Análise – Live a Live

Sendo inteiramente honesto, Live a Live é um dos jogos que ignorei durante bastante tempo e isto como um fã dos RPGs da era da Super Nintendo. Earthbound, Terranigma ou até Secret of Mana trazem-me boas memórias, mas até aos dias de hoje Live a Live ficou-me fora do radar até por ter sido um jogo lançado apenas no Japão.

Temos em mãos um RPG que conta sete histórias distintas que decorrem em várias eras. Focado em personagens específicas, vamos conhecer os seus dilemas e acompanhá-los para que tenham o melhor desfecho possível. Cada história está bem construída e deixa-nos pregados ao ecrã para saber o que vai acontecer a seguir. A minha única crítica neste sentido na duração de alguma delas, onde apesar de serem sete no total, eu fiquei a desejar um pouco mais de desenvolvimento em algumas das presentes.

O que todas estas histórias têm em comum: o tipo de combate por turnos com um enfoque na movimentação por grelhas. Podemos atacar ou usar items, mas mesmo assim cada história traz algo distinto para cada uma das personagens. Na história da China Imperial, o protagonista ensina habilidades a outras personagens, no Japão Feudal podemos criar armadilhas no cenário e no Faroeste atacar de longa distância. Tudo isto funciona um pouco como várias classes de combatentes espalhadas por várias histórias.

Um dos pontos interessantes deste jogo centra-se no upgrade visual que se centra na técnica de misturar modelos e cenários 2D mas com uma perspectiva 3D, tal como aconteceu com Octopath Traveler, técnica esta por vezes denominada como HD-2D. O presidente da Square-Enix, Yosuke Matsuda, já se mostrou receptivo em trazer clássicos de volta a vida desta a forma e Live a Live é uma dessas apostas mais recentes. Toda a estética serve bem o jogo e é nos possível ver toda a tecnologia em funcionamento com vários tipos de cenários e temas.

Isto leva-nos para toda a estética visual do jogo e que nos fornece uma enorme variedade dentro do tema em questão. Muito dificilmente ficaremos entediados e isto graças às várias paletes de cores que compõem o pano de fundo deste jogo. Para o tema do Japão Feudal as cores mais escuras como azul e roxo mostram-se predominantes enquanto que a pré-história está carregada de castanhos e vermelhos. Não houve só uma simples conversão dos modelos e personagens do jogo clássico, estando estas mais trabalhadas mas sem desvirtuar o que havia sido feito originalmente.

A adição de actuações de voz dá uma nova vida a toda a experiência. Algumas delas muito boas, enquanto que outras esforçam-se demasiado para conseguir replicar um certo grupo étnico e o resultado é um pouco cómico por vezes. A banda sonora foi toda recriada com as capacidades sonoras de hoje em dia e posso dizer que se as composições têm uma excelente qualidade e complementam todo o ambiente.

Live a Live pode ser considerado como um dos grandes RPGs da Super Nintendo que passou despercebido do meu radar e de muitos outros. Esta é a uma excelente oportunidade de experimentar este jogo com um tema bastante único para a sua altura. A maneira como o jogo traz temas e estilos de jogo dentro do mesmo modelo RPG é o ponto a destacar de Live a Live. O estúdio fez um bom trabalho em tornar todas as curtas histórias e interessantes até ao fim sem recorrer à repetição ou copiar elementos.

Este é um jogo extremamente recomendado e mais uma grande vitória da Square-Enix. A companhia escolheu ressuscitar um projecto único que merecia ter uma segunda vida.

Positivo:

  • Consistência de cada história
  • Temas únicos
  • Elementos únicos apesar da jogabilidade ser igual entre cada história
  • Aspecto visual muito bem conseguido

Negativo:

  • Actuações de voz são um misto entre bom e forçadas
  • Duração de alguns capítulos

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram