Análise – The Last Guardian

ICO e Shadow of the Colossus são dois dos jogos mais icónicos lançados para a PS2. Anos mais tarde, quem perdeu a oportunidade de jogar estas relíquias, acabou por ter a chance de o fazer num remaster lançado para a PS3.

Entretanto, vindo da mesma equipa que criou estes clássicos, foi revelado The Last Guardian, uma nova aventura destinada à PS3, com uma temática e visual que fez dele uma das referências da consola. Infelizmente, numa história já mais que contada, The Last Guardian nunca chegou a ver a luz do dia.

Como grande fã dos jogos anteriores, temi por várias vezes que o jogo tivesse sido realmente cancelado. Isto até ter sido oficialmente confirmado para a PS4 e entrado em estágio de desenvolvimento avançado. Finalmente, quase 10 anos depois, The Last Guardian chega agora à PS4.

the-last-guardian-analise-review-pn_00004É complicado analisar em primeira mão um jogo desta envergadura, especialmente com anos de promessas, adiamentos e entusiasmo. Como é que é possível que um jogo destes esteja à altura das expectativas? A verdade é que está, mas é impossível não ver as marcas do tempo e fechar os olhos a alguns problemas.

De forma sucinta, The Last Guardian conta a história de como um rapaz acorda numa zona desconhecida, lado a lado com um Trico, uma criatura mitológica conhecida por devorar humanos. A jornada vai levar estas duas personagens a criar uma relação de amizade e confiança que lhes permite tentar regressar à aldeia do rapaz.

Não há como enganar, The Last Guardian tem um impacto fantástico. O primeiro contacto com o jogo é arrepiante e quando começamos a percorrer o mundo, sentimos o peso dos cenários gigantescos e o impacto que o Trico cria, são momentos com muito valor. A jogabilidade é repartida entre momentos de plataformas sozinhos ou montados no animal, pois podemos escalar pelas suas penas tal como nos colossos de Shadow of the Colossus.

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Claro que o ponto alto é sem dúvida alguma a presença do Trico, pois consegue ser ao mesmo tempo uma criatura com aspecto adorável, mas também um poderoso lutador e um trepador nato. Embora seja possível pedir ajuda ao Trico e dar ordens, existem momentos de grande frustração, pois a criatura resolve não responder a certos chamamentos, ou faz acções que não são realmente as que queremos. Isto faz com que as zonas de plataformas sejam ainda mais longas do que deviam, induzindo até em erro, pois dei por mim a pensar por diversas vezes que não estava a fazer o que devia ser feito.

Depois, temos outro grande inimigo: a câmara. Embora não seja terrível, cria alguns momentos agonizantes onde não conseguimos ver nada, ou nos faz perder a noção de onde estamos. Esta tem tendência de se colocar entre nós e a criatura ou de ficar presa no cenário. Além do mais, existem momentos cinemáticos onde ela tenta assumir a posição certa, mas apenas nos faz lutar contra a mesma, pois estamos a fazer algo que precisa de ter visibilidade.

Além disso, temos o contacto com o cenário, objectos e o Trico. É bastante frequente ficar agarrado onde não queremos, largar o Trico sem querer ou lutar para conseguir sair de cima dele. Em combate contra certos inimigos onde arrancar o capacete é uma solução para os derrotar, dei por mim a segurar objectos próximos no chão, em vez do que realmente queria fazer.

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Mas a pior parte de todas é mesmo a forma como alguns momentos chave de acção e sufoco são mergulhados em puzzles. Estes momentos que deviam ser marcantes, acabaram por ser uma luta apenas para perceber o que tinha de fazer, em vez de sobreviver ou ajudar o Trico o mais depressa possível. Posso dizer que dois momentos chave que deviam ter impacto na história, perderam parte do mesmo porque gastei mais tempo a procurar uma solução do que a viver o momento.

Porém, estes problemas só parecem maiores porque The Last Guardian é The Last Guardian. Era fácil fechar os olhos em outros jogos, mas aqui, reconheço que estava à espera de um produto praticamente perfeito, especialmente depois de tantos anos de espera e expectativa. De qualquer forma, existe o reverso da medalha e depois de o jogar até ao fim, é fácil perdoar alguns dos momentos mais frustrantes.

A forma como a história se desenrola, o significado do jogo, certos puzzles e momentos de amizade entre o rapaz e Trico, ajudam The Last Guardian a ser um jogo único e uma viagem fantástica. Como sempre, as minhas análises não englobam spoilers, mas posso dizer apenas que existem momentos de beleza e de compaixão que nunca tinha visto em qualquer jogo até agora.

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O visual de The Last Guardian não é sem dúvida o melhor que existe nesta geração, mas é a direcção artística, interação com a natureza (vento, água), certos detalhes e pormenores e o ambiente mágico que o fazem brilhar e tornar relevante. Quando a luz do sol bate directamente nas personagens e as penas de Trico abanam com o vento, temos aqui algo de majestoso. A versão que jogámos foi na PS4 Pro e numa TV 4K, por isso a experiência foi bastante fluída na maioria dos momentos.

Sonoramente, podem contar com uma banda sonora fantástica e um bom trabalho ambiental. Os sons que Trico emite são soberbos e fazem dele uma entidade altamente real e que podia existir no nosso mundo. As falas das personagens são feitas numa língua estranha, mas o resultado é positivo.

Durante a minha campanha, demorei cerca de 10 horas a concluir o jogo, mas isto sem apanhar tudo o que havia ou explorar todas as áreas a 100%, por isso existe mais que espaço e vontade para repetir a história assim que esta acaba e apanhar alguns dos pormenores que tinham escapado da primeira vez.

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Como disse, The Last Guardian é exactamente aquilo que se comprometeu a ser, mas acaba por ficar um pouco aquém do que podia ter sido. Temos aqui um jogo que tem como seu grande inimigo todas as expectativas levantadas ao longo de vários anos de desenvolvimento e certos momentos frustrantes que podiam ter sido evitados.

Por outro lado, The Last Guardian é um jogo fantástico, único e que merece ser jogado, sendo tão bom mas imperfeito como ICO e Shadow of the Colossus foram antes dele. Este é mais um grande trabalho de Fumito Ueda que tinha tudo para correr muito mal. Felizmente, tal como o Trico e o rapaz, este jogo é um sobrevivente nato que vence apesar de todos os problemas que enfrentou.

Positivo

  • Trico é um novo íconepn-recomendado-2016
  • Formato da narrativa
  • Impacto do cenário
  • Sistema de combate único
  • Banda sonora
  • Ambiente mágico

Negativo

  • Câmara
  • Detecção de colisão
  • Puzzles em momentos urgentes
  • Frustrações com a IA

 

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