Análise – Monaco: What’s yours is Mine

Ainda nem Monaco tinha sido lançado e já andava a ganhar prémios, há três anos atrás para ser preciso, como é o caso dos dois que ganhou na GDC de 2010. O jogo foi mantido em cativeiro durante poucos anos, tendo sido lançado em Abril no PC e recentemente na Xbox 360. A Pocketwatch Games é o estúdio responsável por esta criação algo inovadora, e é capaz de ser um estúdio que não conheçam, até porque os jogos que criaram anteriormente não têm nada a ver com Monaco, como é o caso de Wildlife Tycoon e Venture Arctic.

Chegou então Monaco: What’s yours is Mine, um jogo de acção furtiva onde as nossas missões baseiam-se em actividades criminais. O jogo conta a estória de um grupo de ladrões que tem como objectivo fugir da cidade de Monaco e virar a página na sua vida com uma ida para outro país. Para conseguir isso, as personagens irão cruzar-se com mais ladrões que partilham do mesmo objectivo e que são necessários não só para a progressão da estória, mas também para oferecerem novas habilidades, habilidades estas que serão faladas mais à frente.

Cada uma das personagens tem a sua própria personalidade e maneira de se expressar, e mesmo com os diálogos em formato de texto, conseguimos descobrir mais sobre elas. É engraçado também descobrir como este conjunto de bandidos consegue por vezes deixar-se desviar do seu objectivo principal e praticar o crime quase como uma necessidade natural.

No total, temos oito personagens com características e habilidades completamente distintas. The Locksmith, a personagem principal que consegue abrir fechaduras rapidamente; The Pickpocket, personagem que está acompanhada do seu macaco que rouba outras pessoas e apanha ouro no chão sem ser detectado; The Cleaner, ladrão que consegue deixar inconsciente guardas e inimigos mais distraídos; The Lookout, personagem com visão muito mais apurada; The Mole consegue furar qualquer parede; The Gentleman tem a capacidade de passar despercebido por guardas desde que não faça nada estranho à frente deles como abrir fechaduras; The Hacker consegue incapacitar sistemas de detecção electrónicos a partir de uma simples tomada e The Redhead, ladra feminina que seduz alguns dos inimigos.

Numa visão aérea vamos conseguir ver parte do cenário bem como os objectos, fechaduras e alarmes que estão inseridos. Com uma simples aproximação vamos conseguir interagir com eles, enquanto que os inimigos e lasers aparecerão se estiverem no campo de visão da nossa personagem. Se estivermos perto de um inimigo que está fora do nosso campo de visão, através de pequenas marcas de sapatos vamos saber onde é que estas estão. Sempre que fizermos algo suspeito ou alguém nos veja em zonas que não devíamos, um ponto de interrogação irá aparecer na sua cabeça, o que significa que precisamos de sair rapidamente da dita posição.

A dinâmica de jogo e a maneira como os níveis estão montados, dão ao jogador a oportunidade de escolher à sua vontade uma maneira para atingir o seu objectivo, isto em conjunto com as várias personagens. Pode parecer mais fácil fazer um nível com o Gentleman, mas também deixa-nos a puxar pela cabeça e em situações complicadas se nos pusermos a escavar o cenário com o The Mole. Com a morte de uma das personagens, teremos a oportunidade de escolhermos uma das restantes, o que obriga uma mudança na estratégia e uma maneira diferente de executar o cenário, e isso é um elemento excelente.

Monaco é uma excelente experiência quando partilhado com mais pessoas. Tanto em multiplayer online como offline, isto porque o jogo muda de figura quando colocamos mais do que um bandido no cenário para conseguirmos atingir o nosso objectivo. Pode haver uma separação e um tentar em conseguir atingir o objectivo individualmente, ou então é possível haver um trabalho em equipa mais minucioso. A falta de cuidado pode também resultar na morte de um dos ladrões, por isso é necessário evitar as tentativas de heroísmo e de se destacar dos demais.

A inteligência artificial é também um elemento bastante importante no jogo, visto não ser das mais apuradas no que toca aos guardas. Os restantes NPCs que representam pessoas inocentes e que estão no seu dia-a-dia poderão informar a autoridade do edifício sobre algo suspeito que estejamos a fazer, enquanto que os guardas farão de tudo para que nós não saiamos vivos da situação. O problema é que os guardas não são dos mais inteligentes que existem, podendo  topar algo que estejamos a fazer rapidamente, mas perdendo a atenção ainda mais depressa, sem falar que as perseguições são por vezes caricatas. Na verdade não acho isso mal de todo, e isto pelo facto de Monaco ser um jogo algo difícil só por si. Guardas menos tolerantes e mais mortíferos acabariam por estragar um pouco esta experiência gratificante.

Monaco possui vários elementos que compõem a apresentação e que o tornam único. É um jogo com algumas partes retro, mas também é bastante escuro no geral. As cores que existem servem para destacar pontos de interesse que são necessários para a nossa atenção, como é o caso do campo de visão, ouro e não só. Não possui um detalhe estético altamente exuberante, mas também não ambiciona tê-lo, até porque o jogo fica bem melhor da maneira como está apresentado.

Achei genial a banda sonora neste jogo, que é composta na sua maior parte de um piano que acompanha todos os momentos do jogo. Bem ao estilo Jazz, vamos ver este piano complementar grande parte dos acontecimentos que iremos testemunhar, sejam eles de perigo pelo facto de termos sido apanhados por um guarda, uma conversa entre os ladrões, até um momento de tensão que requer uma concentração acima do normal.

Genial é a palavra perfeita para descrever Monaco: What’s yours is Mine. A maneira como a mecânica de jogo foi implementada oferece uma flexibilidade enorme na experiência em geral, conseguindo deixar os jogadores na ânsia por mais e mais até reparar que o jogo acaba. Um esforço da PocketWatch Games que poderá catapultá-los para as luzes da ribalta.

Positivo:

  • Jogabilidade simples mas excelente
  • Variedade nas habilidades fazem-nos puxar pela cabeça
  • Apresentação simples com jogo de cores eficiente
  • Banda sonora genial
  • The Hacker
  • Multiplayer

Negativo:

  • Inteligência Artificial serve para facilitar mas criar momentos caricatos por vezes
  • No cômputo geral poderá não interessar toda a gente, tornando-se num jogo de nicho

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