Análise – Persona 5 Strikers

Já se passaram alguns anos desde que Persona 5 foi lançado na sua versão base e uma larga quantidade de jogares puderam ver pela primeira vez porque é que a série Persona tem tantos fãs e é tão reconhecida.

No ano passado, os Phantom Thieves voltaram com uma verão Director’s Cut no formato de Persona 5 Royal, uma versão com mais personagens e conteúdo para Persona 5 que ajudava a consolidar a história. Enquanto Royal estava a caminho, já se sabia que Persona 5 Strikers ia ser a continuação para a história que muitos estavam à espera.

Persona 5 Strikers começa a narrativa meses depois com Joker a regressar a Tóquio e a reencontrar os seus amigos para organizar algumas actividades de Verão. Como não podia deixar de ser, a equipa não encontra o descanso merecido, sendo arrastada para uma nova série de acontecimentos similares aos do primeiro jogo.

Ao contrário de Persona 5, Persona 5 Strikers não é um RPG por turnos, indo na direcção de um spin-off com um sistema completamente diferente. Para isso a Atlus aliou esforços com a Omega Force, os criadores de Dynasty Warriors, para criar algo próximo de um jogo Musou. Se estão com medo que este jogo se aproxime do formato de 1 contra 100 igual aos jogos Warriors, então podem ficar descansados.

Persona 5 Strikers usa um sistema de narrativa similar ao primeiro jogo, sendo que vamos entrando em mundos alternativos controlados por um inimigo principal. Estes universos são conhecidos como Jails e ao contrário dos jogos Warriors comuns onde existem cenários abertos com vários inimigos, aqui existe um misto entre o sistema clássico e várias enchentes de inimigos.

Cada Jail que visitam está organizada por zonas e todas elas representam um seguimento lógico com puzzles para resolver pelo caminho. Os inimigos surgem no mapa, mas em vez de serem atacados directamente, o contacto com eles inicia uma sequência de combate própria onde aí sim, aparecem todos os inimigos para combater, normalmente num misto entre Personas e personagens genéricas.

Posso dizer que o sistema de combate é bastante lógico, mas existem várias nuances que o transformam em algo mais complexo. Além dos ataques normais e especiais, é possível mudar de personagem, mudar de Persona, utilizar as armas, desviar, usar o ambiente que nos rodeia, criar combos com os ataques, entre outras coisas, tudo isto em tempo real. Se a ideia funciona bem em conceito, por vezes não é a certa na realidade, pois existem demasiadas funções e coisas a acontecer ao mesmo tempo no cenário.

Como as afinidades e os sistemas técnicos entram em funcionamento logo a início e ainda estamos limitados pelo posicionamento da câmara, não é raro encontrar situações onde perdemos uma personagem em poucos segundos contra um grupo de inimigos que nos aparecem pelas costas e estão a usar exactamente as magias que nos dão dano crítico. Como em vários momentos existem inimigos que não permitem fazer Ambush, temos de tentar ao máximo perceber quem está primeiro no cenário antes de começar a atacar.

Um bom exemplo de como tudo pode assumir situações caóticas são as lutas contra bosses. As barras de vida destes são bastante resistentes e a possibilidade de conseguir fazer um All-Out Attack ainda dá luta. Porém, exsite tanta coisa a acontecer e tanta forma de morrer se não estivermos atentos que quase não se consegue acompanhar os diálogos que estão a acontecer ao mesmo tempo. Isto é algo que me enfurece em outras adaptações para o estilo Musou e que volta a estar aqui presente.

Mas embora tenha começado pelo negativo, a verdade é que fiquei bastante agradado com Persona 5 Strikers, especialmente por ter ficado reticente com o facto de ser um jogo ao estilo Musou, no entanto, o facto de manter o mesmo estilo de exploração, sistemas de entrar em combate e até alguns dos elementos RPG bastante bem adaptados, acaba por ser muito melhor do que até podia imaginar e funciona muito bem.

Podemos de trocar de Persona de Joker a qualuqer momento, parar o tempo para escolher que magias ou habilidades vamos usar, entre outras coisas que o aproximam mais do RPG por turnos a que todos já tinham ficado habituados.

Algo que também gosto é o facto de podermos entrar e sair da Jail a qualquer altura. Em Persona 5 quando saíamos do Metaverse, o dia passava, mas aqui, podemos sair para recuperar vida e comprar novas coisas para equipar as personagens e voltar novamente à acção, o que não é tão limtador. Com isto, perderam-se coisas como as interacções com outras personagens e actividades diárias para fazer, mas se assim fosse, mais valia ser um Persona 5 Part 2.

A nível visual, Persona 5 Strikers segue exactamente à risca o aspecto de Persona 5, por isso podem contar com um visual extremamente apelativo, cheio de menus com estilo e bons designs para cada personagem e cinemáticas. Alguns dos cenários sofrem um pouco em termos de detalhe em zonas fora do caminho principal. Podem também contar com inúmeros inimigos iguais ao mesmo tempo no ecrã, mas isso já é de esperar deste tipo de jogos.

A nível sonoro, podem contar com uma banda sonora fantástica que engloba novas músicas e algumas do jogo original. No que toca às vozes, os actores originais estão de regresso com as boas prestações de sempre. Apenas me posso queixar de algumas situações onde parece que as vozes não foram bem equalizadas e parecem demasiado baixas. Também temos o problema de as vozes ficarem perdidas entre a música e sons do combate, o que é aborrecido.

No global, Persona 5 Strikers não demora tanto como Persona 5 ou Royal, indo perto das 35 horas de jogo feitas a correr ou 50 nas calmas. Como existem várias Jails para explorar e missões para realizar, é algo que podem sempre repetir, até mesmo noutros níveis de dificuldade.

É impressionante como a série Persona já encontrou tantos cross-overs com estilos diferentes e os resultados, embora longe de perfeitos, acabam por ter sempre bastante qualidade. Persona 5 Strikers é uma boa continuação para a história e um bom jogo também por mérito próprio.Resta esperar para ver qual é o próximo género a misturar com Persona 5.

Positivo:

  • Aproveita bem o universo de Persona 5
  • Sistema de combate funciona bem
  • Parece efectivamente uma sequela
  • Excelente banda sonora
  • Vozes de qualidade em inglês e japonês

Negativo:

  • Câmara tem os seus problemas
  • Não existem social links no sentido clássico
  • História ofuscada frequentemente na confusão dos combates
  • Necessidade de revisitar os mesmos cenários

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