Análise – Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series

A aquisição de propriedades licenciadas por parte da Telltale tornou-se algo comum nos últimos anos, portanto, não foi de estranhar que este estúdio tenha adquirido a licença da Marvel para trabalhar num jogo focado nos Guardians Of The Galaxy. Assim, e aproveitando a onda de popularidade que estas personagens ganharam com o filme homólogo de 2014 e de 2017, chegou Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series, um jogo episódico composto por cinco partes, que aproveita tanto as bases do Marvel Cinematic Universe, como também das comicsbooks, para criar algo totalmente novo e único.

Beneficiando do embalo e sucesso do filme de mesmo nome, Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series não perde tempo com histórias de origens ou introduções com exposição, somos imediatamente colocados na ação. Contudo, para quem desconhece, esta equipa é constituída por Starlord, mais conhecido por Peter Quill, o seu líder, e ainda por Rocket Raccoon, Groot, Gamora e Drax. Todos estes “heróis” acabaram por juntar-se em equipa, formando muito provavelmente uma das uniões mais peculiares da Mavel.

O jogo faz questão de utilizar a ferramenta do Codex, cuja utilidade nos permite saber com mais detalhes informações de determinadas personagens ou localizações, para ajudar os menos entendedores a conhecer mais acerca deste universo rico em detalhes e pormenores. Contudo, o segredo deste jogo (e como se tornou hábito em jogos da Telltale) reside na história e nas respectivas “escolhas” que tomamos, que “alteraram” o rumo desta última. O porquê do uso das aspas prende-se com a falsa ilusão de poder que este tipo de jogos é conhecido.

Pois apesar de até certo ponto termos determinadas ações que alteraram drasticamente o rumo da história, a grande maioria, acaba por ter pouca ou nenhuma relevância, ou sequer impacto no fio condutor principal de Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series. Logo é aconselhável a levarem em conta, que apesar das decisões que tomem, o jogo já tem uma rota pré-estabelecida onde e como quer chegar ao final, tendo lá pelo meio e no seu desfecho, algumas escolhas impactantes, que essas sim fazem a diferença.

Seja como for, a história central deste jogo, gira em torno de um artefacto chamado Eternity Forge. O qual contém poderes capazes de ressuscitar alguém dos mortos ou de curar alguém, assim a equipa dos Guardians Of The Galaxy terá de navegar pela galáxia em busca de respostas acerca deste item tão místico e valioso. Algures nesta jornada é nos apresentada uma nova personagem, Hala, que será a antagonista principal do jogo, e não tanto Thanos, que aparece apenas casualmente durante as várias horas de jogo.

Sem revelar grande coisa acerca da história, devo admitir que pela primeira vez num jogo da Telltale, o foco não caí somente neste aspecto, uma vez que uma porção enorme do meu investimento com este título prendeu-se nas personagens e respectivas ligações entre si. Neste sentido, Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series tem como objetivo central contar uma narrativa própria, assim como explorar as nuances das diferentes escolhas que tomamos, no que diz respeito às relações entre os membros da equipa.

Ora podemos fortalecer a relação entre Nebula e Gamora, como podemos por oposição, fazer esta última se afastar progressivamente da equipa. Portanto, todas as pequenas decisões que posamos tomar influenciaram diretamente a reacção e atitude das personagens, e não tanto o rumo da história. Como jogamos esta experiência na pele de Peter Quill, as escolhas que façamos têm ainda mais importância, ao nível das ligações que os outros integrantes façam com este herói. Podemos ser vistos como uma figura unificadora da equipa ou alguém que não se preocupa com os interesses individuais de cada dos integrantes. E isso tem um impacto gigante na última decisão do  episódio final do jogo, que irá reflectir todas as pequenas decisões tomadas até então.

Ainda no que diz respeito à narrativa, esta para além de optar por seguir grande partes dos eventos do primeiro filme do MCU, traz ao de cima bastantes referências ao universo das comicsbooks da Marvel. Neste aspecto, Nebula e Mantis tem um protagonismo muito maior que outrora tiveram nos filmes, uma vez que aqui, são peças importantes para mover a história deste jogo. No entanto, personagens como Yondu ficam um pouco à sombra até daquilo que foi a sua presença no MCU.

Cada episódio foca-se mais numa determinada personagem, no qual será revelado mais por detrás do seu passado, contudo, Groot fica um pouco aquém daquilo que poderia ter sido o seu desenvolvimento. Por último é importante reforçar o trabalho de vozes prestado pela equipa de dobragem que fez um ótimo trabalho em recuperar tanto a essência dos atores que interpretam estas personagens nos filmes, como é o caso de Rocket, mas também na tentativa de criar um tom mais único, como é o caso de Peter Quill.

A outra parte do gameplay, contém os tipícos quick-time-events (QTE) que servem basicamente como impulsionadores nos momentos com mais ação. Outro aspecto prende-se com a exploração dos cenários, pois durante esta aventura terão de interagir ora com personagens do cenário, ora com objetivos que vos permitirão progredir em frente. Mas acaba por não ser nada de complexo, pois tudo o que precisam estará a meros metros de distância, daí que a “exploração” seja reduzida, e mais focada na sequência que optem por tomar na resolução dos puzzles e desafios.

A banda sonora é uma verdadeira homenagem aos anos 80 e 90, pois ao longo das várias horas de jogo, tocam inúmeras faixas nostálgicas desta época, como é o caso de “Livin’Thing“, que toca em especial no menu do jogo, entre outras. Alias, os nomes de cada episódio fazem referência a outras músicas, como por exemplo, Episode 2: Under Pressure (Queen & David Bowie) ou Episode 5: Don’t Stop Believin (Journey), decisão que encaixou bem. A outra parte da banda sonora, que diz respeito às faixas não licenciadas está bem trabalhada e condizente com o ritmo do jogo.

Já o mesmo não posso dizer quanto aos gráficos, pois a Telltale optou, uma vez mais, por utilizar o mesmo motor de jogo tradicional, sem grandes inovações neste aspecto. Mesmo assim cumpre a sua função, apesar de determinadas texturas mostrarem o envelhecimento notório desta engine gráfica. Durante a minha experiência pude também encontrar alguns glitches e bugs ocasionais, no que se refere às animações das personagens. E ainda de um freeze screen notório no quarto episódio, o qual já é um problema comum de entre os jogadores, mas que mesmo assim não foi corrigido, e tive de recorrer a meios externos para o resolver.

Guardians Of The Galaxy: The Telltale Series é um dos grandes jogos da galeria da Telltale. Não é um jogo perfeito, mas aproxima-se muito de tal proeza, e isso já é dizer muito. A forma como coloca a importância das decisões nas ligações com as personagens e não tanto no rumo da história, revela a tentativa por parte do estúdio em modernizar a fórmula já desgastada e envelhecida com os sucessivos lançamentos. Caso gostem de jogos da Telltale este jogo vale muito a pena, e caso sejam admiradores deste último e ainda da Marvel ( em especial destas personagens), então ficarão mais que satisfeitos pois o jogo é um verdadeiro tributo, digno de ser jogado por todos os fãs.

Positivo:

  • Personagens bem desenvolvidas e construídas;
  • Interação e ligação entre os Guardians Of The Galaxy;
  • Banda sonora;
  • Longevidade vasta;
  • Certas escolhas tem impacto a longo prazo;
  • Referências e callbacks ao universo da Marvel;

Negativo:

  • Alguns glitches ocasionais;
  • Motor gráfico desgastado;

João Luzio
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