Análise – Turbo: Super Stunt Squad

Quando o filme de animação Cars foi lançado, a vasta maioria de jogos associados à marca foram jogos de corridas. Lógico? Claro que sim, afinal estamos a falar de um filme com carros que competem em mega eventos de condução. Então em algo como Turbo, um jogo de caracóis super velozes que correm na mítica pista de Indianapolis, não há muito por onde fugir. Certo?

Como estava enganado. Ao colocar o disco na consola e iniciar Turbo: Super Stunt Squad, não queria acreditar no que estava a jogar, pois um jogo que devia ser de corridas é na realidade um Tony Hawk com caracóis. Faz sentido não é?

Turbo: Super Stunt Squad vai retirar ao filme apenas as personagens e inspiração para os seus cenários, como a loja e pátio dos Dos Bros Tacos e a oficina Paz’s Autobody. A ideia de inspiração é mais do que gritante, pois estes cenários foram transformados em verdadeiros skateparks, recheados de half-pipes, corrimões, plataformas, entre outros objectos típicos de um jogo de skate.

O mais hilariante é que Turbo e os seus amigos funcionam exactamente como mestres do Skate, conseguindo fazer grabs e flips no ar, grinds (aqui com o nome slide para “disfarçar”), entre outras habilidades dignas de Tony Hawk ou Rodney Mullen (dos meus skaters profissionais favoritos). Apesar de todo o surrealismo envolvente, as físicas de jogo são mais pesadas do que em Tony Hawk, o que dá pouca altura para as manobras em Vert.

Outro grande problema é o design do jogo que está realmente mal concretizado. Cada uma das seis áreas tem várias dezenas de objectivos, mas a forma de os realizar é dificultada por três elementos importantes, a pouca visibilidade oferecida pela câmara, a forma como as missões estão espalhadas pelo cenário em locais de difícil acesso e por fim, a jogabilidade realmente inconsistente, recheada de quebras de fluidez e problemas relacionados com a detecção de colisão.

Escolher entre as varias personagens é quase indiferente e só é incentivado pelos troféus/achievements do jogo. Na maioria dos casos, para desbloquear os níveis, precisei apenas de fazer Nosies ou Manuals com multiplicadores para criar grandes combos de pontos. Existe muto para fazer, mas desbloqueiam tudo muito depressa. Além do mais as missões por pontos eram as mais acessíveis pois além destas e do apanhar de letras, 70% dos objectivos são realmente um teste à paciência dada a sua dificuldade e jogabilidade. Acreditem, eu completei quase todos os desafios em cada Tony Hawk que joguei e aqui nem conseguia descobrir a melhor forma de chegar a um objectivo no topo do cenário sem cair milhares de vezes ou por um timming falhado ou por uma falha no tempo de resposta.

Visualmente, logo a partir do primeiro momento é notório que Turbo: Super Stunt Squad falha neste departamento, desde as letras dos créditos iniciais, passando pelos caracóis e os cenários vazios e pouco trabalhados, por vezes existem por cá boas ideias, mas a concepção é bastante…meh. Faz lembrar os jogos de Tony Hawk da geração 32 bits onde havia limitações lógicas de hardware que impediam uma maior variedade.

A música também não é a melhor e é extremamente limitada com 5 músicas realmente básicas que se repetem constantemente ao longo de cada tentativa. As vozes também não são as oficiais do filme e está cheia de “Hommies” a falar com gíria do Ghetto, com frases que se repetem de forma interminável.

Turbo: Super Stunt Squad não é terrível e é jogável, mas não deixa de ser uma cópia muito mal feita de Tony Hawk num jogo que engana claramente a audiência e o público alvo, ou seja, os mais novos, os quais vão ficar confusos com um jogo de acrobacias que devia ser corridas e aborrecidos com missões terrivelmente difíceis.

Positivo:

  • Podem jogar com os caracoís do filme
  • Vários desafios para fazer
Negativo:
  • Um clone mal feito de Tony Hawk
  • Jogabilidade inconsistente
  • Problemas de câmara
  • Objectivos bastante dificeis
  • Visual da geração anterior
  • Música e vozes fracas
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