Análise – Watchmen T1

A HBO recebeu bastante reconhecimento com Game Of Thrones, e desde então o canal tem-se mostrado interessado em entregar novas produções, inspiradas em obras homologas, de qualidade, como é o caso de Watchmen. Embora Watchmen já tenha tido uma adaptação cinematográfica com o mesmo nome, em 2009, pelas mãos de Zack Snyder, a versão da HBO, não pretende recontar os acontecimentos da banda desenhada de Alan Moore, mas pelo contrário, dar-lhe uma continuação.

De forma sucinta, Watchmen de 1986, abordava uma visão alternativa da história do século XX, no período da Guerra Fria, aquando do conflito entre União Soviética e EUA. Período este também marcado, pela presença de vigilantes, como é o caso dos Minutemen, que mais tarde, numa formação seguinte, se iriam passar a chamar Watchmen. Os integrantes deste grupo, eram as personagens principais da história e aquelas que moviam a acção, dos quais faziam parte, Silk Sepctre, Rorschach, Dr. Manhattan, Ozymandias, entre outros.

Seguindo estes acontecimentos, a série sob a direção de Damon Lindelof, passa-se 34 anos após a obra original ter sido concluída. Algumas personagens retornam ao epicentro da narrativa, como é o caso de Laurie Blake (Jean Smart) também conhecida como Silk Spectre, que agora deixou os seus anos de vigilante para se tornar uma agente do FBI,  e de Adrian Veidt (Jeremy Irons) também conhecido como Ozymandias, que misteriosamente é dado como morto no início da série, mas que vive isolado por razões aparentemente desconhecidas. Contudo, a série aposta bastante na apresentação de novas personagens, como é o caso de Angela Abar (Regina King), um membro da polícia da cidade de Tulsa em Oklahoma.

Nesta cidade é onde se vai passar grande parte da acção. No presente, um grupo terrorista de supremacia branca, chamado The Seventh Kavalry, inspirado pelo diário de Rorschach, pretende impor a sua forma de justiça em Tusla, contudo entra em confronto directo com a força policial, chefiada por  Judd Crawford (Don Johnson), com a ajuda de Angela e de Looking Glass (Tim Blake). Devido aos eventos da primeira obra, as forças de autoridade são obrigadas a usar máscara, de forma a proteger a sua real identidade e as suas pessoas mais próximas.

O enredo da série gira em torno, do misterioso assassinato de uma das personagens enquanto Angela tenta desvendar a verdade por detrás deste, ao mesmo tempo, que revela uma conspiração antiga, que une todas as restantes narrativas secundárias da série. Há semelhança da obra original, esta foca determinados episódios na história de cada personagem, desmistificando o seu papel no plano geral da narrativa e as suas motivações. Tal elemento que contribui muito para enaltecer a qualidade da série, e o seu teor de originalidade. Por sua vez, a série aborda temas como o preconceito e o racismo, de forma explícita e dura, sem tabus. Uma vez que toda a história está interconectada no presente com o passado do primeiro vigilante deste universo, o Hooded Justice (Jovan Adepo).

Voltanto às personagens que retornam, vale ressalvar aqui, a contribuição da HBO que colocou com mestria o actor certo para cada personagem, refiro-me em especial a Jeremy Irons como Adrian Veidt, que com o seu sentido de humor sarcástico e perspicaz, consegue entregar uma personagem que, a meu ver, ultrapassa a excelência da obra original.

No geral, Watchmen é bem sucedido em continuar a narrativa da obra inicial, sem receio de expandir o seu universo com novos personagens e com novos elementos narrativos, sem perder a sua essência principal, que lhe dá o toque de originalidade. Contudo, só recomendo a série, a quem está familiarizado com a obra de original, pois sem esta base, torna-se difícil perceber alguns elementos que a mesma retrata.

Positivo:

  • Continua com sucesso os eventos da obra que lhe antecede;
  • Enredo;
  • Sountrack primorosa;
  • Retorno de personagens veteranas e introdução de novas;
  • Abordagem de temas pertinentes;
  • Visuais das diferentes épocas bem trabalhados;

Negativo:

  • Alguns efeitos especiais deixam um pouco a desejar;

 

 

João Luzio
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