Análise – No Man’s Sky

Não existe grandes dúvidas quanto ao facto de No Man’s Sky ter sido um dos jogos Indie que levantou mais expectativas nos últimos anos. Afinal, estamos a falar de um projecto com uma visão colossal, que começou a ser criado por um estúdio com meia dúzia de pessoas.

Quando vi o primeiro trailer do jogo, fiquei altamente entusiasmado, pois este misturava ao mesmo tempo uma premissa de exploração espacial espectacularmente empolgante, com a música dos 65daysofstatic, uma das minhas bandas favoritas. Estava aqui o cocktail certo para um dos meus jogos mais aguardados.

Agora que já tive a oportunidade de gastar umas boas horas com ele, explorar dezenas de planetas, dar nome a uns quantos e encontrar centenas de naves espaciais, está na altura de fazer, finalmente, a análise final e revelar a nossa opinião sobre No Man’s Sky.

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Apesar de ser um jogo de exploração espacial livre, No Man’s Sky não vos deixa completamente no espaço, sem qualquer tipo de objectivo. Existe uma linha de narrativa muito básica que vos aponta na direcção do centro do universo e pouco mais que isso. Vai ser necessário recolher elementos dos planetas que servem como combustível e nos permitem continuar a viajar pela galáxia.

No entanto, No Man’s Sky não é um jogo fácil para a maioria dos jogadores, pois muitos dos seus elementos acabam por não agradar a todos, seja por se tornar repetitivo demasiado depressa, ou pelo sentimento de abandono que provoca a quem gosta de coleccionar e ver tudo, pois parece que estamos sempre a deixar algo para trás que acabámos por não ver ou fazer.

Por isso mesmo, No Man’s Sky deve ser jogado com calma e apreciado, em vez de espremido à força. O que conta aqui não é precisamente o destino, mas sim a viagem, explorando o mais possível e seguindo quando já começamos a ficar fartos de um planeta ou não gostamos do seu ambiente.

No geral, a jogabilidade é bastante simples e usa a maioria dos elementos de sobrevivência. É preciso recolher materiais para sobreviver e ter comustível. Estes podem também ser vendidos para ganhar créditos espaciais que servem como moeda de troca. Com algumas horas de jogo vão encontrar logo um dos primeiros grandes vilões do jogo, a falta de espaço para guardar objectos. Esta micro-gestão é um dos pontos mais frustrantes do jogo e um dos principais motivos pelo qual a minha diversão era, por vezes, manchada. Existe a possibilidade de aumentar os slots do fato e comprar ou descobrir naves com mais espaço, mas é doloroso ter de gerir pouco espaço nas primeiras horas.

O combate também é bastante rudimentar, a arma que usam é também a mesma que serve como ferramenta de extracção. Existem modos de disparo diferentes e cada um serve o seu propósito. As armas, nave e fato podem receber upgrades, mas também sofrem do mesmo problema de ocupar espaço precioso.

Pelo caminho vão encontrar bases perdidas no meio do nada, que podem ou não conter extraterrestres. Estes seres que estão quase sempre no mesmo sítio são pouco interventivos, servindo apenas para falar, aprender palavras ou ajudar a personagem a curar vida ou armadura. Os planetas e espaço reúnem ainda estações espaciais com mais ET‘s que estão lá, parados à nossa espera, além de locais de interesse com estruturas místicas que nos dão palavras de outras línguas ou objectos especiais.

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Os grandes momentos de combate são tidos normalmente com as sondas que patrulham os planetas ou piratas espaciais. Como já disse, o sistema de combate é simples e rudimentar, mas funciona de forma competente. Atenção às sentinelas nas primeiras horas de jogo, pois conseguem ser umas latas sanguinárias.

Apesar de parecer que estou desiludido com o jogo, a verdade é que No Man’s Sky é um jogo do qual gostei bastante, pois oferece momentos de beleza e exploração sem igual. Explorar um planeta com fauna e flora colorida, interagir com os animais à beira de oceanos com cores distintas e depois saltar para a nave e abandonar o planeta que depois podemos ver no espaço no horizonte, é algo de arrepiante e marcante. Mesmo que alguns planetas sejam semelhantes, existe sempre algo novo para ver.

Visualmente, No Man’s Sky não é um jogo extremamente exigente, existem problemas com pop-ups de elementos e ainda existem algumas quebras de fluídez, porém, a magia do visual está nas cores dos planetas, plantas, animais e transições de luz, que tornam tudo muito mais vivo.

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Sonoramente, só tenho a dizer coisas boas. Os sons ambientes são fantásticos e existem barulhos ocasionais que parecem mesmo saídos de um filme de ficção ciéntifica de exploração espacial. Depois, temos também a música perfeita dos 65daysofstatic que criam uma banda sonora praticamente mística.

Resumindo, No Man’s Sky não é um jogo para todos. É um jogo que deve ser jogado com muita calma, paciência e que os fãs de shooters ou jogos de acção vão catalogar imediatamente como aborrecido. Por isso mesmo, são os mais pacientes e fãs de exploração que vão adorar esta viagem pelo espaço.

No Man’s Sky é um jogo único e uma forma diferente de abordar o género de sobrevivência. Pode não estar ao nível de todas as expectativas criadas ao longo dos últimos tempos, mas é na mesma algo único que deve ser jogado. Por isso se se enquadram com o tipo de jogador paciente que mencionei, vão certamente apreciar No Man’s Sky.

Positivo:

  • Jogos contrastantes de cor e luz
  • Impacto da viagem espacial
  • Sons ambiente
  • Banda sonora dos 65daysofstatic
  • Parece que estamos mesmo a viajar pelo espaço

Negativo:

  • Gestão de espaço limitada
  • Quebras de fluídez
  • Recolha de mantimentos repetitiva
  • ETs pouco interactivos

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Daniel Silvestre
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