Análise – Gotham

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Qualquer história que se conte tem sempre uma origem, mesmo que a início se fale apenas de Batman mais tarde ou mais cedo o autor sente a necessidade de justificar uma acção com uma história do passado. Aproveitando a boleia dos recentes sucessos televisivos das adaptações dos universos de super-heróis, Gotham apresenta-se como a prequela a um vasto universo de personagens que nos foi apresentado ao longo de muitos anos nas BD’s de Batman.

Tudo o que diz respeito ao universo da DC é algo relativamente novo para mim pelo que não foi difícil de aceitar Gotham. Esta série televisiva que goza de um grande sucesso mostra-se um pouco confusa quanto aquilo que quer, se por um lado nos apresenta as origens de algumas personagens, também toma a liberdade de acrescentar novas. Esta mistura garante que mesmo o fã mais acérrimo deste universo terá algo novo para degustar, já o veredicto ficará a cargo do mesmo.

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A história de Gotham começa com o assassínio dos pais do jovem Bruce Wayne (David Mazouz), isto dá um espaço temporal suficiente para que muito mude. Quando a história gira em torno de Bruce Wayne a série tende a mostrar aquilo que eu considero o impossível. Não consigo deixar de pensar que Bruce é ainda um miúdo e os seus feitos vão muito além disso.

O herói de Gotham passa pelo comissário James Gordon (Ben McKenzie), que aqui é um detective recém transferido para o departamento policial de Gotham City. Quase todas as personagens de relevo que vamos conhecer, de uma forma ou de outra acabam por se cruzar com ele.

GOTHAM: Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor) observes Maroni's business dealings in the "Viper" episode of GOTHAM airing Monday, Oct. 20 (8:00-9:00 PM ET/PT) on FOX. ©2014 Fox Broadcasting Co. Cr: Jessica Miglio/FOX

Assim, nos primeiros episódios de Gotham é nos dado a entender que Gotham também poderia ser “Penguin a história de um lunático”. É verdade, esta primeira temporada centra-se bastante em volta de Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor) tanto, que vi pessoas a afastarem-se desta série por isso mesmo. Na minha perspectiva este Cobblepot é uma versão já bastante próxima da sua caracterização no universo da DC, apenas não possui o poder, ainda…

A juntar ao leque de vilões existe ainda Fish Mooney (Jada Pinkett Smith), uma vilã inédita que proporciona alguns dos melhores momentos da série. Fish Mooney é algo necessário em Gotham, pois num mundo onde os vilões ainda estão a ser construídos é necessária a existência de uma vilã já erguida. Sim, existem outros tantos vilões já feitos, mas Fish Mooney é a única que captura o espírito dos vilões que conhecemos tão bem na atualidade de Batman, de uma forma constante na série.

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Visualmente tem tanto de bom como de mau, para o olho mais atento não será difícil detectar alguns pormenores que denunciam o ambiente, quer seja o cenário ou algumas das explosões. Não é incomodativo e foi algo a que decidi estar atento, provavelmente passará completamente despercebido à maioria dos espectadores.

Infelizmente, começo também já a notar alguns padrões de atores, este não é um problema apenas desta série, é mesmo algo que tenho vindo a denotar com o número de séries que acompanho. Um dos casos mais gritantes passa pela personagem Jack Grubber interpretada por Christopher Heyerdahl, cuja prestação me fez relembrar constantemente a personagem The Swede de Hell on Wheels.

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A narrativa de Gotham levou-me várias vezes a questionar o que se passou na produção do guião, existem desenvolvimentos questionáveis, e diga-se de passagem, completamente absurdos. Um dos pontos que parece ser o expoente máximo da série, capaz de ser o grande cliffhanger da primeira temporada cai por terra em segundos. E depois percebi porquê, ao que parece foram encomendados mais episódios já a produção da série tinha arrancado e como tal isso mostra-se nos últimos episódios. Não é notório qual o ponto da narrativa que estaria originalmente planeado para o grande final, mas não fiquei agradado com o resultado.

Felizmente, existem aqui algumas personagens que me surpreenderam já para o fim. Não as vou referir, pois estas acabam por ser um dos pontos altos e dos quais mais gostei, tanto pela surpresa como pelo desenvolvimento das suas histórias.

Por último, quero referir que existem alguns momentos que deixarão qualquer fã de Batman bastante entretido, falo de referências os famosos Easter Eggs. Ok, por vezes são postos em relevo mas não deixa de ser um bom momento ao aperceber-mo-nos dos mesmos.

Dito isto tenho apenas a dizer que gostei da série como um todo e aguardo pela segunda temporada de Gotham, o desenvolvimento de algumas das personagens começa a ficar interessante, deixando no entanto a impressão de potencial perdido. Espero apenas que a história tenha um fio condutor mais forte capaz de colocar as personagens em situações que as façam sobressair.

Positivo

  • Origens das personagens
  • Oswald (Penguin) Cobblepot
  • Fish Mooney
  • Narrativa principal até ao episódio 15

Negativo

  • Desenvolvimento principal dos últimos episódios
  • Efeitos especiais por vezes duvidosos
  • Muitos momentos parecem reciclados ao longo da temporada
  • Parece existir aqui algum potencial perdido

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Silver4000

“Parece existir aqui algum potencial perdido”

Não é parece, existe mesmo.

Esta temporada devia de ter sido cortada para metade e terem eliminado a Fish do guião, pior personagem de sempre. E também podiam ter aguentado os cavalos no que toca a referências/personagens, logo no primeiro episódio foram umas 6 de rajada, o Nigma foi a pior de todas, podiam ter mantido o mesmo no escuro e irem construindo a sua personagem mas não, é logo a gritar alto por enigmas e com todos a tratarem-no como esterco…

A historia da guerra de famílias que era suposto ser o foco principal só foi interessante em 3 ou 4 episódios e isso devido ao Penguin que foi a melhor coisa da série. Mas se tivessem mesmo reduzido o número de episódios para uns 13 em vez de 23, e terem feito uma melhor história entre as famílias a série teria sido óptima. O Gordon que era o outro foco da série não ganhou credibilidade nem empatia nenhuma, precisa de ser muito trabalhado nas próximas temporadas (talvez quando, e se, a sua filha nascer na série).

O Bruce, até que foi interessante ver o rapaz a enfrentar a sua companhia e coise, mas aquele fim do ultimo episódio… se me vão com a história que o pai dele andava a criar o Batman… god…

Resumindo para mim a série foi muito razoável, ou mesmo fraca até, os três primeiros episódios foram bons e interessantes mas o resto é para esquecer…

tylarth

Por acaso gostei da Fish. O penguin é que tem um grande foco, e apesar de ser merecido existe muito por onde podem pegar com uma ideia destas.

Carlos

Eu gostei.

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