Análise – Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers

Embora a série Shin Megami Tensei tenha chegado às bocas do mundo através dos jogos Persona, a verdade é que tudo teve origem em Shin Megami Tensei, fosse através da série principal ou dos seus muitos spin-offs.

Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers é um desses casos, e apesar de não ser extremamente antigo (foi lançado na Sega Saturn e PSOne), continua a ser um dos exemplos perfeitos dos moldes clássicos criados pelos primeiros jogos, ou seja, combates e exploração na primeira pessoa e uma história bastante diferente dos RPG típicos.

Lançado originalmente na Sega Saturn e apenas no Japão, Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers chega  finalmente à Europa pelas mãos da NIS America, sem alterar o seu esquema em demasia, mas com muitas adições que fazem dele um jogo bastante actual e ideal para os fãs do género.

Tal como os outros jogos, também este tem os demónios como o centro de todas as atenções. Desta vez estes começam a surgir após ser lançado um novo mundo online que coloca toda a cidade futurista de Amami sobre seu domínio. Por detrás deste jogo/second life, existe uma conspiração para aprisionar as almas dos seus utilizadores para um fim que não posso revelar de forma a não estragar a história.

A personagem controlada pelo jogar faz parte dos Spookies, uma equipa de hackers que descobrem parte da conspiração e como invocar demónios para os ajudar em combate. A história está recheada de personagens bastante carismáticas e inúmeros inimigos memoráveis, só é pena que alguns sejam sub-aproveitados em diversos casos.

A exploração está dividida em duas vertentes, seja através da movimentação de um cursor num mapa para chegar até uma área ou exploração das mesmas na primeira pessoa. Pelo caminho encontram inúmeras caixas com items e NPC com quem podem falar, e se estiverem em zonas infestadas com demónios, podem entrar em combates aleatórios.

Os combates englobam a equipa de personagens jogáveis (normalmente a vossa personagem e Nemissa) e os demónios da vossa equipa. Em combate podem atacar directamente com golpes físicos, pistolas ou magias. Porém, existe também a possibilidade de dialogar com os inimigos. Ao iniciar a conversa podem tentar convencer ou persuadir um demónio a juntar-se à vossa equipa, o nem sempre funciona e em diversos casos pode resultar em ataques inesperados ou negociações por produtos e dinheiro.

Os demónios podem ser criados, evoluídos e até fundidos em entidades mais fortes, o que faz deles uma ferramenta realmente importante. Até a capacidade de combate é medida na sua afinidade para convosco e se um demónio não simpatiza com as vossas acções ou forma de combate, então mais vale fundir e experimentar novas personalidades.

Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers é um jogo bastante longo, com uma história que acaba por se ramificar, infelizmente as missões alternativas não são realmente apelativas ou realmente variadas, mas vão agradar a quem gostar do mundo de jogo e das personagens da equipa, dando mais alguma longevidade.

Apesar de ser uma conversão quase directa para a Nintendo 3DS, a Atlus mudou muito pouco a nível visual para Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers, curiosamente e na maioria dos casos (tirando alguns corredores mais vazios), este podia passar facilmente por um jogo de Nintendo 3DS e é apenas nas cinemáticas que se nota a idade do jogo. Quanto aos desenhos das personagens e demónios, estas mantém um estilo muito próprio e ao estilo dos jogos antigos de Shin Megami Tensei (especialmente Persona 1 e 2), o que pode não agradar a jogadores que dão mais importância a gráficos, mas vai deliciar aqueles que cresceram na era 32 bits.

Uma das grandes adições feitas pela Atlus foi a incorporação de vozes. Alguns actores já conhecidos da companhia estão de volta e a sua interpretação é realmente boa, dando mais vida e uma nova alma a este jogo. As músicas por seu lado são tipicamente inspiradas na visão futurista que tínhamos da tecnologia nos anos 90, por isso podem contar com algumas músicas electrónicas mais lentas e com um tom “sujo”. Tal como no visual, alguns vão gostar, outros nem por isso.

Apesar de ser um jogo antigo e com algumas mecânicas claramente fora de época, quando foi lançado em 1997, Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers já estava à frente do seu tempo, por isso a versão Nintendo 3DS é realmente muito bem-vinda e continua a ser relevante na nossa era. Se querem mais um RPG de grande qualidade para levar para todo o lado, então coloquem este na vossa lista.

Positivo:

  • Temática actual
  • Personagens carismáticas
  • Jogabilidade clássica no seu auge
  • Boas prestações vocais
  • Presença emblemática dos demónios da série

Negativo:

  • Visual não foi melhorado
  • Muitos cenários vazios e pouco inspirados
  • Picos de dificuldade aleatórios

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