Análise – Towaga Among Shadows

Towaga: Among Shadows é mais um daqueles jogos que ascendeu do meio mobile para as grandes plataformas do mercado. Ainda assim, e apesar de manter todos os seus elementos intactos, deixa a desejar por muito mais, com esta análise tentarei explicar o porquê. Desenvolvido pela Sunnyside Games, este jogo coloca-nos na pele de um ser místico, capaz de conjurar um poder de luz, o qual usaremos na totalidade do modo de campanha e nos restantes desafios para fazer frente aos inimigos.

Logo há partida o que se destaca mais é a apresentação do jogo. Towaga: Among Shadows faz um bom uso do seu estilo artístico particular para cativar o jogador. Contudo, este aspecto perde o brilho muito rapidamente, levando em conta o reduzido número de cenários em que esta aventura nos coloca, com apenas quatro variações distintas. A história, por oposição, é relativamente simples e directa ao assunto. Aqui a personagem que jogamos, Chimu, tentará proteger o mundo de um ser do void das trevas, que tenciona propagar o seu domínio das sombras pelo resto mundo.

O que vai diretamente ao encontro do gameplay, onde ficamos parados num ponto específico do cenário, e temos de defender a nossa personagem dos vários inimigos das sombras que vão surgindo à nossa volta. A forma como controlamos Chimu, apenas nos permite movimentar o cursor do mouse para atacar os inimigos com um raio de luz, o que dependendo do inimigo podemos ter de manter essa energia mais tempo contra este último. Fora isso, a nossa personagem não pode fazer mais nada, tirando usar uma espécie de buff, limitado por tempo entre cada uso, que nos ajudará, caso muitos inimigos estejam perto, como um raio congelador, uma explosão de luz ou até abrandá-los.

Se as nossas ações de ataque tornam-se demasiado repetitivas, a variedade de inimigos ajuda a compensar. Há mais de dez tipos de criaturas das sombras, uns que são mais resistentes mas lentos, outros que podem voar e ainda alguns que podem invocar mais aliados no combate. Portanto cabe ao jogador escolher a melhor estratégia que se enquadra na situação, capaz de lhe favorecer uma vitória. Cada segmento da história é composto por quarenta e duas fases, cuja longevidade de cada uma pode rondar alguns meros minutos para se completar. Consequentemente, Towaga: Among Shadows torna-se um jogo bastante curto, e rápido de se concluir.

Por outro lado, somando ao modo história, há ainda uma galeria para se observar aquilo que obtivemos no final de cada fase, seja um artwork ou informação acerca de um início, e ainda um modo survival, o qual baseia-se na campanha, mas que aqui temos simplesmente de sobreviver o máximo tempo possível. Ocasionalmente durante a campanha pode surgir uma batalha contra um boss, e apesar de refrescante face à monotonia dos níveis, torna-se também mais do mesmo, levando em conta que este inimigo mais poderoso copia os mesmos ataques dos seus minions. O que no final das contas, não foi assim uma grande adição ao jogo. Chimu pode aprimorar o dano dos seus ataques ou da sua barra de vida, através de um esquema de melhoramento, mas mais uma vez, levando em conta a sua simplicidade, não surte um efeito notório no gameplay.

Por fim, no que diz respeito à jogabilidade, há uma secção específica, que surge por vezes na campanha, que nos permite voar sobre os céus, ao mesmo tempo que tentamo-nos defender dos adversários que vão surgindo ao redor. Em termos técnicos, para além dos gráficos surpreendentes, mais nada se destaca, a banda sonora cumpre o seu trabalho e os controlos são responsáveis. Tirando isso, não há nada a apontar, nem de positivo, nem de negativo, o que acaba também por traduzir aquilo que senti na minha experiência com este título, uma certa neutralidade de sentimentos face a Towaga: Among Shadows.

Towaga: Among Shadows é um jogo que no começo parece prometer algo grandioso, mas essa ideia acaba por desvanecer rapidamente à medida que tudo se torna repetitivo e monótono. Por vezes um jogo simples é capaz de surpreender, mas este não é de todo o caso, tirando somente os gráficos e a tentativa de variação dos desafios. Apenas o consigo recomendar se estiverem à procura de algo para vos entreter em poucos minutos, daí que creio cada vez mais, que este jogo encaixa-se na lógica dos jogos mobile de «experiências acessíveis e rápidas», mas a decisão de trazê-lo para o PC e Nintendo Switch acabou por revelar a fragilidade dos seus componentes e da fraca tentativa de cativar o jogador, para além dos primeiros cinco ou dez minutos de experiência.

Positivo:

  • Encaixa-se, de alguma forma, bem na lógica de jogo mobile;
  • Estilo artístico dos gráficos apelativo;
  • Tentativa de variar os inimigos e os sucessivos desafios;
  • Entretem nos primeiros minutos…

Negativo:

  • …mas rapidamente torna-se monótono e muito repetitivo;
  • Poucas formas de encarar os inimigos;
  • Reduzida densidade de opções de customização de Chimu;
  • Longevidade compromete a experiência;

João Luzio
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