Análise – Dying Light

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O ano de 2014 provou de uma vez por todas que jogos que recebem demasiado Hype, acabam por funcionar como uma bomba relógio, sendo cada vez mais perigosos à medida que o lançamento se aproxima.

O caso de Dead Island foi bastante similar. O jogo arrebatou o público com um primeiro trailer fenomenal, depois foi mostrando argumentos de peso, mas o resultado final não foi tão bom como o prometido.

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Desde essa altura, já foi lançado Dead Island: Riptide e Dead Island Epidemic e Escape Dead Island, e nenhum deles conseguiu elevar a fasquia do mundo aberto com Zombies.

Com Dying Light, a Techland volta à carga com o modelo original, mas num cenário e estilo bastante diferentes. Agora o Parkour e velocidade são as principais armas num mundo recheado de Zombies e aberrações. Será que este é o jogo que Dead Island não conseguiu ser?

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Em Dying Light são Kyle Crane, um enviado especial de uma companhia com os seus próprios motivos, que é destacado para recuperar um documento importante em Harran, uma cidade que foi destruída por uma epidemia que transformou a sua população em Zombies.

Infelizmente para Dying Light, a campanha principal serve apenas como mote para avançar na aventura e explorar novas zonas ou aceder a determinadas ferramentas. A maioria das personagens não são muito interessantes e as suas motivações não são exactamente aquelas que esperamos ver de uma série de sobreviventes.

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Tão depressa a história faz parecer que estamos dentro de uma frente de combate super poderosa, como depois morre gente num piscar de olhos, sem grandes motivos ou sinais de grande resistência. Basicamente é um pouco como The Walking Dead, mas sem os pesados dilemas morais.

Mas o que brilha em Dying Light é a própria cidade de Harran. Esta pode ser explorada durante o dia e noite, oferecendo cada vez mais perigos à medida que as horas vão avançando. As ruas são patrulhadas por Zombies banais e outras mutações mais estranhas e com o aproximar da noite, começam a sair à rua os verdadeiros predadores.

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Não se pode falar em Zombies sem falar do sistema de combate de Dying Light, o qual não está muito longe do de Dead Island. Tudo funciona com uma visão na primeira pessoa, mas é visível que as armas físicas funcionam bem melhor e representam melhor o contacto com o inimigo do que as armas de fogo. De todo o modo, convém evitar usar armas de fogo por causa do som, por isso, se forem como eu, preferem pontapear um Zombie até à morte durante 5 minutos do que danificar a vossa melhor arma.

Explorar Harran é divertido, não pelos Zombies, mas pela vertente de parkour e pilhagem do cenário. Embora a início as habilidades e agilidade de Crane sejam básicas, com a evolução de cada atributo, este corre mais depressa e por mais tempo, trepa mais rápido e vai ganhando mais aptidões em combate, o que permite que subam até zonas mais altas, fujam mais depressa ou até usem zombies como catapultas para saltar para os telhados.

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Falando em telhados, quanto mais exploram a cidade, mais coisas vão encontrando, desde objectos que permitem curar a personagem, até novas armas e materiais para criar armadilhas. Dying Light recompensa quem gasta o seu tempo a investigar e preparar para ir à aventura, e isso sim, é algo que vos suga para este universo.

Já que falamos em material extra, podem também contar com vários objectivos alternativos, como missões ou actividades extra. Alguns destes momentos oferecem exposição sobre a cidade que são muito bem vindos, como caso de um homem que ajudei e me contou que era o dono das bombas de gasolina da cidade e a sua vida foi destruída quase do dia para a noite. Desse momento em diante, cada vez que via uma bomba de gasolina, associava àquela pessoa, o que provou ser um momento bem conseguido.

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Outro ponto bem conseguido de Dying Light é o seu modo cooperativo, que pode ser jogado com até mais 3 pessoas. Basicamente podem partilhar toda a vossa aventura e exploração com outros jogadores, o que torna tudo em algo ainda mais divertido. Outro elemento do multijogador é o modo Be The Zombie, onde outro jogador real pode invadir o vosso jogo como um Zombie super poderoso. Estas invasões tornam o jogo em algo ainda mais angustiante para quem esteja a jogar como sobrevivente, mas também confere mais pontos de experiência para evoluir a personagem.

Infelizmente, encontrei alguns problemas de ligações que terminavam partidas com sobreviventes e tive ainda mais problemas em conseguir ser o Zombie, pois raramente haviam sessões disponíveis para invadir.

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A versão a que tivemos acesso foi a de PS4, a qual consegue oferecer um mundo vasto, com boa distância em termos de visão e até bem detalhado, mas não está livre de vários problemas visuais e bugs. O jogo em si é bonito e tem alguns efeitos de luz realmente fantásticos, mas fica aquém do visual deslumbrante que já se viu em outros jogos de nova geração.

Os modelos de zombies repetem-se em demasia, especialmente nos Zombies mais fortes que parecem fotocópias uns dos outros. A inteligência artificial também não é a melhor, o que coloca inimigos ferozes a cair de prédios de forma parva ou a ficarem presos em arame farpado apenas por irem direito a ele. Além disso, existem muitas alturas em que surgem glitchs estranhos no cenário e por uma das vezes até fiquei preso no limbo porque o jogo não conseguiu carregar uma área a tempo.

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Apesar de não ter uma banda sonora marcante, os sons ambientes da cidade compensam bastante bem. As vozes podiam ter os pseudo sotaques menos puxados, mas não são todas más e Crane tem uma boa voz para acompanhar a aventura.

Apesar de ter vários problemas e de estar longe de ser um jogo do ano, Dying Light é um jogo que me conseguiu divertir imenso, e isto dito por alguém que não costuma gostar de jogos com Zombies. Senti-me tentado a regressar diariamente para fazer mais um pouco de análise e dava por mim a explorar mais do mundo do que devia, andando a passear pela cidade e pontapear uns zombies pelo caminho.

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Se gostam de jogos de acção na primeira pessoa e a possibilidade de explorar mundos abertos é algo que vos entusiasma, então Dying Light é o vosso jogo. Apenas não esperem que seja o melhor jogo do género.

Positivo:

  • Exploração viciante
  • Parkour funciona bastante bem
  • Evolução da personagem
  • Jogo em modo cooperativo
  • Boa iluminação
  • A noite consegue criar grandes momentos de tensão

Negativo:

  • História e personagens pouco fortes
  • Zombies parecem clones uns dos outros
  • Armas de fogo parecem estranhas
  • Alguns loadings conseguem ser longos
  • Ligações online algo inconstantes

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