Análise – The Walking Dead: Season 1

WD1

Em forma de preparação para a análise da segunda temporada do jogo de The Walking Dead, chegou a hora de colmatar a ausência da análise à primeira temporada.

Baseado na banda desenhada homónima, The Walking Dead conta a história de um grupo de estranhos que tenta sobreviver num mundo zombie, neste caso walkers.

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No primeiro episódio desta saga somos apresentados a um dos personagens principais, Lee. É este o personagem jogável da aventura. No nosso primeiro contacto com o jogo estamos a caminho da prisão quando um acidente atira o carro onde vamos para a berma e perdemos a consciência.

Quando a recuperamos, o motorista está caído fora do carro, após chegarmos ao pé dele para lhe tirarmos as chaves das nossas algemas somos surpreendidos. O agente da polícia, supostamente morto, levanta-se e tenta matar-nos; é o nosso primeiro contacto com um Walker.

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Após alguma exploração conhecemos Clementine uma menina que tem estado a viver sozinha em casa há dois ou três dias enquanto espera pelo regresso dos pais. Lee apercebe-se então que os pais de Clementine estão muito provavelmente mortos numa cidade distante e assim, passa a ver Clementine como se fosse a sua filha, prometendo-lhe que a manterá segura custe o que custar. Clementine acredita que os pais estão vivos em Savanah e é esta a força que a move, pede então a Lee que a leve até Savanah, uma cidade do outro lado do estado.

Esta relação é um dos pontos fortes de The Walking Dead, através das nossas escolhas podemos constatar a evolução de Clementine.

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No entanto, o nosso grupo vai tornando-se maior e as escolhas fazem com que seja possível ter diferentes desfechos em cada pequena aventura. Vão surgir intrigas amorosas, conflitos de interesses, medo e no fim do dia, uns sentem a agonia de viver enquanto outros contentam-se em estar vivos.

The Walking Dead é um jogo que mantém o jogador agarrado ao ecrã pela história e a capacidade de alterar o destino das personagens. E chegamos ao primeiro ponto que parece bastante positivo mas tem um senão, esta suposta liberdade de escolhas é extremamente condicionada.

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Um dos exemplos é a falsa escolha entre quem vive e quem morre, se existirem duas personagens a serem acariciadas por walkers famintos e nós só podermos salvar uma, é mais que certo que a personagem que salvarmos vá morrer no espaço de 1 episódio. Simplificando nós podemos escolher apenas quem vive mais um episódio. Este problema é notório mais à frente na história, especialmente nos episódios 3, 4 e 5 ou para quem jogar mais do que uma vez. Assim em The Walking Dead, ficamos com a sensação de que as escolhas que mais importam são aquelas sobre as quais temos menos impacto.

No entanto, a maneira como agimos em dadas situações afectam a maneira como vamos ser tratados futuramente por essas personagens. Quando estamos em apuros as personagens que foram bem tratadas vêm normalmente em nosso auxílio enquanto aquelas que nós não nos interessámos em ajudar nos deixam à nossa própria sorte.

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A atmosfera de The Walking Dead é envolvente não só pelo aspecto gráfico, que parece saído de uma das BDs mas também pelo universo que assenta não nos walkers mas naqueles que eu considero que são os verdadeiros “Walking Dead” os vivos. Todas as personagens são mais do que aparentam todas elas têm profundidade, é certo que umas mais que outras, mas todas acabam por ter o seu tempo para brilhar, e sobre certas situações têm reacções bastante diferentes consoante a maneira como são tratadas. Esta evolução das personagens e o estar presente nos momentos que os vão marcar para sempre, acaba por ter impacto nas nossas escolhas. Muitas vezes apetecia-me levar a minha avante mas acabava por me perguntar a que custo.

Algumas situações que vamos tendo pela frente são também baseadas em situações cliché, como uma ponte que cai assim que a atravessamos ou, “acidentes” de percurso que se resolveriam contornando o obstáculo mas, The Walking Dead teima em fazer-nos passar por ali. Algumas foram mesmo situações em que gritei com a TV, de tão previsível que estava a ser, a reter fica apenas a satisfação pessoal de gritar com a TV e de imaginar que as personagens me ouviram, quem sabe numa versão futura…

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Em termos sonoros The Walking Dead joga muito com o silêncio, baseando-se muito mais nos sons ambientes do que em músicas, normalmente só nos apercebemos da existência da banda sonora em cenas mais envolventes quer emocionais ou sob pressão.

Já no que toca à jogabilidade, o jogo segue uma mistura entre exploração de pequenas áreas, solução de puzzles e sequências de quick time events, na sua maioria os controlos funcionam, mas no que toca às secções de exploração, existem certas acções que só se tornam disponíveis quando nos aproximamos de um certo ângulo que muitas vezes não é o mais directo. Pequenas saliências que facilmente seriam transpostas obrigam-nos a dar uma volta maior, tudo isto para nos levar a passar em certos pontos.

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A maneira como o jogo está dividido deixa que cada episódio trate um tema diferente enquanto leva a história para a frente, alguns episódios são preenchidos de acção outros por dramas, existe um pouco de tudo.

Perto do fim do jogo, somos confrontados com um tema bastante forte e somos obrigados a tomar decisões difíceis, que na altura nos levam a crer que terão impacto na sequela.

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Algo que acontece durante todo o jogo é a vontade de saber o que vai acontecer a seguir, cada episódio escolhe sempre a pior altura para acabar, na perspectiva dos fãs claro, deixando sempre algo no ar. Já quanto às escolhas, estas acabam por deixar um sabor amargo, pois apesar de podermos controlar certas reacções, muitas são apenas questões de tempo até que o oposto aconteça.

No entanto antes de acabar quero falar um pouco sobre o DLC400 Days”.

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Neste DLC somos apresentados a vários estranhos, nunca ouvimos falar deles, e nunca cruzaram o nosso caminho no jogo, ainda assim vamos viver um pouco do momento individual que os leva unirem-se como um grupo.

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Como objectivo deste segmento e dependendo das acções que tomamos em cada bocadinho que tivemos com cada uma das personagens, eles vão escolher juntar-se a um grupo ou não. Será que juntarem-se a esse grupo é a decisão certa? Não sabemos e é uma pergunta que é deixada em aberto.

A maneira como a escolha é feita, tem que ver com escolhas subjacentes em conjunto com a personalidade de cada personagem, não sendo de imediato perceptível qual será o desfecho.

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The Walking Dead é um grande jogo que merece ser apreciado por todos pelo menos uma vez. Apesar de pequenos problemas, estes nunca chegam a ser impeditivos para contemplar e interagir numa excelente história. A profundidade das personagens que nos envolve de imediato é avassaladora e algo que muitos senhores de Hollywood deveriam tomar como exemplo, certamente enquanto jogamos vamos estar a torcer mais por umas personagens do que outras mas no fim vamos ter sempre uma grande aventura.

Positivo:

  • Excelente narrativapn-recomendado-ana
  • Reacções das personagens às nossas escolhas
  • Empolgante
  • Rápida conexão com as personagens
  • Reacções em cadeia na história provocadas pelas nossas escolhas…

Negativo:

  • … que nem sempre têm o devido efeito.
  • Falsa liberdade de escolha em alguns aspectos.
  • Alguns bugs visuais
  • Clichés que nos fazem gritar “Não vás por aí idiota!”

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_GM_

Tears…. Manly Tears where shed

alpha

muito bom gostei da season 1 mas gostei mais da season 2 porque as escolhas notam-se mais, por isso quando vier a analise da season 2 a ver se põe excelente :p

tylarth

Pessoalmente estou dividido entre qual é a melhor, mas logo verás quando lançar a análise ao twd2.

Silver4000

Na minha opinião: a primeira.
Pois foi novidade, e as ”falsas escolhas” não cansaram tanto como na segunda, onde deveria ser algo jà corrigido.
E também no que toca às escolhas, que eram mais humanas e tinham mais impacto para nos. E claro o ultimo episodio da primeira foi melhor que o da segunda.

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