundo e explorar a cidade que construiram e até organizar vários mini-jogos com vários jogadores.

Há que dizer que este sistema multijogador funciona bastante bem, tirando proveito da curiosidade latente dos seres humanos para querer bisbilhotar o que outros jogadores fizeram nas suas aldeias, ou interagir simplesmente. Para comunicar, podem usar um sistema de escrita em teclado digital e só é pena que não seja possível usar o microfone da consola.

Apesar do seu visual mais infantil e adorável, Animal Crossing: New Leaf ainda consegue oferecer um mundo visualmente apelativo e colorido. as personagens e cenários tem o típico contorno arredondado da Nintendo e a fluidez mantêm-se quase sempre estável.

O trabalho feito em redor de grande parte dos pormenores é onde o jogo se destaca, com centenas de objectos, mobílias, elementos decorativos, roupas, objectos extra que podem ser usados em várias situações, ciclo dia/noite e mudança de estações (embora não tenha tido tempo para ver estas passagens). Resumindo, pode não ser do melhor, mas cumpre bem a sua função.

A música faz bem o seu papel, com um tom calmo e harmonioso bastante agradável que vai alterando ao longo do ciclo dia/noite. As falas podem ser um tanto ou quanto irritantes, mas é uma questão de paciência e disponibilidade para aceitar algumas características próprias do conceito do jogo.

Animal Crossing: New Leaf é incrivelmente completo e viciante, mas não é um jogo que possa recomendar a todos. Este é um daquele jogos em que podem gastar vários meses da vossa vida sem ficarem exaustos, pois o jogo foi criado nesse sentido.

Se gostam de RPGs de gestão onde a paciência e a dedicação são imperativos, então Animal Crossing: New Leaf é o jogo ideal para vocês e um grande motivo para regressar à Nintendo 3DS todos os dias.

Positvo:

  • Centenas de horas de jogo
  • Várias actividades para realizar com acontecimentos novos todos os dias
  • Podem decidir a evolução da aldeia
  • Modos multijogador bem concebidos

Negativo:

  • Bastante limitado nas primeiras horas
  • Início confuso para quem nunca jogou a série
  • Não é um jogo para todos

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LFO

The Villager x) Badass!!!

jonest7

Daniel, quais foram os 3 melhores jogos que já jogaste na 3DS, porquê?

Nirvanes

É muito Sim para mim… mas gostava muito de poder jogar emprestado ou assim!

Majinalex

Gostei bastante..tou farto de jogar jogos de gestao que para evoluir precisamos dos amigos.

Silver4000

é temàtica que me interessa, mas dependendo do jogo, farto-me imediatamente…
Este parece ser outro caso, é interessante, mas tenho a sensação de que me iria fartar em pouco tempo.

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