Análise – The Pathless

The Pathless é  uma aventura de exploração livre e curiosa. Faz-se valer de um sistema de locomoção de ação e recompensa simples de executar, mas capaz de se tornar mais complexo do que aparenta.

Assim que chegamos à ilha, a exploração começa. Somos guiados de uma forma bastante leve a início, com suaves indicações de onde nos devemos dirigir e o que fazer, praticamente sozinhos. Os primeiros passos são dados com receio, pois tudo parece estranho, numa escala enorme e a atmosfera é bastante negra.

Um estranho pássaro parece ter caído no meio do caminho e está ferido. Para o libertar/curar temos que ativar 3 torres presentes na primeira área do jogo, que é bastante ampla. Comparada com o que vem a seguir é minúscula. Quando nos voltamos a encontrar com o pássaro gigante, temos também uma cinemática que nos revela finalmente o que se está a passar, sem qualquer margem para dúvidas. É uma cinemática bastante forte e num jogo que vive tanto de exploração livre, funciona como uma boa motivação.

Aquele primeiro pássaro gigante que encontramos revela-se um dos nossos companheiros para o resto da aventura. Sendo, na verdade, um dos espíritos responsáveis por manter o mundo longe das trevas que o antagonista quer trazer ao mundo. Este espírito toma a forma de uma águia e após ser limpo de corrupção pela nossa personagem, começa a ajudar-nos de variadas formas. Funciona tanto como ferramenta para solucionar puzzles, ao transportar objetos pesados mas também como meio de transporte, permitindo planar durante os saltos, fazer uma espécie de duplo salto, que com o tempo será tripulo, quadruplo e por aí adiante.

Para aumentar as habilidades que possuímos vamos ter de encontrar pequenos talismãs amarelos que funcionam como pontos de experiência, e encontrar selos que são posteriormente colocados em torres bastante altas para progredir na aventura.

As torres acabam mesmo por ser a peça principal em The Pathless. Estas podem ser vistas no horizonte de forma recorrente e temos que transportar alguns selos até elas para começar a limpar a corrupção de cada área. Sempre que uma destas torres é activada o ambiente fica um pouco mais alegre. Em redor destas torres, temos templos, cavernas ou desafios que nos permitem colecionar vários itens que acabarão por nos ajudar de alguma forma. Os únicos que se tornam essenciais são os selos, pois são estes que permitem desbloquear novas áreas, sendo os restantes utilizados para nos ajudar a alcançar tal objetivo.

The Pathless segue a regra deste género muito a peito, ainda que com as suas próprias mecânicas. Ao contrário de outros jogos do género, The Pathless orgulha-se de nos fazer perder a orientação. Não existe nenhum problema numa primeira passagem ou em chegar a locais como as grandes torres, mas quando procuramos por locais mais escondidos estes podem revelar-se uma agulha no palheiro. A melhor forma de aproveitar The Pathless é mesmo explorar tudo o que vemos pelo caminho sem pressa. É um jogo que exige tempo.

A mecânica de locomoção está dependente de alguns talismãs que flutuam em abundância pelo mapa. Utilizando o arco, cada vez que o jogador atinge um destes talismãs, vai restabelecendo a energia e pode continuar a correr como o vento, é uma boa velocidade para exploração de grandes áreas. Isto faz com que seja necessária a presença dos talismãs, geralmente não é problemática, mas também requer ação constante do jogador para além de empurrar o analógico. Onde a mecânica realmente brilha é quando a locomoção se funde com puzzles de exploração, e o jogador percorre falésias com velocidade e altura vertiginosa. Falando no caso da PS5, os gatilhos adaptativos têm um funcionamento bastante subtil, apenas o suficiente para se notar com cada disparo.

Esta misteriosa ilha acaba então por não ser o meu local de exploração favorito, sendo um daqueles jogadores que para ir do ponto A a B faz deslocações por tudo o que parecem ser pontos de interesse, acabo por transformar uma viagem de 10 minutos numa viagem de várias horas. Por outro lado, lá me resignei a tentar apanhar pouco mais do que o essencial para ir passando as várias áreas e foi então que The Pathless me surpreendeu novamente.

Em cada uma destas áreas existem criaturas magnificas que foram corrompidas. Um pouco ao estilo de Shadow of the Colossus, estas criaturas têm que ser caçadas por nós e são, sem sombra de dúvidas, o ponto alto do jogo. Cada uma delas é única, são combates interessantes que vão para além de uma “arena” e nos obrigam a utilizar as várias capacidades da nossa personagem, mas nunca desafiantes. Estas batalhas são importantes para quebrar o loop de exploração que se torna bastante repetitivo.

The Pathless utiliza um estilo de cell shading e cores que se revelam bastante fortes. A nossa caçadora destaca-se do ambiente com as suas vestes vermelhas, a águia em tons claros de castanho consegue ver-se sem qualquer problema pelos vários ambientes e quer seja numa floresta ou num templo, a cor do jogo sobressai de forma apelativa. A componente sonora do jogo transmite o sentimento de mistério e estranheza, mas também algum conforto em certos pontos. Um dos momentos mais marcantes é quando ocorrem interações através do diálogo e apesar de não se perceber nenhuma palavra, o sentimento com cada personagem fala é percetível de imediato.

De referir ainda que na PS5 podem optar por um modo de desempenho ou detalhe gráfico entre algumas outras opções que se adaptam às preferências de cada um como o modo de corrida, etc. No final da aventura fica uma sensação de dever cumprido que certamente agradará aos jogadores mais dados à exploração. Não reinventando a roda, The Pathless entrega uma aventura sólida e bem executada.

Positivo

  • Mecânica de locomoção
  • Identidade visual
  • Maioria dos puzzles são recompensadores
  • Exploração livre
  • Batalhas contra Boss são surpreendentes…

Negativo

  • … mas nunca representam um desafio
  • Repetitivo

 

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