Análise – Knack 2

Como é costume no mundo dos videojogos, existe sempre aquela altura de lançamento de uma consola onde alguns jogos são os sacrificados em praça pública para criar um primeiro grande impacto.

Knack foi um desses jogos. Lançado na altura em que a PS4 via a luz do dia finalmente, Knack era aquele misto entre uma demo técnica alargada, um jogo para apelar aos mais novos e uma aventura que tinha de ajudar a justificar a compra da consola.

Se por um lado, Knack conseguiu ainda ser relevante por ser um dos jogos de lançamento, por outro, deixou bastante a desejar, não sendo propriamente fácil para os mais novos e bastante vazio para os mais velhos.

Apesar de tudo, Knack está de regresso, com Knack 2, uma nova tentativa de dar um rumo à série e tornar o universo em algo relevante, nem que seja apenas para os mais novos ou fãs dos jogos de plataformas.

Tendo jogado o primeiro, sabia onde Knack tinha de melhorar, mas as expectativas não estavam muito elevadas. Alguns elementos podiam ser afinados e algumas coisas melhoradas, mas era preciso dar mais vida à aventura para valer a pena dar mais uma hipótese ao jogo.

A primeira coisa que Knack 2 nos mostra é que tudo foi trabalhado para parecer mais uma aventura de proporções épicas, a qual faz lembrar até o estilo de desenvolvimento de algo como um Uncharted (embora com menos impacto e personagens menos interessantes). A narrativa pode não ser nada de especial, mas está melhor que o primeiro jogo, o que nos leva a visitar locais bem variados e com temáticas diferentes.

Na sua base, Knack 2 continua a ser um jogo que mistura plataformas com combate e puzzles. Sem dúvida alguma, as plataformas são a melhor parte de Knack, especialmente quando se misturam com alguns dos puzzles mais inteligentes. A forma como tudo está construído, leva-nos a avançar rapidamente pelos cenários, interligando as habilidades de Knack sem grandes problemas.

No que respeita ao combate, Knack 2 expande um pouco do que era no original, deixando para trás a sua tenacidade no que toca ao dano que podíamos sofrer. Existe um leque mais vasto de habilidades que podemos desbloquear e que dão bastante jeito ao longo da aventura, especialmente tendo em conta que surgem inimigos com posturas, ataques e defesas diferentes. Knack ainda consegue absorver materiais dos elementos que o rodeia para ficar maior e coberto em gelo ou metal.

Apesar de não ser um jogo demasiado fácil, Knack acaba por beneficiar com alguns elementos que nos facilitam imenso a vida. Um deles é o sistema de checkpoint que costuma activar perto de onde morrermos, outro são as dicas que surgem para nos ajudar quando não sabemos bem o que fazer. É algo que pode dar bastante jeito em especial aos mais novos.

Se quiserem, podem partilhar ainda a aventura com outra pessoa com a utilização do sistema de coop. Aqui o segundo jogador pode entrar e sair quando quiser, não sendo um fardo mesmo quando se atrasa. O combate é facilitado com os dois jogadores, com a hipótese de usar mais habilidades especiais entre os dois.

No que respeita à longevidade, Knack 2 não é um jogo grande e tem pouco incentivo para repetir mesmo com um New Game+. O maior incentivo passa sim por descobrir todos os coleccionáveis e realizar os desafios extra que podem encontrar em cada nível terminado.

Visualmente, Knack 2 é um misto de bom e razoável. Muitos dos elementos e cenários são bastante banais, a passo que consegue criar muita confusão no ecrã e juntar muito detalhe quando todas as peças do corpo de Knack mexem ou rebolam pelo chão quando passamos para o modo minorca. A música é bastante razoável para o que se pretende, havendo também uma localização para português de Portugal. As vozes são também bastante boas, mesmo estando uns furos atrás da versão original.

Knack 2 é claramente o jogo que o primeiro devia ter sido, por isso já chega algo datado em 2017. De qualquer forma, é bom ver que a equipa da Japan Studio e Mark Cerny estão no bom caminho. A continuar assim, Knack 3 pode vir a ser uma das referências de plataformas da Playstation.

Positivo:

  • Expansão do universo
  • Jogabilidade melhorada
  • Cenários variados
  • Co-op local

Negativo:

  • História e personagens básicos
  • Visual misto
  • Podia ter mais para fazer

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