Análise – Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes

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Depois de ter terminado a história de Solid Snake com Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, ter alargado a história de Big Boss com Metal Gear Solid: Peace Walker e ter experimentado acção visceral com Metal Gear Rising: Revengeance, está na altura da saga voltar ao activo nas consolas caseiras e explorar um pouco do que é a nova geração.

Quando Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes foi anunciado, muitos pensavam que este seria o quinto jogo numeral da série, mas a revelação de Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain veio criar um pouco mais de confusão.

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Agora que Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes está a chegar, fica bem claro que é apenas uma introdução para The Phantom Pain, estando ao nível da qualidade a que a saga exige, mas bem àquem do preço que é pedido.

Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes continua a história apresentada por Metal Gear Solid: Peace Walker, em que Boss, juntamente com os seus aliados, estão a construir um exército de soldados livres para uma “nova geração”. Ground Zeroes arranca algum tempo depois com um Snake com problemas vocais, a ter de se infiltrar num acampamento militar para salvar um rapaz com o nome de Chico e Paz Ortega.

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Sendo uma espécie de Mega Demo, Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes serve como um tutorial para algumas das alterações e novidades que estão a ser desenvolvidas para a nova geração de Metal Gear Solid, as quais estarão presentes em Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain. A jogabilidade em si está ainda melhor e mais solta que nos jogos anteriores, sendo uma boa evolução do que foi usado em Metal Gear Solid 4.

Podem abordar a missão de várias formas, seja com intrusão furtiva ou matando toda a gente pelo caminho, algo que o jogo penaliza fortemente, mas que permite fazer, especialmente por incluir agora vida que se regenera com o tempo. O jogo adapta-se à forma de jogar e caso tentem passar sem dar nas vistas, cada vez que são avistados por alguém, é desencadeado um abrandamento em bullet-time no qual podem responder à ameaça. Parece que é uma das vantagens de ser um veterano de guerra.

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O primeiro problema de Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes é também o maior deste lançamento, pois Ground Zeroes é extremamente curto. Eu consegui acabar a campanha em pouco mais de uma hora e há quem tenha feito em menos tempo. Depois de concluída existem missões alternativas para fazer, mas o cenário é sempre o mesmo, mudando apenas as condições climatéricas e o objectivo final. É verdade que podem gastar aqui várias horas a melhorar os vossos tempos e tentar atingir melhores classificações, mas para mim é como darem uma caixa de LEGO para montar. Pode ser divertido e posso passar um bom bocado, mas não vão deixar de ser as mesmas 50 peças ao final de umas horas.

A base de Ground Zeroes está bem construída e pronta para ser um bom desafio, pois os soldados que patrulham a zona são bastante inteligentes e respondem de forma mordaz a qualquer intrusão realizada. Só é uma pena que na maioria dos casos não existam muitas formas alternativas de desviar a sua atenção com manobras de diversão recheadas de humor tal como nos anteriores.

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Já que falamos nisso, é notório que Hideo Kojima está a tentar levar Metal Gear Solid 5 para um terreno bem mais negro e sério do que no passado. A campanha principal não tem piadas ou graçolas nenhumas como acontecia nos anteriores e esta fica cada vez mais dramática à medida que avança, culminando num final confuso e ainda mais dramático do que podia imaginar. Este final pode fazer sentido para os fãs como eu, mas vai deixar os novatos bastante confusos e até chocados.

Uma função a que dei pouca importância foi ao iDroid. Esta ferramenta permite usar um dispositivo móvel como um ecrã extra onde podemos ver o mapa e outras funções, mas depois de o testar, percebi que só me estava a atrapalhar e continuo a preferir ver tudo pelo ecrã principal.

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A versão a que tivemos acesso foi a de PS4, e posso dizer com franqueza que Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes é um verdadeiro luxo visual. Os gráficos estão fantásticos, especialmente no que toca à iluminação. Tendo em conta que este é um projecto preliminar, então Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain promete imenso.

No departamento sonoro, vou falar muito bem da música, efeitos sonoros que foram incluídos e das vozes, com uma grande ressalva. Eu não tenho nada contra Kiefer Sutherland e até gosto do trabalho dele, mas a sua voz não só não encaixa em Snake, como me meteu imensa confusão quando Snake falava e não ouvia a voz de David Hayter. Nada contra Kiefer, mas este papel é e será sempre de David Hayter e espero bem que ainda exista hipótese de ele regressar em The Phantom Pain.

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Quando joguei e terminei Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes pela primeira vez, a minha verdadeira vontade era de dar um Fraco ao jogo, de tão revoltado que fiquei com a longevidade da campanha, afinal, já joguei demos e jogos digitais bem mais baratos que este e com o quadruplo da duração. Depois de repetir a história e fazer as missões extra, esta revolta deu lugar à conformação e tenho de reconhecer que mesmo que seja curto, o conteúdo que foi aqui incluído é bastante bom.

Se Metal Gear Solid não vos diz nada, então nem pensem sequer em comprar Metal Gear Solid 5: Ground Zeroes ao preço elevado a que se encontra. Se são fãs da série, querem acompanhar a história e treinar para o prato principal, então fica ao vosso critério este investimento mais alto por um jogo que é na realidade uma demo alargada, a qual pode ir de uma hora de duração, às horas que vocês quiserem investir nele.

Positivo:

  • Novos elementos de jogabilidade
  • Visual fantástico
  • Missões secundárias incentivam a várias abordagens
  • Conversas de codec e missões misturam-se na jogabilidade

Negativo:

  • Preço demasiado elevado para o conteúdo
  • Voz de Kiefer não encaixa em Snake
  • Para onde foi o humor da série?

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Lfo

Nem a descida para €30 justificam o conteúdo?

Duarte

Eu, ouvindo aquilo que ouvi do jogo, acho que a voz de Kiefer é muito boa, algo mais realista e menos exagerada do que a de Hayter, mas, como não sou um “die hard fan” de MGS, não sou a pessoa indicada para apresentar essa critica, mas opiniões são opiniões. De resto nada a dizer sobre esta analise, bom trabalho Daniel

_GM_

Jogos assim podem estragar a reputação da série e do criador.

Mas não acho que mereça tanta polémica. Acredito que o preço devia ser mais justo para o conteúdo. Esperem uns meses até o jogo estar em desconto e depois compra-se.

Lfo

Eu acho que é um preço justo e fora o facto de ser um jogo pequeno é muito bom pelos vistos.

Kanudo

Ainda sou capaz de arranjar isto para a PS3 depois de jogar Peace Walker, parece engraçado andar pela base militar espalhar o caos enquanto experimentamos as novas mecânicas que são uma novidade na série. No início tinha algum receio que estavam apenas a facilitar o jogo para os jogadores mais casuais mas agora já as vejo como formas de tornar o jogo menos frustrante e possibilitam novas maneira de jogar.

Majinalex

Divertes te mais tempo no peace walker….muito mais tempo

Kanudo

Estou a contar com isso 😉

Carlos Miranda

Eu adoro o vosso site e não há dia que passe que não venha cá ver as novidades, tornaram-se uma fonte credível de notícias e vejo sempre as vossas análises porque costumo sempre estar de acordo. E é por isso que estou um pouco desiludido com esta análise, é que de todos os sites a que vou, este era o que eu menos esperava em ver palavras como “Demo alargada” e “preço injustificado”. Quer dizer, nem com o jogo a 30 euros acham justo? estamos a falar de um jogo que já foi provado que dura entre 6 a 8 horas a completar (todas as side missions), e pra não falar das horas que se têm de investir em encontrar os emblemas “XOF”, de forma a desbloquear a missão “DEJA VU”, que é nada mais nada menos que um mimo para os fãs do Metal Gear original da Ps1. Vamos lá ver, o Journey, que é um grande jogo e que eu adoro custa cerca de 15 euros e é possível passar a história em uma hora e meia. Após esta hora e meia é rara a pessoa que o completa mais vezes, visto que as alterações não são assim tantas e ainda assim as pessoas aceitaram o preço como justo (eu inclusivé, aquilo é uma obra de arte) por isso, porque é que este jogo não pode ter o dobro do preço? se oferece mais do dobro do conteúdo, e muita mais replayability? E ainda assim, se os 30 euros pesam assim tanto, também o podem comprar por 20 euros na PSN que ainda levam o Peace Walker de borla. Dito isto, esse argumento do preço parece-me um pouco forçado e parece que se deixaram levar pela maré dos trolls por essa internet fora.

Este jogo merecia mais do que um Bom (pensar em dar um fraco? what?), sinceramente, deviam-se ter focado muito mais na jogabilidade , liberdade de ação e novidades (conduzir jipes, tanques, destruição, interrogação?) da série do que propriamente no preço. No fundo foi mais uma queixa extensiva do que uma análise, mas enfim, esta é só uma opinião de um fã e o que penso ser uma crítica construtiva.

Cumprimentos

Daniel Silvestre

Boas Carlos e obrigado por nós vires a acompanhar ao longo deste tempo.

Bem, para começar, acho que expliquei bem o porque da minha posição em relação ao preço, mas antes demais, deixa que te diga que eu sou um daqueles fãs acérrimos da série, e mesmo que não seja mais que tu, pelo menos devem estar ao mesmo nível : )

Eu não fui atrás de trolls nenhuns, aliás, se nós acompanhas à tanto tempo, até sabes que costumamos ter opiniões bastante distintas em algumas análises que não seguem a maioria. Eu joguei o MGS5 vários dias antes das análises serem lançadas e a minha opinião foi feita logo nessa altura, não pelas dos outros.

A análise foi feita à versão PS4 como base como foi dito no texto, logo dai o preço e como disse, existem centenas de jogos mais baratos que são bons da sua forma e oferecem muito mais horas de jogo com qualidade similar ou melhor. Tens o caso do Journey como dizes que passei pelo menos 3 vezes, gastei mais de 6 horas nele e nem metade custou ( e mesmo assim preferi o Unfinished Swan) que a joguei pelo menos umas 6 vezes xD

Quanto à parte de ser uma queixa, como pode ser? Eu digo tantas coisas boas dele? Até levou um Bom e digo que tem boa jogabilidade, boa música e só me queixo da voz do Snake e da falta de humor? Parede que não

Carlos Miranda

Acabei de ler a análise outra vez e tens toda a razão Daniel, não foi ,de todo, uma queixa extensiva, como eu disse inicialmente, pois indicaste os pontos que achaste fortes e justificaste devidamente os pontos maus (o facto de teres falado do preço duas vezes, fez-me ter essa ideia inicialmente). E quero pedir desculpa pela confusão acerca dos “Trolls” porque eu nunca quis dizer que a análise fosse copiada, pois sei bem que vocês nunca o fariam, apenas quis dizer que parecia que a “voz do povo” – que se queixa de tudo, tinha influenciado um pouco os prós e os contras enunciados.

Ainda assim, continuo a pensar que poderias ter abordado algumas das funções novas do jogo e as possibilidades que trazem , apenas para equilibrar um pouco mais a balança.

Continuem o bom trabalho,
Cumprimentos Daniel

P.s: é sempre bom encontrar outros fãs de Metal Gear x)

Daniel Silvestre

Ora essa, o importante é ser justo, pois no final de contas, é o dinheiro do leitor que está em causa e quando se trata de investir, quando se faz uma análise acabamos por ter também essa responsabilidade : )

É verdade que sou um grande fã de Metal Gear Solid, até os Acid joguei apenas para acompanhar, mas o MGS3 será sempre o meu favorito 😀

Majinalex

“Snake com problemas vocais” XD

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