Análise – inFamous: Second Son

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É espantoso como algumas produtoras de videojogos conseguem assumir estados totalmente camaleônicos e criar jogos realmente diferentes dos anteriores.

Lembram-se de Jak and Daxter? Olhem para Uncharted e The Last of Us. Lembram-se de Sly Cooper, vejam a saga inFamous. Exemplos perfeitos de como um estúdio consegue criar jogos que exploram áreas e públicos bastante distintos.

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Depois de dois jogos que tiveram uma recepção bastante positiva, a Sucker Punch meteu mãos à obra e começou a trabalhar em inFamous: Second Son, um novo jogo, com um novo protagonista, novos poderes e uma localização real para explorar. As expectativas são grandes para este que é um dos grandes exclusivos da PS4 deste ano. Será também o melhor da consola?

inFamous: Second Son rompe com o passado da série. Cole está é apenas uma memória e agora as luzes da ribalta apontam para Delsin Rowe, um jovem que leva a vida de forma despreocupada, infernizando a vida do seu irmão Reggie e interagindo com a sua comunidade de descendência nativo americana. Pode não ser uma personagem com uma personalidade fácil de gostar, mas tem um certo carisma que o torna real.

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A vida de Delsin parecia tranquila, até um dia em que uma carrinha de Condutores (portadores de poderes) tem um acidente na sua aldeia e este descobre de forma forçada que consegue absorver os poderes de um Condutor primário. Rotulado agora como uma ameaça, Delsin vai tentar obter vingança sobre a DUP, a organização do estado que luta contra os condutores, e ganhar o poder para curar alguns dos elementos da sua aldeia que foram atacados pela líder da organização.

Em termos de jogabilidade, inFamous: Second Son continua a ser inFamous seja por que direcção quisermos olhar para ele. Seja pela exploração, movimentação de personagem, combate e utilização de poderes, não existe aqui muito que enganar. Estamos a falar de um jogo de acção e plataformas em mundo aberto com o qual podem interagir e usar como palco de combate e exploração.


Vejam também a nossa entrevista com Ken Schramm da Sucker Punch

Tal como nos anteriores, inFamous: Second Son tem uma jogabilidade bastante sólida, mas a nova geração permitiu criar um jogo ainda mais fluído, dinâmico e bem mais solto que nos anteriores. Os poderes começam a ser introduzidos bem mais cedo que nos primeiros jogos, o que facilita a movimentação mais rápida pela cidade e nos faz gastar menos tempo a ir do ponto A ao ponto B ou a trepar pelos edifícios acima.

Sendo um mundo aberto, é claro que que só se vão focar apenas na história principal se quiserem perder uma panóplia de actividades que encontram nesta Seattle. Mal cheguei à cidade, dei por mim a partir imediatamente à procura de fragmentos de poder para poder evoluir a personagem, fazer missões secundárias para libertar a cidade do controlo da DUP ou fazer pequenos desafios para aumentar a minha barra de herói/vilão. Embora as missões se repitam um bocado e não exista uma vasta selecção, variam o suficiente para entreter entre as missões principais.

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Já que falamos em escolhas entre o lado mau e o bom, tenho a dizer que tenho pena que a Sucker Punch não tenha criado um sistema de escolhas mais cinzento do que preto ou branco. Aqui escolhem se querem ser maus ou bons e as escolhas são óbvias, era bem mais interessante que estas fossem menos gritantes e ao escolher um caminho, este nos levasse numa destas direcções de forma menos clara. Vendo pelo lado positivo, agora ao escolher cada um dos lados, as reacções das personagens que nos rodeiam mudam imediatamente e vemos que estas afectam de forma positiva ou negativa a nossa influência, por isso vale bem a pena repetir o jogo para ver os dois lados da mesma moeda e experimentar os poderes que desbloqueamos dessa forma.

Passando então para os poderes, gostei bastante dos que foram incluídos nesta aventura. Estamos a falar de poderes bastante diferentes do habitual, como fumo ou neon, mas estes são bastante divertidos de usar e têm várias nuances que os diferenciam além do aspecto visual. Todos os poderes podem (e devem) ser melhorados através do sistema de evolução do jogo, o qual liberta ainda mais poderes ou diminui o consumo de nergia ao usar cada um deles.

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A campanha ainda demora umas boas horas a terminar, mas é obrigatório explorar todos os recantos de Seattle, pois a Sucker Punch conseguiu criar um mundo de jogo muito convincente e orgânico que gostei bastante de visitar, e que me estava sempre a convidar para desviar das missões de história para fazer mais um ou outro desafio extra.

Agora chegou a altura de falar do aspecto do jogo e todos querem saber se inFamous: Second Son já começa a provar que a nova geração é um salto de gigante. A resposta é apenas uma: Sim.

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Confesso que fiquei realmente impressionado por todo o detalhe e qualidade gráfica aplicada ao jogo, seja pelas personagens, os cenários, os efeitos de luz ou até climatéricos (tem da melhor chuva que já vi num jogo até hoje), inFamous: Second Son mostra o poder da nova geração e deixa bem claro que existe mesmo diferença entre a nova geração e a anterior. Podem ver vídeos ou ver imagens, mas é ao jogar que vão conseguir ver o quão bom é realmente o visual do jogo.

Mas o trabalho visual não é o único ponto digno de louvor na apresentação de inFamous: Second Son. A banda sonora é fantástica e merece ser ouvida mesmo fora do jogo (até a estou a ouvir enquanto estou a escrever esta análise), as vozes estão muito boas no geral e encaixam perfeitamente nas personagens e os sons criados tanto para o ambiente da cidade como para os poderes é um autêntico mimo. Quanto à versão portuguesa, posso dizer que a qualidade é bastante aceitável e os actores fizeram um bom trabalho, se bem que a forma “cool” de falar de Delsin não soa tão bem quando é passada para português, embora o Diogo Morgado faça o seu melhor para que pareça mais natural.

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Ao longo do meu tempo de jogo, acabei por ver alguns bugs típicos de mundo aberto, como destroços ou inimigos que ficam presos no cenário ou a flutuar e alguma detecção de colisão confusa em momentos com muitos destroços no cenário. Felizmente, nada que estrague a experiência ou torne o jogo injogável.

Desde que inFamous: Second Son foi revelado que muitos mostraram a sua insatisfação com o jogo ser mais do mesmo. Bem, eu só tenho a dizer que isso é o que faz desta sequela um jogo tão bom, e se os FPS usam sempre a mesma jogabilidade ou os um jogo de futebol, não vejo mal nenhum que este jogo seja fiel à sua jogabilidade clássica. Estamos a falar de uma evolução e melhoramento de um sistema de jogo altamente divertido, e quem resolver ignorá-lo por parecer igual aos anteriores, vai estar a perder um dos grandes jogos do ano.

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As expectativas estavam extremamente elevadas e havia bastante pressão sobre inFamous: Second Son por ser um dos primeiros grandes jogos da PS4 para 2014. Pode não ter resultado num jogo perfeito ou venha a adquirir o estatuto de clássico, mas é um dos melhores jogos do ano para já.


Vejam também a nossa vídeo-análise de inFamous: Second Son

Positivo:

  • Visual realmente next-genpn-recomendado-ana
  • Boa selecção de poderes
  • Escolher entre bem e mal altera história e poderes
  • Personagens carismáticas
  • Seattle é uma cidade viva

Negativo:

  • Escolhas óbvias entre bem e mal
  • Missões alternativas podiam ser mais variadas
  • Atitude do Delsin fazem dele uma personagem difícil

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