Análise – The Order: 1886

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Ora bem, a análise do The Order 1886 foi sem dúvida um osso duro de roer. Por norma, tento sempre manter-me afastado das intrigas e spoilers que possam surgir antes de jogar algo para análise, mas como podia eu proteger-me das inúmeras notícias e rage que surgiram pela internet? O The Order 1886 é pequeno, o The Order 1886 é um filme com QTE, o The Order 1886 não é nada de especial. Sim, eu li, sim, eu ouvi, sim, eu já percebi.

Numa era em que a internet é cada vez mais habitada por trolls e pensamentos cáusticos, deixem que vos diga. Mesmo com alguns problemas, The Order 1886 é um bom jogo e está para a PS4 como Uncharted: Drake’s Fortune esteve para a PS3.

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Antes de mais, temos de começar pela história em si. The Order 1886 só oferece o modo de campanha e já era de esperar que fosse bastante forte, afinal é o seu foco principal. Neste aspecto não há muito a apontar. Mesmo tendo as minhas dúvidas antes de o jogar (parecia mais um jogo com uma espécie de Zombies mas na era victoriana), fiquei bastante agradado e interessado na narrativa.

A Ready at Dawn conseguiu criar um universo e história com bastante força e uma série de personagens que são das mais ricas, profundas e interessantes que vi num videojogo nos últimos anos. Vamos pelo caso do protagonista, Sir Galahad, que pode parecer uma personagem sem personalidade, além do seu bigode fora de moda, mas o certo é que é uma personagem forte, com ideais vincados e um autêntico motor para toda história do jogo. Já não respeitava assim tanto um herói de bigode desde Metal Gear Solid 4: Guns of The Patriots.

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The Order 1886 conta a história de uma organização de cavaleiros da távola redonda que conseguem atingir uma enorme longevidade através do cálice sagrado, o qual confere uma água que embora não imortalize, tem poderes curativos e regenerativos ao estilo feijão mágico do Dragon Ball.

A missiva da Ordem é a de manter o equilíbrio entre os humanos e os Lycans, uma mistura entre vampiros e lobisomens que começou a perder a guerra assim que os humanos começaram a evoluir nas suas tecnologias.

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A história está cheia de momentos altos, reviravoltas e momentos bem criados. É verdade que alguns plot twists são expectáveis, mas é mais por culpa de já termos visto quase de tudo nos jogos ou cinema, e não propriamente desta narrativa. Quase todas as personagens fazem sentido na aventura e existem momentos criados pela forte escrita, que conseguem comover ou enrraivecer o jogador. Dois momentos chave foram para mim alguns dos motivos que The Order 1886 fez-me ficar impressionado e nem estou a falar de gráficos.

Se a narrativa e história são boas e bem escritas, qual o destino do mundo? Nesse departamento, The Order 1886 também dá cartas, apresentando uma Londres detalhada, carismática e quase viva. É verdade que os cenários estão construídos sem grande liberdade e ao estilo de corredores, mas isso é algo que já vimos em outros TPS, e nenhum deles também conseguiu fugir muito a este modelo de clausura/corredor. Por acaso, gostava de poder expandir a área de acção um pouco mais, ou poder interagir mais com o cenário, mas parece que ainda continua a ser impossível neste género.

Já que estamos a falar de cenários, podemos então passar para a jogabilidade. The Order 1886 é um jogo de acção/shooter na terceira pessoa, não tanto ao estilo de Uncharted, mas mais na linha de Gears of War. Existe um grande uso de cobertura e na troca cautelosa de tiros, se bem que existem também algumas zonas de infiltração furtiva um pouco mais fracas e desnecessariamente exigentes.

Começando então pela acção, The Order 1886 faz um bom trabalho no que toca às mecânicas de shooter e cobertura. Tudo funciona muito bem e os controlos respondem de forma exímia. Por vezes, certas zonas podem parecer mais uma galeria de inimigos ao estilo Call of Duty, onde só avançam quando estiver tudo morto, mas a maioria dos momentos são um bom desafio e a oposição faz todo o sentido.

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As armas são óptimas de usar e apresentam um bom impacto. Gostei especialmente das armas mais convencionais, deixando de lado as engenhocas mais imaginativas, como a arma que dispara um pó que podem incendiar. É giro, mas não tão eficaz como uma bela Magnum ou uma carabina.

As secções de tiroteios são tão divertidas no geral que, cada vez que The Order 1886 resolve entrar numa zona de acção furtiva, as coisas ficam perigosas. Nestes momentos, a personagem fica altamente vulnerável e se formos vistos (o que acontece por vezes de formas quase inexplicáveis), não há tempo para reagir ou silenciar um guarda. Depois, estes momentos parecem mais um extermínio do que acção furtiva, pois somos quase sempre obrigados a matar alguém para avançar, em vez de passarmos apenas sem dar nas vistas. Os empregados das limpezas do próximo turno vão ter muito sangue e corpos para limpar.

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Sim, o jogo está cheio de Quick Time Events, ou seja, momentos em que precisam de carregar num certo botão para realizar uma acção, e isto surge em quase todos os momentos que precisam de fazer algo, mas confesso que não me aborreceu assim tanto. As lutas contra os Lycans usam muitos QTE, assim como o combate corpo a corpo, mas podem surgir até no abrir de uma porta ou agarrar de um jornal. Nesses momentos sim, consegui ficar aborrecido, pois The Order 1886 obriga muitas vezes a agarrar em objectos que precisamos de investigar ou rodar, o que corta o seguimento da acção.

Dito isto, acredito que os QTE possam chatear algumas pessoas, mas na veia cinemática de The Order 1886, prefiro que eles cá estejam e me deixem interagir com a cinemática, do que estar só a ver, sem sentir que estou a fazer parte da acção.

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Algo que vem da veia cinemática e não faz cá muita falta são as barras pretas. O jogo é todo jogado com duas, uma em cima e uma em baixo, e estas são horríveis. Sim, o efeito das mesmas é bom nos diálogos, mas na acção, deviam ter sido totalmente removidas. Se houver um segundo jogo, é algo que precisa mesmo de acontecer, porque não só bloqueiam partes importantes de visão, como parece que roubam espetacularidade aos próprios gráficos.

E pronto, chegou a altura de falar deles. Seja pelas imagens ou pelo jogo em movimento, The Order 1886 é um dos jogos com melhores gráficos, pelo menos nas consolas. O detalhe dos cenários, a grandiosidade dos edifícios e das decorações, os efeitos de luz, os cabelos, as feições, está tudo muito bom, até ainda melhor do que em inFamous: Second Son.

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Não foram raras as vezes em que estava a ver uma “cinemática” que passava para jogo e eu pensava que ainda era o seguimento da mesma. Isto funciona porque tudo utiliza o motor visual do jogo e as transições são praticamente imperceptíveis. Foi um trabalho muito bem feito e sem grande discussão.

Para ajudar, os actores de voz fazem um trabalho estrondoso. Estes são altamente credíveis e estão quase sempre próximos da perfeição. Infelizmente, não posso dizer o mesmo da versão portuguesa, que é assim-assim e piora consoante as personagens são menos importantes.

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A banda sonora também é bastante forte e já uma das melhores deste ano. A mistura entre orquestra e coro é o ideal para The Order 1886, que dá ainda mais impacto a momentos chave da acção e da narrativa.

E agora, muitos perguntam, e a longevidade? É mesmo 5 horas? Nem por isso. A minha sessão demorou cerca de 9 a 10 horas pela primeira vez em normal. Acredito que seja possível diminuir o mesmo tempo pelo menos em 2 ou 3 horas, mas com isso vão estar a perder muito do conteúdo. De qualquer forma, pelo tempo, conteúdo e preço pedido, The Order 1886 podia ter uns elementos extra, como um modo co-op por vagas e leaderboards. Não era complicado de fazer e adicionava pelo menos mais umas 4 ou 5 horas de desafios extra.

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É aqui que voltamos ao início, quando disse que The Order 1886 estava para a PS4 como Uncharted: Drake’s Fortune esteve para a PS3. É um primeiro jogo que começa de boa forma como um novo IP, mas que ainda tem muito para dar e provar. Os alicerces estão cá todos, por isso, terá agora de ser expandido para onde faz sentido. Mais conteúdos, com mais ou melhor qualidade.

Também é neste momento que vemos como a internet e as primeiras opiniões podem deturpar e criar uma avalanche de negatividade que torna as expectativas em algo perigoso. Por muito que The Order 1886 possa ser curto para a maioria dos jogadores hardcore, isso não faz dele um mau jogo, mas sim um jogo curto.

Vejam também a nossa vídeo-análise de The Order 1886

Tendo em conta alguns erros e longevidade, é um jogo que só posso recomendar por agora aos grandes fãs de experiência cinemáticas ou de boas narrativas com acção sólida e bem construída. Como fã de jogos focados em campanha, parece que este é o para já o meu Remember Me deste ano. Eu fiquei satisfeito com The Order 1886 e fico à espera de mais.

Positivo:

  • Narrativa envolvente
  • Bons diálogos
  • Excelentes prestações dos actores
  • Visual gráfico de grande qualidade
  • Jogabilidade sólida
  • Banda sonora

Negativo:

  • Barras pretas estão a mais
  • Secções furtivas inconstantes
  • Pouco destaque aos Lycans
  • As zonas com vagas de inimigos
  • Devia ter mais conteúdo pelo preço total

pn-muitobom-ana

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