Os jogos da série DIRT têm vindo a trilhar um caminho bastante sinuoso desde que se afastaram dos seus tempos originais onde o nome de Colin MacRae estava associado à franquia. Enquanto alguns jogos foram mais de encontro ao Rally puro e duro, outros caminharam mais próximo do que será um misto de vários estilos de corridas.
Ao que parece, com a consolidação da série DIRT Rally como o verdadeiro simulador de condução de Rally, fomos levados a perceber que os jogos DIRT numerais estão a abrir o leque do estilo de corridas offroad, especialmente agora que temos a antiga Evolution Studios a trabalhar na franquia e essencialmente à frente de DIRT 5.
Se jogaram jogos feitos pela Evolution Studios no passado, então vão detectar as influências do estúdio em DIRT 5. Existe aqui muito do ADN de Motorstorm, WRC e até de DriveClub, o que faz também desta edição uma das mais arcades dentro da série desde Dirt Showdown.
DIRT 5 está bastante longe de ser um jogo de Rally convencional e os estilos de corridas são um perfeito exemplo disso mesmo. Quando começamos o modo carreira somos logo brindados com uma campanha com diversas localizações e estilos de competições. Temos as clássicas pistas convencionais (embora que cheias de lama e afins), mas a selecção passa por corridas de ponto a ponto, provas em gelo e até carros de alta cilindrada em pista oval.
Cada estilo de evento é acompanhado do seu tipo de carros, havendo desde os carros típicos de Rally mais actuais ou antigos, passando por Jipes e até Buggies. A selecção não é assim tão grande quanto isso no que toca a carros em cada classe, mas podem compensar de certa forma com uma ferramenta de personalização bastante boa. Podem mudar pinturas, aplicar vinil, criar tonalidades, meter números, partrocínios e mudar jantes. Não conseguem alterar cada veículo a nível físico, mas podem mudar-lhe a “maquilhagem” num número bastante grande de pontos.
A condução em DIRT 5, como já foi dito, é bastante arcade, o que é bom tendo em conta que é um jogo decididamente Arcade em si, mas também porque acaba por ir roubar um pouco o espírito a cada classe de veículos. Os carros parecem todos iguais dentro da mesma classe e até os sons dos motores soam praticamente todos ao mesmo. A única diferença que se sente mais é quando mudamos de terreno. Conseguimos sentir um carro a derrapar mais no gelo ou a prender na lama, o que faz sentido e consegue notar-se a diferença.
Tendo em conta que a maioria das corridas são feitas com vários carros em pista, não são raras as vezes que o jogo se torna mais impiedoso na dificuldade. Se nos virmos presos entre a multidão é quase certo que não ganhamos a corrida (porque é que começamos sempre em último?), por outro lado, ganhar vantagem significa algo aqui, pois não senti que a inteligência artificial ganhava o “boost” final que alguns jogos do género usam para simular dificuldade.
No que respeita a outros modos de DIRT 5, podem contar com o modo de corridas rápidas e tempos, ecrã dividido para jogar com amigos e online para competir em vários tipos de provas. O modo mais interessante são os Playgrounds, onde é possível criar pistas de vários estilos. A ferramenta é bastante simples e eficaz de usar e existem já exemplos criados por jogadores com bastante qualidade. Cada criação pode ser votada de forma positiva ou negativa, o que ajuda a fazer uma triagem do que se encontra já nos servidores. Vi coisas como pistas “parvas” com pequenos objectivos até coisas dignas de dos XGames, por isso a criatividade aqui é incentivada.
Antes de falar do visual, desta vez começo pela música e componente sonora no global. Para começar, a música escolhida para o jogo varia entre o rock, punk e um rap mais agressivo. Tenho a dizer que gosto bastante da selecção, mas tenho muita pena que não seja possível aceder à lista de músicas para retirar aquelas que gostamos menos (pelo menos procurei por essa opção e não a encontrei). Outra coisa que também podia haver, era um banner com o nome da banda e da música cada vez que passa para a próxima, o que é uma pena e não ajuda a dar destaque às músicas presentes.
Por outro lado temos um ponto que consegue ser baixo e alto ao mesmo tempo. Ao longo do jogo somos acompanhados por uma dupla de apresentadores que têm tanto de divertido como de irritante. Não só dizem coisas parvas, como por vezes apresentam conteúdo em formatos de entrevista ou resumo que duram imenso tempo, o que nos obriga a esperar para entrar numa corrida se quisermos ouvir tudo até ao fim, o que não é nada prático. No reverso, temos Nolan North e Troy Baker como o antagonista e o mentor respectivamente. As intervenções de cada um são bastante boas e dão mais profundidade à campanha, embora fiquem um pouco aquém de criar um verdadeiro impacto.
No global, temos uma selecção bastante boa de pistas que recriam ambientes bem distintos. Desde o Rio de Janeiro com um misto de terreno e civilização até uma floresta chinesa, as localizações de DIRT 5 parecem bastante vivas e dinâmicas. O detalhe das mesmas é rico e pormenorizado, puxando bem pelas plataformas que se estão a transformar na antiga geração. Os carros por seu lado por vezes parecem menos recheados de texturas do que deveriam ter, havendo até modelos que parecem algo baços.
O som dos carros parece bastante similar entre categorias, o que é algo estranho quando estamos a testar carros diferentes dentro da mesma classe que pouco variam além serem um bocado mais rápidos ou agarrar melhor à pista.
O conteúdo incluído no jogo ainda é bastante avultado e além da campanha ainda ter algumas horas de longevidade, a mistura dos restantes modos, especialmente o Playgrounds, fazem valer a pena o investimento. Os Loadings são um pouco longos na actual geração, mas isso já seria de esperar.
DIRT 5 na PS5
Chegou então a altura de falar de DIRT 5 em termos da nova geração, afinal temos aqui um jogo que dá o salto para a PS5 e Xbox Series muito próximo do seu lançamento. Naturalmente, no que toca a jogo, nada muda, mas existe um salto significativo na componente visual e fidelidade.
A versão que tivemos acesso na PS4 disponibilizou a versão PS5 através das actualizações de jogo e após instalar já foi possível ver como a Codemasters tinha feito o salto. Posso dizer que é bastante empolgante ver as diferenças de um para o outro.
DIRT 5 na PS5 corre com uma fluídez muito mais notória. Embora possam escolher entre performance e definição, o jogo continua a demonstrar uma grande velocidade e o visual sofre efectivamente um grande salto. Aquilo que parecia mais difuso na PS4 tem muito mais detalhe e a diferença na iluminação é gritante, especialmente no que toca aos reflexos na água e raios de luz que interagem com o terreno. É verdadeiramente impressionante e de encher o olho.
Outra diferença notória são os tempos de Loading que estão francamente mais rápidos do que na PS4. Cada prova aqui demora menos de 10 segundos a carregar na maioria dos casos e as transições entre menus é muito mais fluída. Estamos a falar em ganhar pelo menos quase 30 segundos que se poupam entre começar a carregar uma corrida, terminar e esperar pelo próximo menu, o que é bastante significativo.
Outra coisa que muda na PS5 é a presença do Dualsense que reage de forma muito intensa ao que se passa no ecrã. Quando em pista, parece que o comando está quase sempre a vibrar e os gatilhos assumem logo uma resistência bastante maior do que o base. Sem dúvida que o Dualsense torna a experiência em algo mais imersivo, mas também pode ser incomodativo por vezes ao ponto de se tornar num pequeno obstáculo à precisão na condução. De qualquer forma, caso vos incomode, podem sempre desligar ou reduzir a intensidade nas opções.
Por isso sim, a versão de nova geração de DIRT 5 é verdadeiramente a versão derradeira de DIRT e vale bem a pena que optem jogar na PS5 ou Xbox Series se tiveram a hipótese.
Gosto bastante de DIRT 5, não exactamente por ser um dos melhores jogos da série, mas por ser assumidamente Arcade e fazer o que é preciso para entreter o jogador. Não sou fã da abordagem “cool” dos comentadores e a história não faz aqui muita falta, mas no que toca a corridas e competições, o facto de ser diferente dos jogos DIRT Rally, dão-lhe o espaço necessário para ser exactamente aquilo que pretende ser.
DIRT 5 é um jogo divertido e desafiante que preenche muito bem o espaço que outros jogos do género deixam em aberto, especialmente com a extinção de séries como Motorstorm. Se querem um verdadeiro jogo offroad descomprometido e sem a punição dos simuladores, então vão ficar muito contentes com DIRT 5.
Positivo:
- Boa mistura de tipos de competição

- Personalização estética dos carros
- Condução divertida
- Boa selecção de localizações
- Fluídez e visual com qualidade, em especial na nova geração
- Modo Playgrounds
Negativo:
- Pouca selecção de veículos
- Dupla de apresentadores algo irritante
- Desenrolar da história algo confuso e lento
- Bugs visuais e sonoros
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