Análise – Silent Hope

Inspirado no universo de Rune Factory, Silent Hope troca os elementos clássicos da série onde vivemos a nossa vida no campo com a quinta para uma aventura RPG de exploração de masmorras, melhoramento de personagens e combate em tempo real com vista isométrica.

Depois deste resumo que consegue consolidar bem o que esperar de Silent Hope, há que dizer que este jogo consegue ser ao mesmo tempo uma aventura bastante directa ao assunto, ao mesmo tempo que se apoia em elementos tradicionais dos RPG desnecessários para atingir um determinado fim.

Vamos por partes. Neste jogo vivemos a aventura de vários guerreiros e guerreiras com classes diferentes que vão ajudar a princesa a resgatar o seu pai do fundo de uma cratera (Abismo) enorme. Esta cratera está dividida em vários níveis que continuam a ser explorados à medida que ficamos mais fortes ou temos a capacidade de abrir um novo caminho. É o clássico de exploração deste género e é um jogo que exige não só destreza em combate, como algum grinding para manter as personagens aos níveis ideais para progredir.

Falando nas personagens, estas são algo variadas entre si, havendo o típico guerreiro de espada em punho, até à rapariga que ataca em combate corpo a corpo com os punhos. Cada classe tem as suas habilidades e forma de lutar, por isso existe aqui um pouco de tudo para vários gostos. O jogo convida a trocar de personagens para aproveitar as suas mecânicas, mas depois de escolher uma favorita, é quase sempre com ela que vão jogar.

Fora do Abismo, estas personagens fazem a sua vida na aldeia que serve de hub central. Aqui temos várias lojas onde podemos transformar materiais, fazer armas, entre outras coisas. Embora o sistema de evolução seja fácil de perceber, é aborrecido que existam vários passos a fazer para algumas acções e algumas demorem tempo a acontecer. Quero com isto dizer que para fazer, por exemplo, uma peça de equipamento, temos de dar os materiais a alguém, esperar que este os transforme e só depois usar estes materiais para pedir a outra pessoa para fazer o equipamento. Todos estes passos são desnecessários e iriam funcionar perfeitamente num só menu sem tempos de espera.

Por isso mesmo, Silent Hope está bem melhor quando nos faz entrar nas dungeons e abrir caminho. Existe uma grande variedade de inimigos e bosses e como o cenário muda cada vez que entramos, não cria uma sensação de repetição tão depressa como seria de esperar. Para mitigar ainda mais isto, cada uma das personagens tem uma árvore de talentos que vai abrindo com os seus níveis. Isto significa que depressa têm os três slots de abilidades cheios e mais tarde será necessário perceber quais as melhores para ir usando ao longo dos níveis.

Apesar de não ser um jogo difícil, Silent Hope ainda requer uma boa quantidade de atenção até termos presente os modelos da sua jogabilidade. Os ataques têm os seus timmings e desviar de inimigos também tem o seu tempo ideal para impedir de levar dano. Existem inimigos que atacam à distância, outros que deitam veneno, etc. À medida que o abismo vai sendo explorado, são abertas novas áreas com novos inimigos, etc.

Sendo um verdadeiro jogo de Dungeon Crawl, melhorar a personagem e evoluir níveis começa a ser bastante viciante e a vontade de voltar para explorar mais e evoluir ou encontrar novos items para criar equipamentos torna-se num loop que nos prende, fazendo lembrar coisas como Diablo ou Borderlands. Por isso mesmo, podem contar com uma grande quantidade de horas além daquelas necessárias para ver o final da história.

Visualmente, Silent Hope é um jogo bonito que pode ser apreciado tanto no PC como na Nintendo Switch (consola onde o joguei). No global o visual tem uma arte apelativa, com os seus personagens em Chibi e mundos coloridos. A fluídez é boa tanto em modo portátil como em doca, mas jogar no ecrã OLED da Switch faz com que pareça ainda mais bonito. A banda sonora é bastante boa e alegre e a única voz que nos acompanha (a princesa) ao longo da aventura, também é óptima e ideal para o aspecto do jogo.

Silent Hope é muito mais divertido do que podia parecer à primeira vista. É um jogo simples por fora, mas com muito para oferecer por dentro. Não faz por ser um blockbuster, nem é esse o objectivo que tenta alcançar, fazendo bem o que é mais importante para si. É uma supresa bastante positiva e um RPG que vai agradar a quem queira algo mais leve para jogar dentro do género.

Positivo:

  • Jogabilidade divertida
  • Evolução viciante
  • Muito conteúdo para explorar
  • Visual apelativo:

Negativo:

  • Elementos de tempo desnecessários
  • Algo repetitivo em longas sessões
  • Inimigos começam a ser replicados

Daniel Silvestre
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