Análise – Hyperdimension Neptunia Victory

Depois de vários anos em que os RPG japoneses foram considerados a “raia miúda”  do género, 2013 já provou que o género está vivo e de boa saúde com jogos como Ni No Kuni e Persona 4 Golden. Para aproveitar este regresso, a NIS America lançou na Europa Hyperdimension Neptunia Victory, o novo jogo da série RPG tipicamente japonesa.

Sejam bem vindos à Gameindustri, um mundo recheado de personagens “fofinhas”, visuais ao estilo Anime, uma série enorme de referências ao mundo dos videojogos e alguns diálogos picantes a roçar o lésbico.

No meio de tudo isto está Neptunia, uma CPU responsável por uma das cidades deste mundo. A aparente paz faz com que as CPU de cada cidade vivam uma vida pacata e recheada de actividades pouco responsáveis. Como é costume, esta irresponsabilidade não dura para sempre e uma crise volta a assolar a vida das CPU.

Hyperdimension Neptunia Victory é uma aventura recheada de diálogos, exploração de zonas ao estilo de masmorras e combates por turnos ligeiramente diferentes do sistema clássico.

Quando exploram as cidades do jogo, vão ver os mapas e ter conversas com as personagens em planos com desenhos em 2D. Curiosamente, Hyperdimension Neptunia Victory utiliza modelos em 3D para os diálogos que embora pareçam estáticos, oferecem uma série de movimentos que ajudam a dar mais vida à personagem.

Já nas “dungeons” que podem ser locais fechados ou ao ar livre, controlam a personagem num visual tridimensional, podendo atacar os inimigos que estão presentes no cenário, assim como saltar por plataformas ou descobrir items nos cenários.

Quando entram em combate, são colocados numa arena onde podem mover as vossas personagens por turnos até um certo limite de área  Como este sistema funciona por terreno envolvente, até os ataques directos podem influenciar vários inimigos ao mesmo tempo. Existe também a possibilidade de sacrificar algum MP e activar a transformação avançada para ganhar mais força e novos ataques.

Este sistema de combate é realmente divertido e funciona bem, embora não sendo totalmente inédito. Só é pena que alguns dos inimigos sejam realmente pouco inteligentes e sejam repetidos em demasia.

Outro problema visível de Hyperdimension Neptunia Victory é a sua framerate, tanto em exploração como dentro dos combates, a qual parece arrastar a imagem de forma constante. É difícil perceber como um jogo com áreas tão pequenas sofre deste problema.

Visualmente, estamos a falar de um jogo que tem os seus momentos de beleza, em certa forma auxiliados pelo seu aspecto Anime colorido. O desenho das personagens é cliché mas altamente apelativo e de forma global, os modelos das personagens e inimigos em 3D cumprem o seu propósito.

Onde Hyperdimension Neptunia Victory acaba por fraquejar uma vez mais, é no trabalho vocal. As vozes em inglês conseguem ser realmente irritantes em alguns dos casos, e especialmente através das falas repetitivas tidas em combate. É uma pena porque no geral, os diálogos são divertidos e ter uma personagem com uma voz estereotipada transforma uma boa piada num diálogo pateta. Felizmente podem mudar as vozes para a versão original em japonês. A música é bastante boa e consegue compensar de certa forma, mas não está ao nível de um RPG épico.

Sendo um RPG japonês , podem contar com mais de três dezenas de horas de jogo e ainda mais tempo caso resolvam aceitar todas as missões alternativas disponíveis na Guild ou tencionem desbloquear todos os extras.

Apesar de ser um bom RPG japonês, Hyperdimension Neptunia Victory acaba por ser inferior aos dois exemplos que referi no início da análise. Os jogadores mais casuais vão vê-lo como um jogo infantil e que se esforça demais para ter piada, porém, é sem sombra de dúvida uma excelente aposta para os fãs de Anime e de RPG da velha guarda.

Positvo:

  • Visual anime apelativo
  • Personagens divertidas e com humor
  • Combate por turnos bem conseguido
  • Várias referências inteligentes ao mundo dos videojogos
  • Podem escolher vozes em japonês

Negativo:

  • Fluídez em arrasto permanente
  • Gráficos algo datados
  • Muitas vozes estereotipadas irritantes na versão inglesa
  • Alguns diálogos são demasiado longos e sem fundamento para tal

Daniel Silvestre
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