Análise – Tales of Xillia 2

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Como se costuma dizer, os anos passam e as coisas continuam na mesma. Além do mais, todos sabem que é especialmente complicado que algo mude em pouco tempo.

Embora tenha saído com um intervalo maior no Japão, Tales of Xillia 2 demorou praticamente um ano a chegar à Europa. Com a memória ainda fresca do primeiro (podem ler aqui a análise), este é um jogo que se pode gabar de ser a sequela directa para um dos melhores RPG desta geração, o que também aumenta o nível de expectativa.

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Se não fosse pelo facto de recorrer tanto a elementos já usados e fraquejar em algumas decisões duvidosas, Tales of Xillia 2 podia estar ao nível do primeiro, ou até ter melhorado o que foi feito no primeiro.

A história do jogo arranca alguns anos depois dos eventos do primeiro Xillia. Embora no anterior fosse possível jogar no papel de Jude ou de Milla, agora só é possível ter apenas uma personagem principal, papel, que aqui fica entregue Ludger Kresnik…mais ou menos. Quando se fala em papel, não existe aqui bem um papel, pois Ludger sofre do síndrome de herói silencioso, e numa vertente inédita na série, podemos escolher o que a personagem diz em tempo real.

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Como se costuma dizer, podem tirar o cavalo da chuva, pois além de um ou outro momento chave, estas escolhas são meramente opções de passagem e na maior parte dos casos, servem apenas para influenciar a atitude das outras personagens perante Ludger. O pior de tudo, é que Ludger sendo uma personagem silenciosa, faz com que passe a impressão de que ele é apenas uma engrenagem no motor da história e não a peça fundamental. Esta falha na personalidade é notória e afecta a narrativa em alguns momentos chave. O mais estranho é que podem desbloquear a opção das falas ao terminar o jogo. Uma decisão no mínimo questionável.

Felizmente a história e personagens de Tales of Xillia 2 são tão boas como sempre e não só são interessantes, como o regresso das do primeiro jogo aumenta ainda a qualidade do elenco no geral. Se jogaram o primeiro (e devem mesmo), então vai ser um reencontro com personagens que cresceram e evoluíram bastante. A trama em si consegue ser bastante complicada de perceber a início, especialmente com toda a confusão das questões temporais, mas é coisa que vai ao sítio com o tempo.

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Falando em tempo, este é algo que não fez bem a Tales of Xillia 2. Não só o motor de jogo é o mesmo do primeiro jogo, como este envelheceu já bastante. Isto não seria tão notório, se não fossem reutilizados tantos elementos do primeiro. Estamos a falar em personagens, objectos e cenários que são transferidos na sua totalidade e com poucas ou nenhumas diferenças. As novas áreas acabam por trazer vistas diferentes, mas era bom ver uma evolução mais acentuada tal como aconteceu com as personagens.

Algo que também não mudou muito (e talvez pelo melhor), foi o combate, que continua a usar o modelo de um RPG de acção rápido e versátil. De regresso estão as artes, os links, a utilização de afinidade e os ataques especiais em grupo, mas agora podem contar com a possibilidade de trocar de armas em tempo real e uma transformação da personagem principal, para uma mais poderosa, que oferece invulnerabilidade durante algum tempo. Esta novidade faz parte da história, por isso não fica desenquadrada.

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Em termos de desenvolvimento, a história está directamente ligada ao facto de Ludger contrair uma dívida enorme ao início do jogo, tendo de juntar dinheiro para pagar. Felizmente, esta “limitação” não pesa directamente e o dinheiro necessário para avançar acaba sempre por ser ganho com pouco esforço. No geral, podem contar com mais de 40 horas ligadas à história e muitas mais de objectivos extra e secundários para fazer.

Embora a banda sonora mantenha a sua boa qualidade, lamento desapontar os fãs das versões originais, mas tal como o primeiro, também Tales of Xillia 2 não tem opção para vozes japonesas. A parte boa é que a qualidade continua elevada à semelhança de Tales of Xillia e os actores fazem um bom trabalho.

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Embora seja uma sequela directa, Tales of Xillia 2 acaba por sofrer um pouco por repetir muito do seu conteúdo no mundo que nos rodeia e quando tenta fazer algo diferente, acaba por ser traído por algumas decisões mal escolhidas.

De qualquer forma, estamos a falar num RPG quase tão bom como o primeiro, mas que acaba por não ter a mesma qualidade. Se gostaram do primeiro jogo e procuram por mais um bom RPG de qualidade para a PS3, então este é claramente a vossa próxima escolha.

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Positivo:

  • Boa históriapn-recomendado-ana
  • Regresso das personagens do primeiro jogo
  • Bom equilíbrio de humor e seriedade
  • Sistema de combate afinado

Negativo:

  • Muitos elementos físicos repetidos do primeiro jogo
  • Escolhas influenciam pouco a história
  • Ludger devia ser uma personagem com voz…desde o início
  • Motor visual já mostra idade

pn-muitobom-ana

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Prince Omelete

Já estava à espera desta análise há alguns dias. Foi por causa do site estar com problemas? Se foi valeu a pena esperar pois está boa.
Já comprei o jogo e gostei. Ainda não acabei, mas para já acho que a nota está boa.
Bom trabalho.

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