Análise – The Fruit of Grisaia

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Uma das minhas maiores façanhas enquanto jogador é o de ter passado o Chrono Tigger totalmente em japonês. Os tempos eram outros e primeiro que os jogos fossem sequer pensados em ser localizados já o país original esperavam pela sequela. Felizmente os tempos mudaram e isso já não acontece, certo? Errado. Ainda hoje há um sem números de jogos de alta qualidade que não vêm sequer a luz do dia fora da sua metade do globo (sim, estou a olhar para ti, Playstation Vita).

Mas hoje em dia há quem reconheça que esta falha da indústria merece ser corrigida. E é pela mão da Sekai Project que já foram lançados (e serão ainda mais) algumas dessas pérolas exclusivas. Uma das mais mediáticas é The Fruit of Grisaia.

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The Fruito of Grisaia é uma “simples” visual novel desenvolvida pela Frontwing. O conteúdo é completamente focado na narrativa e a interacção entre o jogo e o jogador é escassa excepto para passar falas ou escolher qual das opções de acção tomar para prosseguir um dos vários caminhos do enredo.

A história de The Fruito of Grisaia é soberba, não fosse ela o principal anzol do jogo. Nós somos Yūji Kazami um jovem com um passado obscuro mas que não tem medo de falar dele como se tivesse tido a mais pacata das vidas. Colocado numa escola normal (que é tudo menos isso) tem agora a sua oportunidade de viver a sua vida tranquilamente. Isto seria tudo verdade não fossem os seus cinco colegas pessoas bastante peculiares.

O jogo tem claramente duas façanhas destacadas. O início é completamente envolto em comédia para nos dar uma introdução mais leve e digerível para toda uma panóplia de assuntos mais complicados do que o ambiente demonstra ser. A outra fica-se pelo misto de drama e tragédia com o passado de cada personagem em que Yuji vai perceber que nem toda a sua vida fez sentido aquele momento.

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Para um jogo tão focado em história e com uma vasta variedade de caminhos por onde prosseguir fica a saber a pouco a falta de quantidade de escolhas nas horas inicias. Outros jogos do género possuem até escolhas sem impacto para nos fornecer uma maneira de nos envolver na história ou descobrir a melhor maneira de interagir com a personagem.

Toda a parte sonora merece sem dúvida ser destacada. O jogo oferece apenas áudio em japonês e legendas em inglês (pelo menos a versão disponível na Steam, que nos chegou para análise), mas mesmo assim o departamento de voz consegue dar uma enorme enfâse aos sentimentos das personagens. Mesmo sem perceber o que as personagens estão a dizer é bastante claro como o estão a fazer. Misturado com uma banda sonora curta mas bastante apropriada para as cenas em questão o departamento de aúdio fez um trabalho sublime.

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The Fruit of Grisaia é uma narrativa que vos prende se lhe perdoarem a falta de interatividade inicial e que mostra que não é preciso uma floresta para se fazer uma canoa. Ao contrário de muitas companhias que apostam em localizações megalómanas que por vezes não são necessárias, uma simples legendagem tratou eficazmente do assunto. Nem custou assim tanto quando isso. Esperamos que este seja um passo em frente na indústria.

 

Positivo:

  • Narrativa bastante coesa
  • Alternação entre o lado cómico e lado dramático muito bem efectuada
  • Departamento sonoro
  • Personagens variadas e imprevisíveis
  • Localização simples mas muito eficaz

Negativo:

  • Início muito pouco interactivo pode afastar muitas pessoas

 

pn-muitobom-ana

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ednice

Boa análise, sinceramente foi o inicio gigante que me fez largar o jogo.
Mas se gostaste deste recomendo The Devil on G-string, foi o VN que me fez não conseguir jogar outros VN’s

ShadowDust

Vou jogando algumas VN’s esporadicamente mas por acaso nunca tinha ouvido falar nessa. Fica agora na waitlist 😀

Squall_jb

Um dos meus VN favoritos, as primeiras horas realmente parece filler atrás de filler, mas o que vem depois compensa pra caraças. Adorei, pena o anime não lhe fazer justiça. De resto boa análise Roberto, que venham mais 😉

ShadowDust

Eealmente o inicio pode ser bastante intediante mas nao acho que seja tanto filler, muito do background das personagens fica prensado. Podiam era ter feito algumas escolhas daquelas mais irrelevantes para aumentar o pace.

Fazer mais análises a este género é plano para o futuro 😀

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