Análise – Trillion: God of Destruction

Talvez lembram-se de quando analisei Lost Dimension, de referir escolhas e mortes de personagens causadas por nós. E de como gostava de ser bonzinho e ter o final feliz com todos vivos.

Foi-me então entregue Trillion: God of Destruction, um jogo que me era desconhecido. E durante a breve pesquisa que fiz, fiquei a saber que o boss do jogo tem um trilião de vida (1.000.000.000.000). E que o mundo do jogo estava divido em cerca de 6 andares ou algo parecido.

Iniciei o jogo, vi a cinemática de abertura, e reparei que as personagens apresentadas representavam os 7 pecados mortais, até aqui tudo bem. Nos primeiros minutos do jogo fico a conhecer o Great Overlord (Satan por outras palavras), Zeablos, ex-Overlord da fúria. Que tem a sua paz perturbada quando o Deus da Destruição, Trillion, começa a atacar o submundo.

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Oh! Afinal estou a jogar com o “diabo”, pensei eu. Que afinal nem é mau, Zeablos preocupa-se com a sua família e súbditos, e até arrisca a sua vida para os defender. Sim, logo no início, apôs ver o seu irmão morrer, Zeablos também morre. Mas é “ressuscitado” de forma temporária, para poder derrotar Trillion.

Mas esta “nova forma” é fraca, e devido a isso, em vez de ser o Great Overlord a lutar, serão os 6 Overlords (uma vez que ainda não existe substituto para Zeablos) a o fazer. E fui apresentado com uma seleção de três personagens, onde tinha de escolher entre Levia, Mammon e Perpell. É claro que antes da escolha tive a oportunidade de ver todas e de conhecer as suas personalidades, e quando vi logo a minha favorita, Levia, para escolha, nem pensei duas vezes.

Fui treinando e passando algum tempo com ela, enquanto ia aprendendo as mecânicas do jogo. Até que chega a primeira batalha contra Trillion. O quão ingénuo fui. De imediato me apercebi que era uma missão impossível e acabei a batalha com a morte de Levia, sendo que fechei o jogo e voltei a abrir, para ter mais uma chance. E desta vez fiz algum dano… mas a vida de Trillion nem aos 999.000.000.000 chegou.

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No entanto, desta vez fiz retreat, e recebi uns dias extra para treinar, à custa de ter algum território destruído por Trillion. Desta vez centrei o meu treino em certos aspectos, e tive como prioridade meter a minha relação com Levia a 100%, pois havia-me apercebido de algo. Ela está destinada a morrer.

Tive o meu segundo encontro com Trillion. Desta vez com um pouco de estratégia consegui fazer mais dano. Mas como apenas existe X vezes para poder fugir, e como não posso deixar Trillion destruir tudo, uma vez que isso garante game over, tive que sacrificar Levia. E foi assim que se iniciou o relógio para esta batalha, ou Trillion destrói tudo, ou todos os meus Overlords morrem. Se não o conseguir derrotar, irei ter game over de qualquer maneira.

Esta abertura pode ter sido um pouco longa, mas basicamente ofereceu um resumo do que Trillion: God of Destruction se trata. Um boss difícil, onde muito provavelmente irão levar com um game over na vossa primeira playthrough.

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Basicamente, Trillion: God of Destruction é uma espécie de jogo de gestão. Temos certo tempo para poder-mos fazer o que nos apetecer com o nosso Overlord, e depois somos obrigados a enfrentar Trillion.

O tempo é contado em dias, e sete dias formam um ciclo (que é o mesmo que uma semana). Durante cada dia podem fazer uma acção, treinar o Overlord numa das várias “arenas”, dormir, arranjar dinheiro ou passar o dia com o Overlord em questão.

Para treinar existem várias categorias, que oferecem experiência, no entanto a experiência não é o XP normal, mas várias categorias como charme, reflexos, etc. Essa experiência pode ser usada tanto para ganhar novas habilidades (e aumentar as mesmas), e também para melhorar os stats da nossa personagem.

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Uma vez que treinar cansa o Overlord, e se dito Overlord estiver demasiado cansado, poderá aleijar-se durante o treino, o que fará com que passe uns dias sem fazer nada. O melhor a fazer é escolher a opção de descansar. Outra opção possível é a de interação com o Overlord, embora apenas tire um pouco do cansaço, mas ao mesmo tempo aumenta o afecto que o Overlord sente por nós.

Treino e descanso de lado, no “menu de escolha”, também é possível comprar itens, melhorar a arma do Overlord, dar presentes ao Overlord, melhorar os stats, e até visitar uma dungeon. Que está apenas disponível quando obtemos 5 medalhas (que são possíveis de obter ao treinar o Overlord), nestas dungeons, para além de ter inimigos, é possível obter itens.

No entanto, se queremos manter esses itens, temos de encontrar a saída antes do número de movimentos/acções chegar a zero. E evitar que o nosso Overlord seja derrotado. Caso contrário não iremos manter nada do que tenhamos encontrado. Ao contrário das outras acções, desde que tenham moedas podem visitar a dungeon quantas vezes quiserem por dia. Algo aconselhável, uma vez que é um bom local para experimentar novas habilidades, e para apanhar bons itens sem ter de os comprar, ou que não estejam para venda.

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Ao fim de cada ciclo (semana), temos um combate de teste contra um inimigo que imita os movimentos de Trillion. E parece-me uma boa altura para finalmente explicar como funciona o combate e as dungeons neste jogo.

Se estão familiares com o gênero dungeon crawler, então nem preciso de explicar mais. Mas para quem não conhece talvez seja melhor ter a série Disgaea como referência. Cada personagem em campo tem um turno para uma acção, movimentar, usar um item, atacar, etc. sendo possível movimentar tanto horizontalmente, como verticalmente e também diagonalmente.

Os ataques de Trillion irão aparecer marcados no campo, com as cores branco, amarelo, laranja e vermelho, sendo que a cor vermelha indica que no turno seguinte Trillion irá atacar. O que permite coordenar as acções do nosso Overlord.

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A início tive um pequeno problema com a movimentação na diagonal, já que para controlar o Overlord é preciso usar D-pad, e não o analógico, mas o problema ficou resolvido assim que passei a mudar o ângulo da câmera. Nas dungeons, uma vez que o nosso Overlord tenha treinado um pouco, não apresentam grande desafio, com todos os inimigos a morrerem apenas com um ataque.

No caso do Trillion, é certo que os seus ataques são poderosos. E quando o enfrentam pela primeira vez irão ter um bom desafio. Por várias vezes consegui explorar um ponto onde o mesmo não atacava durante vários turnos, e foi questão de tanto abusar de um ataque normal ou da habilidade Sonic Speed. O que basicamente é a estratégia para o enfrentar.

Mas existem coisas mais importantes em jogo (ou melhor, em combate), as habilidades passivas. Alguns exemplos das mesmas acabam por ser o aumento do ataque por cada turno passado no mesmo lugar a atacar, ou até o aumento do ataque por cada movimento que o Overlord faça. Ambos demasiado usados por mim. No entanto, em cada caso, caso façam a acção contrária ao dito buff, o valor volta a zero. Algo ainda mais importante são os pontos de afecto, que servem tanto como vida e mp temporário, e que precisa de estar acima de zero para poderem chamar de volta o vosso Overlord caso estejam a enfrentar Trillion.

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Basicamente existem três formas de jogarem Trillion: God of Destruction. Treinar durante o tempo de espera, sem interagir nem oferecer presentes ao Overlord. Coisa que provavelmente irão fazer numa das vossas playthroughs mais tarde. À custa de habilidades que apenas se podem aprender devido aos eventos com os Overlords, bem como de pontos de afecto que poderão ganhar.

Ignorar o treino e passar o tempo todo a interagir com o Overlord, isto certamente irá levar-vos a um game over. Uma vez que não irão ter a experiência necessária para derrotar Trillion. Mas que por outro lado poderá elevar a probabilidade de terem eventos que ainda não tenham obtido, uma vez que os mesmos aparecem de forma random.

A maneira a qual muitos irão jogar, e que penso ser o objectivo da produtora, é uma mistura das duas. Treinar, e ir interagindo com o nosso Overlord. É óbvio que nas primeiras vezes os nossos Overlords irão morrer, mas é por interagirmos com eles que nos vamos ligando às personagens. E que fará com que a perca dos mesmos pese mais.

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Mesmo que optem pelo método de treinar todos os dias, quando chega a altura de gerir a experiência para aumentar os stats, embora aumentasse tudo com uma pequena moderação, acabava sempre por investir mais no ataque e velocidade. Pela simples razão que quanto mais rápidos formos, mais turnos Trillion irá levar para atacar, e em ataque para poder fazer mais dano.

Juntando as habilidades passivas que aumentam o nosso ataque e etc, por cada vez que façamos um ataque sem mover o nosso Overlord, encontrei a solução para enfrentar Trillion e fazer um bom dano ao mesmo. Faz sentido, uma vez que é o mesmo boss durante o jogo todo, mas por vezes fica um pouco monótono.

Não nos podemos esquecer também das Death Skills que são uma habilidade apenas disponível quando o nosso Overlord morre. Oferecendo um número de opções para escolher, selar uma parte do corpo de Trillion, para assim o mesmo não atacar com ela, aumentar o nível de dias para o próximo Overlord poder treinar, etc. As Death Skills acabam por ser importantes já que vem ajudar na batalha contra Trillion.

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A nível de grafismo, a qualidade gráfica é razoável, a única coisa a qual acabei de gostar foi o design dos Overlords, que estão bastante interessantes. Em termos de banda sonora o jogo não impressionou muito. Tornou-se até cansativo ouvir as mesmas músicas vezes sem conta. Embora tenha gostado de quando a música muda para um tom mais grave durante os combates contra Trillion devido aos nossos pontos de afecto estarem perto de terminar.

No final, o objectivo de Trillion: God of Destruction é fazer com que nos afeiçoemos às personagens, para depois as ver partir, e incita ao uso de New Game + para termos a nossa vingança. É uma boa ideia, que acabou por me apanhar desprevenido, mas precisa de ser melhorada para ter mais sucesso e não se tornar tão monótono.

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Positivo:

  • Overlords
  • Necessidade de nos afeiçoarmos às personagens
  • Vários e bons endings
  • Combate bom…

Negativo:

  • …mas mal aproveitado
  • Banda sonora devia ser mais diversificada
  • Vários NG+ tornam-se cansativos
  • Eventos random à base de RNG

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