Análise – Mad Max: Fury Road – Mad Max: Estrada da Fúria

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Rebootsremakes e franchises. Tudo isto tem muito que se lhe diga. Confesso que não acho que existam “vacas sagradas” que devam ficar virgens e imaculadas para todo o sempre. Embora existam obras originais que dificilmente serão ultrapassadas, a arte não pode estar impune a novas roupagens e novas visões. Não digo que façam um bigode à Mona Lisa no quadro de Da Vinci, mas a questão da qualidade é paralela, porque uma nova obra é diferente, e diferente pode acender novas emoções.

Normalmente, quando uma franchise é recuperada, é uma proposta de uma nova equipa, de um novo artista, mas no caso de Mad Max é o autor da obra original (George Miller) que mostra o caminho para o cenário apocalítico, de uma realidade em que as pessoas renderam-se à loucura e são capazes de tudo por um copo de água e um bidão de gasolina. Será que os efeitos visuais e o novo contexto social/demográfico agradecem o regresso?

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Mad Max: Estrada da Fúria narra a história de Max (interpretado por Tom Hardy), um renegado e sobrevivente do novo mundo, que é colocado numa situação de limite onde o objactivo é sobreviver.

O elenco conta ainda com Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoë Kravitz e Rosie Huntington-Whiteley.

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Após a franchise de Mad MaxGeorge Miller notabilizou-se com filmes como Happy Feet e Babe… o que demonstra uma grande versatilidade artística do realizador australiano. Mad Max: Fury Road é um mimo visual, com acção frenética e dinâmicas constantes. George Miller sabe narrar uma história do ponto de vista visual, e as opções aplicadas são as exigidas (coreografias e duplos com a vida em perigo), rematando com algumas referências à trilogia original (respeito pelos fãs mais antigos).

Do ponto de vista técnico, há alguns disparates. Pese embora o orçamento nos 150 milhões de dólares e relativa simplicidade no manuseamento dos cenários (deserto), Mad Max: Fury Road peca em alguns departamentos, nomeadamente: edição sonora (não me refiro à banda-sonora, que mistura Metal e Música Clássica, nas às vozes dobradas) e os efeitos visuais (o pano verde não engana ninguém). Positivo é o guarda-roupa bem como a direcção de fotografia.

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Mad Max (1979) com Mel Gibson não é uma referência incontornável da Sétima Arte, mas é original, sujo e cru. Narra a odisseia de um anti-herói puro e duro, que recorre aos mesmos métodos dos antagonistas para sobreviver (um dos pioneiros do género). Infelizmente o estilo desencadeou Rambos e Chuck Norris, no entanto, a mensagem nas entrelinhas da acção de Mad Max era relativamente profunda e alertava para a crueldade da natureza humana em situações limite.

Sinceramente, tenho dificuldade em entender o facto de Mad Max: Fury Road estar a ser levado em ombros. O filme é excessivo em quase tudo, e insuficiente em elementos tão importantes como a construção dos personagens. As motivações podiam e mereciam ser trabalhadas de acordo com a demência da realidade criada, e as aclamadas cenas de acção não deveriam suceder ao sabor das coincidências, mas deveriam hierarquizar em momentos em que os personagens são colocados em situações de limite, nas quais revelam o verdadeiro caracter, culminados no clímax (há apenas uma excepção relevante no arco dos personagens). O resultado prático é um frenesim de acção e perseguições, com personagens ocos de personalidade (a prova disso é provavelmente o melhor momento do filme, em que pela primeira vez não vemos o que está a acontecer e, paradoxalmente, ficamos a conhecer melhor Max). A rigor, e mais fácil identificar-me com HAL 9000 em 2001: Odisseia no Espaço do que o leque de personagens no novo Mad Max.

 

Positivo

  • Para todos os efeitos, as sequências de perseguição são divertidas
  • Realização nas dinâmicas entre planos
  • Tom Hardy

 

Negativo

  • Comparação com o material original
  • Overdose de acção
  • Personagens com motivações pequenas
  • trailer elevou as expectativas em demasia

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Lfo

Eu gostei bastante e ainda ganhei um parasol para o carro.

PS O Imortann Joe e gajo com bom gosto. Belas esposas.

Edgar Silvestre

Gostava de o ter visto mais interventivo

MarcoLopes

Esta foi das análises que menos gostei. Sem ofensa, mas o filme não é apenas um filme de ação. É a melhor história em movimento desde há muitos anos e um grande candidato aos óscares. A satirização à violência com as mulheres e um possível cenário futuro em relação à falta de água e combustível é espetacular. Dizes que é bom ser leal aos fãs, mas não achas bem a ação passar-se em demasia no deserto. Sendo assim, deves ter ficado com uma azia quando o Gravity esteve nos óscares… Já agora, atenção ás gralhas, deve-se sempre rever um texto!

Edgar Silvestre

O argumento de Babe é mais inteligente e sofisticado do que o Fury Road

Nirvanes

Oh Edgar por favor…

Edgar Silvestre

Babe foi aos Óscares, Fury Road não me parece

Nirvanes

Como se os óscares provassem o que quer que seja sobre a qualidade de um filme.

De qualquer forma podes crer que o Fury Road lá estará, nem que seja para os técnicos.
Se não estiver é por mais uma vez um bom filme se estar completamente a lixar para a ‘época’ dos candidatos a óscar e depois ficar esquecido ou ignorado.

MarcoLopes

Tudo o que disseste desde o primeiro comentário esteve absolutamente correto e fica seguro com a tua, que também é a minha opinião, pois milhares de cinéfilos admitem a grandiosidade do filme que demonstra a verdadeira genialidade de George Miller! Sou fã de Mad Max (vi os 3,sendo apenas o 2º uma obra digna) mas amo sobretudo Star Wars. É por isso que acho que até um filme com enorme hype em volta como o seu episódio VII deve sentir uma pressão ao ver aquele que é um #chupaquiFastFurious (MAD MAX FURY ROAD)

Marco Correia

qualquer filme é um #chupaaquiFastFurious xD

Marco Correia

*rir*

Marco Correia

Voltei para o anual *rir*

Nirvanes

Devo dizer que estou u bocado incrédulo. Já li tanta coisa aqui, mas nunca pensei que fosses fazer tantas criticas ao que é talvez o melhor blockbuster dos últimos anos a todos os níveis. Pudessem os filmes de super heróis ter metade desta alma e dedicação.

Acho que deves ser a única review que li que diz que o trailer elevou demais as expectativas.

Discordo de quase tudo, estou agora a ver o material original e o primeiro filme é um filme independente a tentar criar um mundo, mas que fica muito àquem e que tem sérios problemas de edição. É um fime experimental, que envelheceu muito mal, mas não é de todo um bom filme na minha opinião. O segundo sim, consegue recuperar tudo o que o primeiro tem de bom, todos os resquicios, e criar o mundo idealizado pelo George Miller. Acho que é o melhor dos 3 primeiros, apesar de não ter visto o terceiro (mas já li muitas coisas, criticas em relação a algum desfasamento… parece que o filme não era suposto ser um Mad Max originalmente, e isso diz muito). Este Fury Road é o melhor dos 4, é o expoente máximo, é o Mad Max que o Miller sempre quis fazer. Tem tudo.

Eu não consegui ver um green screen, não duvido que tu tenhas conseguido, mas dizer isso quando vamos ao cinema e 90% dos blockbusters têm cenas inteiras com CGI e este filme foi filmado sempre que possivel em real time… Até o Tom Hardy esteve preso em frente a um carro com aquela máscara em pleno deserto, em andamento. Quantos filmes fariam isto?

E não sei que criticas apontas a edição sonora, todos os motores, todas as falas, os sons ambiente, tudo muito bem feito. Podes ser mais especifico?

A beleza de Fury Road é precisamente o que criticas. A forma absolutamente singular de contrução de personagens. Não dá absolutamente nada de mão dada ao público como o popcorn flick dos tempos modernos. As personagens expressam-se por atitudes mais do que por palavras, e a falta de falas acrescenta imenso à profundidade nas mesmas e ao mistério intrinseco na história. O que tu pedes ou criticas para mim só arruinaria o toque especial do filme, seria mais um entre muitos…

Pedes picos, pedes previsibilidade na minha opinião:

“as aclamadas cenas de acção não deveriam suceder ao sabor das coincidências, mas deveriam hierarquizar em momentos em que os personagens são colocados em situações de limite, nas quais revelam o verdadeiro caracter, culminados no clímax (há apenas uma excepção relevante no arco dos personagens).”

Isto não me parece nada bem. Tu queres ver uma ópera, queres ter os momentos bem determinados… o cinema não é isso. Então onde está a desconstrução?
A aleatoriedade das situações dentro das história são bem estudadas. Estamos a falar de um episódio no universo mad max, que é um das coisas mais espectaculares neste mundo, o facto de estarmos a contar uma história dentro de um mundo sem grande explicação sobre ele. Ninguém precisa de saber como a Furiosa perdeu o braço, ou pelo que passou, está lá tudo. O mesmo para o Max, por isso é que os flashbacks nunca têm nenhum tipo de explicação ou conclusão. É tão óbvio que isto tudo é deixado assim porque cria estimulos nas pessoas. Em mim criou. Eu não quero saber o que se passou antes, não quero explicações (quero outro filme, com outro episódio isolado), nem sabia a história dos outros filmes antes de entrar para este… Só quero saber o que se está a passar neste filme, e o contexto do que se está a passar, e o que isso significa para o mundo e para as personagens.

Dizer que estes personagens são ocos é dizer que não se percebeu nada do que estava em jogo. É não perceber o mundo. Isto na minha opinião, tal como a review é a tua.

Um filme como este Mad Max numa paisagem de filmes modernos que lutam apenas para bater records de bilheteiras, que exploram os super herois até ao tutano estando-se completamente desleixados para o cinema que produzem (o Guardians of the Galaxy na Marvel é a o maior exemplo do que é fazer um filme de super herois com carácter e relevante em termos cinematográficos e de ambiente) é uma lufada de ar fresco, é a prova de que se pode fazer um filme com explosões que impressione criticos e publico.
É o blockbuster com mais alma e carácter e querer que eu vi desde que me lembro. E eu sou um gajo que normalmente não liga a estes hypes e corre dos filmes de acção e explosões gratuitas.

Para mim este ano, venha star wars venha o que vier, é o blockbuster do ano. E de certeza que vai estar bem lá no alto do meu top de filmes do ano… e isso para um filme de acção, da minha parte, é dizer muito mesmo.

Nirvanes

Já agora, que tags são essas? Angola, Brasil?
Tom Gardy é só uma grelha.

Edgar Silvestre

Qual é a motivação do personagem da Charlize Teron? Se ficas contente com um protagonista que apenas reage vais adorar os Transformers

Nirvanes

Estás a brincar? Uma personagem reacionária? Que tenta proteger as únicas mulheres que conhece, escravizadas de uma forma indigna? Depois de ter claramente um passado dificil, onde é explicado de forma breve que foi raptada? Qual é a motivação de quebrar a ditadura? De proteger pessoas que possivelmente passaram o que ela passou? De voltar para um paraíso como era casa?
Eu estou fartinho até ao tutano com estes social justice warriors da era moderna, que ainda ontem à noite quase que criaram um motim por uma cena no episódio que GoT… estas pseudo feministas que querem censurar e impingir-se sobre tudo o que é media. Mas este filme tem uma mensagem feminista forte, sem cair em nenhum tipo de facilitismo ou cliché em relação a isso. Nenhuma personagem é inutil, nem as vitimas.

Que filme foste ver Edgar?

Edgar Silvestre

Estás a enumerar uma personagem bidimensional. Um personagem não resulta se for escrito com “e”, mas sim com “mas” ou “então”. Quando ela lá se decide por um “mas”, coloca em perigo o objecto de desejo (as raparigas), o que é um contrassenso, tendo em conta a forma como a história está estruturada. Até podes alegar que o perigo estava latente desde o início da jornada, mas isso tinha deixado de ser verdade no momento da decisão. Já agora, o blockbuster deste verão será o Inside Out, onde terás a oportunidade de ver como é que as coisas são feitas

Nirvanes

E isso torna-a bidimensional em quê? Não compreendi nada do que disseste agora.
Não compreendo mesmo. O filme é straightforward. Não precisa de backgrounds, de explicações, falas desnecessárias. As personagens são bem caracterizadas através das suas acções.

Quando o objecto de desejo decide consentidamente fugir com ela já sabem ao que vão e o risco. Aliás o problema está mesmo aí, elas não são apenas ‘o objecto de desejo’. São bem mais que o mcguffin. É notório a certa altura que se uma tiver de morrer para que as outras sigam, elas estão dispostas ao sacrificio. Por várias vezes correm riscos. Não são apenas o objecto de desejo e o que move a acção.

Até podias alegar que o Max não tem motivações, agora a Furiosa?

Normalmente separo os filmes de animação para uma categoria diferente. Sei que gostas muito de animação, mas o mercado não é bem o mesmo, nem a categoria. O Mad Max concorre contra os gigantes blockbusters de acção. Os Vingadores, Homens Aranhas, Mercenários desta vida.
Mad Max é o blockbuster do ano, não em termos de dimensão, mas de qualidade. Vai ser um filme de acção de culto por muitos muitos anos, vai ser um daqueles filmes lá no topo dos exemplos de como fazer um filme de acção.

Edgar Silvestre

Eu não disse que a Furiosa não tem motivações, aliás, a verdadeira motivação da Furiosa é a vingança, por isso ela fez o que fez, e tem o respectivo clímax nesse sentido, caso tenhas estado atento. Infelizmente, essa vingança acontece por coincidência e é influenciada pelo Mad Max (convence a voltar para trás, quando o personagem da Charlize queria apenas fugir desde o início), para mim a história deveria ter sido estruturada de forma mais perspicaz. Respeito que tenhas gostado da dinâmica do filme, mas eu estava à espera de outra coisa. No Mad Max original tens um anti-herói louco, mas que perdeu a esperança na humanidade, neste Fury Road não é isso que acontece (questão da bidimensionalidade e da tridimensionalidade). O Max reage, e embora eu aceite as decisões desconcertantes, senti falta de elementos que me fizessem criar empatia com ele (o Walter White é um anti-herói e todos nós simpatizamos com ele porque está brutalmente bem escrito). Outro problema que tenho é o vilão. Sabemos que é um tirano porque é o filho do Darth Vader e o Eddie dos Iron Maiden, ao longo do filme apenas conduz um carro, e isso são as forças do antagonismo, um exército de carros e o deserto, que aliena completamente as questões filosóficas dos elementos que conduziram àquele contexto. Mas mais uma vez, já vi melhor no género e já vi melhor do George Miller

Nirvanes

Esse é o twist, a solução é voltar para onde fugiram. Nada disto foi planeado, e tal como a improvisada fuga da Furiosa, a solução só foi encontrada na forma de um plano B.
O Mad Max original é um personagem muito mal desenvolvido. Mesmo no final, onde se torna um anti heroi (será que torna mesmo? Só está a vingar a familia contra os vilões…) não tem grande credibilidade… a única real indicação em relação ao facto de se ter tornado num anti heroi vem do momento final (que pelos vistos inspirou o Saw) quando deixa um homem a oportunidade de se salvar cortando a sua própria mão.
O primeiro filme está muito mal caracterizado em termos de mundo, parece apenas passado no interior de um país meio deserto… há hospitais, lojas, mercados… pessoas vivem em relativa segurança… o primeiro filme é um esboço muito básico da ideia de George Miller, para mim o Mad Max do primeiro filme é mais bidimensional que este ou até que o do segundo filme. Não acho que o facto das suas razões serem mais explicitas o torne melhor personagem aí por exemplo.

Disseste que era bidimensional. Eu pergunto-te o que é que achas que ficou por explicar em relação a ela. O que é que faltou? Era saber como tinha perdido o braço? Era flashbacks desnecessários ao passado para ficarmos com a lágrima no canto do olho para vermos como ela sofreu tanto? Precisa de ter mais do que uma razão para a considerares tridimensionalidade?
Eu sobre a Furiosa até te digo mais… não acho que ela tenha um ódio desmedido ao Imortan Joe. Acho que está em paz com o que se passou no seu passado. Nunca sequer quis matar o Imortan Joe, apenas fugir e levar com ela as mulheres com quem tem alguma empatia e compaixão… se calhar com quem se identifica (qual terá sido o percurso da furiosa? Terá sido uma breeder também? Fica o mistério), até porque não leva as mulheres todas… fica a velhota que tratava das breeders e as mulheres que produzem o mothers milk… não digo que ela não as tenha levado para o fazer sofrer, claro que levou, mas acho que não foi a principal razão. Acho que ela estava preparada para morrer.
Daí o filme não ser propriamente uma história de vingança, daí o statement feminista.

O Walter White tem uma série de 5 temporadas Edgar. Tem a sorte de poder ser escrito em 500 situações diferentes.
Aqui estamos a falar de um episódio isolado num mundo. Aliás parte do brilhantismo do filme é o facto de se passar apenas durante este episódio especifico sem grandes ramificações por entre plots diferentes (como o segundo filme pelo menos – que não é o caso do primeiro que tem vários ‘actos’, mal organizados ainda por cima).
O Max é que é o elemento condutor nesta história, não é o Mcguffin mas é a desculpa de estarmos a presenciar a situação. A história é sobre o seu ponto de vista de uma forma ou de outra. Eu gostei imenso das escassas falas (no segundo filme acho que tem 16…), porque quase tudo o que era preciso saber sobre ele estava lá escrito visualmente – é perseguido pelos seus fantasmas, dador universal, está perdido e sem rumo e de passagem – o facto do acaso o levar a certa altura tomar o partido da furiosa é importante para a compreensão do personagem, porque na primeira hora ele não é mais que quase um elemento exterior a toda a situação.

Nem o Toecutter nem o Humungus são melhores que o Imortan Joe. Mas concordo contigo, ele não é um vilão para relembrar, tirando visualmente. Mas não era preciso mais sinceramente. De novo, tudo o que é preciso saber dele sabemos. Sabemos o que é que ele tem que os outros não, que provavelmente nem vai viver muito tempo, que tem um filho à sua imagem e à imagem do seu exército… todo o non sense do filme explica-se bem dentro do universo non sense. Precisamos mesmo de saber a lógica dos rituais que aqueles doidos todos têm? É uma questão de mergulhar no mundo.
O que ele terá mais que os outros é o espirito de liderança. O que tinha o Toecutter mais que os outros? E o Humungus? Ambos morrem de uma forma caricatural e ridicula por exemplo. Uma morte estupida não por ser indigna, mas porque não está bem feita de acordo com as caracteristicas supostamente ‘superiores’ dos personagens. Quem o Max deveria ter prendido naquelas algemas no primeiro filme era o Toecutter.

Edgar Silvestre

Conheces o Walter White e crias empatia com ele no primeiro episódio (não precisas das restantes 5 temporadas). Se a principal motivação da Furiosa era afastar as mulheres do vilão, por carga de água ela volta atrás? A solução encontrada só as coloca em risco mais uma vez, vai contra a premissa e a natureza das acções do personagem. Mas pronto, reconheço que não é fácil escrever um guião imaculado. De todos os personagens, o mais interessante, pelo arco que faz, é o do Nicholas Hoult. Sentimos a transformação, o conhecimento e o enquadramento do personagem naquele universo. Se todos os personagens tivessem uma catase com a mesma qualidade, o filme teria sido muito melhor. Isto vem nos manuais básicos da escrita de argumentos, quanto melhor é o personagem, melhor é a história. Os elementos não podem aparecer como quem coloca canela num pastel de nata

Nirvanes

Por acaso discordo. Para mim o momento que me marcou no BB foi a morte do Crazy 8(?), no episódio 3. Acho que esse é o verdadeiro momento de viragem para mim. Não tenho qualquer tipo de empatia com o Walter White nos primeiros episódios para além do facto de ser um mero protagonista.

De qualquer forma são coisas muito diferentes, são formas muito diferentes de se explorar narrativa. O BB mostra muito mais background para contextualizar as personagens, o Mad Max não, faz parte.

Ela volta atrás depois de saber que as pode libertar das ‘correntes’ e da ditadura derrotando o vilão no seu próprio jogo, a caminho do que era agora a sua casa, a casa de todos os intervenientes… o único sitio onde podiam voltar a viver e não apenas sobreviver. Quando o plano é falado imediatamente dizem que a ideia é conseguir bloquear a passagem do Imortan e dos outros.

Acho que é um momento de realização de que a melhor solução não era fugir mas sim lutar directamente contra o vilão. A realização de que precisavam de outro líder. Que a ideia que o vilão era bem amado por todos era errada.

O Nux é o personagem com o arco mais bem definido, não acho que isso o faça melhor, apenas diferente. Também é o personagem com o arco mais previsível de todos. É uma boa variável em termos de personagem.

Eu acho que a história vive por si só. Estive a ver a conferência do George Miller em Cannes e ele diz algo muito interessante, citando o Hitchcock: “I wanted to make a film that could be understood in Japan without subtitles”.
É tudo muito claro e perceptível. O que não é está nas entrelinhas o que dá um carácter ainda mais especial ao filme… tal como disse, eu não quero saber o que aconteceu ao braço da Furiosa, o facto de estar lá fala sobre a personagem.

Edgar Silvestre

Em relação ao Breaking Bad, crias empatia com o Walter White no primeiro episódio (uma pessoa sem nada a perder), a morte do Crazy 8 é uma situação limite em que o personagem revela o verdadeiro caracter (é efectivamente capaz de tudo), são dois momentos distintos das técnicas narrativas. Mas sim, numa série esses momentos são mais respirados, mas isso não invalida que um filme não os tenha. Continuo a não conhecer o protagonista (Max) e as decisões da Furiosa continuam a ir contra o perfil do personagem. Falas do Hitchcok. Para mim, o momento em que o Max decide ajuda-las e o momento em que decidem voltar para trás, são completamente WTF. Alegares que é para libertar da tirania e coisas assim, isso é wishfull thinking. Para mim, na melhor das hipóteses, o Max procura redenção. O plot point e o mid-point (pontos de não retorno) não foram preparados de forma sofisticada e não possuem conteúdo emocional. Teria sido bem feito se o filme tivesse preparado o regresso à Cidadela, com set ups nesse sentido. Há demasiadas coisas random, como o momento em que o Vilão percebe que vão voltar para a Cidadela, (ele tem uma bola de cristal ou binóculos?), ou a decisão dos protagonistas em tomar a Cidadela porque há pessoas doentes e frágeis (essas pessoas comiam-nos vivos no primeiro segundo) e o combate com o tipo da guitarra… estava a ver o filme e pensei para mim, “ok, isto é escrita preguiçosa, felizmente vem mais acção”.

Disseste: “Eu acho que a história vive por si só.” Não podes dissociar história de personagens em cinema, nunca.

Nirvanes

Eles querem que tu cries, mas eu não tive grande empatia com ele, até acho que o pilot não é lá grande coisa sinceramente. O game changer para mim é o terceiro episódio. É o episódio onde ele se torna o anti herói definitivamente.
Mas pronto chegamos à conclusão que tem muito mais tempo para respirar. São 50 minutos de um pilot e uma série dedicados a montar uma personagem na esperança de poder continuar a montar durante 5 temporadas.

O momento que o Max decide ajudá-las é natural, é uma extensão do que se conhece dele do passado. Caramba no segundo filme não viste o Max a levar o camião no final sem pedir nada em troca? Até podias alegar que era por uma questão de vingança, eu não interpretei assim, mas se alegas isso também podes dizer que ajudá-las é uma questão de vingança ao que lhe fizeram.
E o momento de seguir para trás é o twist, já foi explicado que estava planeado conseguir barrar a passagem. É o momento em que percebem que andar 160 dias sobre o deserto podia fazer com que sobrevivessem à perseguição mas sem qualquer tipo de certezas quanto ao que poderiam encontrar. Voltam ao único sítio onde têm a certeza que terão as condições de vida que devem ter.
Nenhum de nós teria a certeza sobre como seriam recebidos, mas foi um risco. Tinham a esperança de que acontecesse aquilo.
Mas porque é que o Max tem de procurar alguma coisa em especial? O Max é apenas acessório ao episódio, é o nosso ponto de vista. É o estranho, o outsider, o Max queria fugir e depois queria ajudar. Há necessidade de procurar alguma coisa de especial? É preciso ler assim tanto?
Existe muito subtexto no filme.
O filme nem sequer cai no facilitismo de fazer beijar o Max e a Furiosa, sendo o momento em que a salva algo relativamente diferente de quase todos as tropes do cinema.

O vilão percebe que vão voltar à citadela? Huh? O vilão escuta o camião a passar por perto… estás a ver Edgar? Estás a ser muito picky com certas coisas. O vilão percebe que vão voltar porque vão precisamente pelo mesmo caminho, e passam por eles onde estava a ‘acampar’, ouve o são do ‘big rig’ (do que me lembro).

Mentira, é demonstrada a admiração pela Furiosa logo no ínicio do filme. Aquelas pessoas não fariam mal a uma mosca. Tristemente elas precisam de um líder, alguém para adorar. Elas nunca matariam o Imortan Jon na mesma situação que a Furiosa aparece no final… aliás, elas de certeza que o receberam vezes, vezes sem conta em outras vitórias.

Houve algum combate directo com o homem da guitarra? Ele é usado ali numas cenas com o Max, mas nada de especial… não é propriamente um combate.
Não sei como é que podes considerar uma cena dessas escrita preguiçosa sinceramente…

Por estes dois pormenores vê-se que estás a interpretar muitas coisas mal, se calhar até pela a ovação global que levou até foste para o cinema mais céptico.

Concordo, a questão é que é um mundo que tem muito a dizer por si só. Obviamente que se eu não gostasse das personagens não tinha gostado tanto do filme.

Edgar Silvestre

Eu acho que já enumerei problemas no filme, suficientes para sustentar a minha opinião. O filme é giro, foi divertido q.b., tem alguns problemas que me deixaram inquieto. Mas isto sou eu que tenho uma visão mais educada do processo de escrita a de realização. Concordo numa coisa, a Teron e o Hardy têm imensa química e evitaram o caso amoroso. Embora não seja uma decisão original, acho que funciona me favor do enquadramento daquele mundo.

Kelda

Eu sou uma grande fã da trilogia original e eu amei este filme!
Está excelente e para mim o Tom Hardy esteve à altura!
Um dos melhores filmes do ano!

Edgar Silvestre

concordo, o Tom Hardy esteve à altura

Leonsuper

Não percebo a review, este filme é muito bom! Será certamente um dos melhores do ano e, na minha opinião, é, de longe, o melhor da série.

Não reparei em nenhum problema relativo à edição sonora e não detectei nenhum green screen. Gostei muito dos efeitos especiais e o deserto é um cenário simples, mas excelente. A maneira como é utilizado é muito boa, permitindo a existência de espaços muito abertos para as cenas de acção e ao mesmo tempo tendo alguns obstáculos para certos momentos, para além de contribuir para o padrão de cores utilizado no filme, que está muito fixe.

As personagens estão bem construídas e acho que dá para perceber bem as motivações e que estas justificam as suas acções. A história é simples, mas funciona bem assim, até porque não é esse o foco do filme, e tudo o que precisas de saber sobre as personagens e sobre o contexto da acção pode ser percebido através dos visuais. Isso até torna certas personagens mais interessantes, devido ao mistério. Acaba por ser muito mais interessante do que estar a contar tudo directamente. Para além disso, isto faz com que o universo do filme fique extremamente interessante e é uma boa maneira de manter a audiência atenta de maneira a detectar mais pormenores.

O filme é realmente uma overdose de acção, como disseste, mas acho que isso é um ponto positivo, tendo em conta o quão bem feitas e realizadas estas estão.

Não percebo minimamente o facto do trailer ter elevado as tuas expectativas em demasia ser um ponto negativo. Isto é sobre o filme, não sobre o trailer, e não acho justo considerar o filme pior só porque o trailer está muito bem feito. São duas coisas diferentes e a qualidade de uma não influência em nada a qualidade da outra. Isto é uma review sobre o filme, não sobre o filme e sobre os trailers… Ainda por cima há muita gente que vai ver o filme sem ver o trailer, que é o que eu faço com a maior parte dos filmes que vejo.

Edgar Silvestre

Gostei daquilo que disseste. Em relação ao som, as falas são dobradas, captadas em estúdio e aplicadas à posteriori (seria impossível gravar o som com o barulho dos motores). Senti grandes problemas ao nível da sincronização dos lábios e da panorâmica sonora.

Em relação à história, fizeste entender porque gostaste, mas acho que também me fiz entender (e fundamentei) porque fiquei insatisfeito. Não é uma analise contracorrente, é uma analise sobre outras perspectiva

Leonsuper

A sério? Acredito que possam existir, mas não reparei em nenhuma falha nesses aspectos.

Sim, a review transmite bem o que queres dizer, só não acho que a maior parte das tuas críticas façam sentido. Quando vir o filme pela segunda vez duvido que a minha opinião vá mudar, mas talvez consiga perceber melhor o teu ponto de vista.

Edgar Silvestre

O problema do som pode ter sido do sistema de audio da sala, não é impossível, mas repara nas deixas do Tom Hardy, que deve ter gravado as cenas com sotaque britânico e regravou com sotaque mais americanizado. Eu acho que as minhas criticas fazem sentido, tens apenas um personagem que desencanta um arco bem definido e o filme só tinha a ganhar com um vilão mais presente (o vilanismo acontece off screen).

Sobre o filme, gostarias de ver uma sequela igual ao primeiro? Eu gostava de ver um filme mais centrado no Max, no qual ele efrentasse um antagonista ao mesmo nível (loucura e determinação)

Leonsuper

Talvez tenha sido isso. Discordo, mas pronto, são opiniões diferentes, acontece… xD

Um filme mais centrado no Max bem feito seria bom, mas uma nova personagem principal no lugar da Furiosa e o Max mais uma vez num papel secundário também. Assim até podia haver mais variedade de filme para filme. Espero é que mantenham a qualidade e quantidade de acção deste filme e que continuem a contar muito através dos cenários, vestuários, acções das personagens, etc. em vez de contarem tudo directamente. Isso é para mim um dos aspectos principais que destaca este filme dos outros do género e acho que é importante mantê-lo.

Edgar Silvestre

não podes discordar em relação à sonorização, é assim que é feito; falas gravadas em pós-produção

Leonsuper

Sim, pelo que me lembro é bem possível, apesar de não ter tido nada de negativo a apontar nesse aspecto quando vi. O “discordo” era para a segunda frase. :v

Miguel Simões

Eu se calhar entendo um bocado o lado do Edgar. Um filme de Hollywood tem de contar uma história minimamente credível. Eu gostei da história…quer d’zer… eu não lhe chamaria historia, talvez LORE XD mas gostei da maneira como a sociedade foi construida e como foi retratado no filme. No entanto a historia principal- da Furiosa (actually is “Fiuriousa” XD)- estava muito mal explorada. Soube a pouco e foi deixada para 2º ou 3º plano…já nem falo da de Max. No entanto, como filme de ação, e essa foi a premissa principal do filme (se formos a ver Fast and Furious tem histórias horriveis e só vende pela acção em si). Nesse aspeto o filme é 10/10. Acção sem parar e em vez de se tornar monotono, torna-se cada vez melhor. E o melhor que geralmente os filmes de acção não sabem fazer e este fez de uma forma brutal- soube acabar. Soube abrandar a acção para dar lugar aos creditos. Muito bom. Gostei, no entanto não acho que seja o melhor filme dos ultimos tempos. Mas é o melhor filme de ação do ano. Isso não duvido 🙂

Edgar Silvestre

A minha cena favorita do filme não tem acção, aliás, nem ocorre no ecrã. É quando o Max sai para o nevoeiro e limpa o sarampo a uns poucos que os perseguiam. Sem diálogo, sem acção, mas altamente revelador do personagem e do ambiente em redor (uma pessoa desarmada perante aquele mundo). Não preciso que verbalizem em diálogo os desejos dos personagens, mas gostava que tivessem desenvolvido mais aquelas pessoas, a história e o universo criado. Acho que podem melhorar no próximo filme

Miguel Simões

Nesse aspeto estou super de acordo. Mas se a ideia for fazer uma outra trilogia eu acho que já falharam muito. I mean, no 1º têem de introduzir o mundo e tal e isso, tal como disse, fizeram brilhantemente, mas deviam de ter desenvolvido o Max ou a Furiosa ou o personagem principal que eles entenderem para isto…e isso não fizeram. Mas dai a ser um filme de ação medíocre…desculpa mas não acho. e como este é um filme de ação eu acho que podemos considerar que é um filme muito bom

Edgar Silvestre

eu não entendo que seja um filme de acção mediocre. aliás, é dos filmes de acção mais dinamicos que vi recentemente. Seria mais empolgante se estivesse mais investido nos personagens, só isso.

Para o plot do segundo filme, gostava de ver a Furiosa como vilã. Seria um arco interessante e poderiamso virar o Max contra ela

Ricardo S.

Eddgar, devo dizer que não posso concordar com a tua opinião que “as personagens têm motivações pequenas”. Podem ser simplistas, mas isso não quer dizer que sejam “pequenas”.

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