Análise – Star Ocean: Integrity and Faithlessness

Para mim, a chegada de um novo JRPG à Europa é sempre um motivo para festejar, especialmente, se esse jogo faz parte de uma série tão conhecida e respeitada como é Star Ocean.

Anos depois do anterior, tudo o que vi de Star Ocean: Integrity and Faithlessness até agora mostrava que este ia ser mais um JRPG a ter em conta para a PS4. Afinal, tanto o visual como a jogabilidade pareciam estar no sítio. A verdade, é que embora seja um bom jogo, Star Ocean: Integrity and Faithlessness sofre com alguns problemas que trailers não podiam mostrar.

Para começar, este jogo sofre de um problema bastante estranho. Mesmo que a história não seja nada má, parece que os criadores tiveram de certa forma vergonha de lhe dar um maior impacto. Por isso mesmo, na maioria dos diálogos que vamos ter e coisas que vamos ver, é raro ter uma experiência cinemática, ficando sempre com a câmara a nosso controlo, com ângulos que não dão destaque às personagens. Até percebo que a intenção fosse dar mais “liberdade” ao jogador, mas é só uma má decisão, pois existem momentos chave onde a câmara tem o seu teor mais cinemático e as personagens brilham.

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No geral, as personagens são bastante boas e diversificadas, embora demore um pouco a habituar a algumas mais cliché, como é o caso de Fidel. De qualquer forma, existem personagens como a Miki, a Fiore, Emmerson e Anne que ajudam a carregar a narrativa em várias situações. No geral, a história não dura muito mais do que duas dezenas de horas, mas ainda existem várias actividades extra para fazer, como missões secundárias e desafios para matar inimigos mais poderosos.

O combate é muito similar ao que a série sempre fez, com um estilo de combate de acção, que mistura habilidades especiais e encadeamento de combos. A equipa pode ser composta por várias personagens, por isso preparem-se para alguns momentos mais caóticos e alguma gestão, pois nem sempre a inteligência artificial sabe fazer bem o seu trabalho, morrendo nas piores alturas ou gastando os pontos de magia depressa demais.

Os combates são começados em tempo real, sem tempos de loadings e com as localizações do mapa a funcionar como local da acção. Por isso mesmo, podem lutar dentro de uma área com paredes invisíveis, que quando ultrapassadas, servem para poder fugir ao combate. Também podem mudar de personagem em tempo real, mas o controlo volta sempre ao Fidel no final.

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Além da evolução normal e linear das personagens, ainda existem várias formas de aplicar os pontos de experiência em ataques, vocações para cada personagem e até em habilidades próprias para a equipa, que pode ir desde encontrar mais tesouros no mapa ou descobrir áreas com objectos especiais. A lista ainda é grande, mas nem todos os que desbloqueiam são totalmente úteis.

Mas um dos maiores males de Star Ocean: Integrity and Faithlessness é mesmo a sua câmara. Esta sofre de vários males, que vão do simples saltar constante enquanto andam pelos cenários (vejam a vídeo-análise para terem uma ideia), assim como os momentos cinemáticos importantes que ficam limitados ao nosso controlo e nunca conseguimos posicionar a câmara de forma que seja realmente impactante. São decisões literalmente absurdas e que não fazem grande sentido.

Quanto ao visual, embora eu tenha gostado bastante do que aqui foi apresentado, é fácil reconhecer que isto é uma adaptação directa da versão PS3 com gráficos melhorados. As coisas que mais importam, como personagens e afins, estão todos bastante bons, infelizmente, é fácil descobrir nos cenários texturas que não fazem bem parte desta geração. Gosto de alguns jogos feitos com a iluminação em passagens entre dia e noite, mas por vezes surgem momentos demasiado escuros.

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As vozes tanto em japonês como inglês estão bastante boas, com destaque para a versão original. Curiosamente, fiquei muito mais fã da Miki na versão inglesa. De resto, acaba por ser um misto entre experiências boas e razoáveis. A banda sonora tem uma qualidade bastante boa, especialmente nas composiçõs mais épicas. Apenas me queixo de algumas músicas serem usadas em demasia.

Ou seja, mesmo que não seja um jogo perfeito e sofra de vários males, Star Ocean: Integrity and Faithlessness acaba por ser uma viagem positiva. Passei bons momentos com ele e ainda fiquei fã de algumas personagens.

É uma pena enorme que a Square-Enix não tenha investido mais dinheiro neste jogo, pois existe aqui material para um clássico. Acredito que com o passar dos anos, vamos ter aqui mais um jogo de culto que poucos acabaram por jogar.

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Positivo:

  • Design das personagens
  • Música
  • Boa localização
  • Evolução alargada
  • Visual com bons momentos

Negativo:

  • Câmara
  • Diálogos “não cinemáticos”
  • Combate demora a expandir
  • Inteligência artificial
  • Várias texturas da PS3

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Silver4000

“é raro ter uma experiência cinemática, ficando sempre com a câmara a nosso controlo, com ângulos que não dão destaque às personagens. Até percebo que a intenção fosse dar mais “liberdade” ao jogador, ”

Lembro-me de ter lido numa entrevista que a intenção era mesmo essa.

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