Análise – Deus Ex Mankind Divided

Existem jogos que despertam o interesse pelos gráficos, outros pela jogabilidade e ainda há até aqueles que usam o corpo esbelto das personagens para poderem atrair a atenção de uma determinada corrente de jogadores.

No caso de Deus Ex, Human Revolution (o jogo anterior), este conseguiu despertar o meu interesse muito pelo seu ambiente, temática e forma adulta como aborda um assunto pertinente que faz mais sentido que muitos jogos e filmes de alto gabarito.

Por isso mesmo, não é de estranhar que o meu grau de expectativas estivesse bastante elevado para a sequela, Deus Ex Mankind Divided. Este é um episódio que aprofunda mais o tema e dá uma direcção ao conflito sangrento que separa humanos puros, de todos aqueles que usam elementos robóticos no seu corpo.

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A história é bastante boa, mesmo que tenha algumas pequenas falhas no seu desenvolvimento. Esta volta a por Adam Jensen no centro da acção, com uma narrativa bem escrita e que faz sentido, mas é facilmente eclipsada pela forma viva como o mundo foi pensado e todas as personagens que vivem dentro dele. Existem momentos intensos onde as escolhas que fazem e os caminhos que percorrem, acabam por influenciar aquilo que vai acontecer mais tarde, criando situações bastante interessantes.

Desta vez, o centro da acção é a cidade de Praga. Esta está dividida em zonas e cada zona tem várias localizações que podem ser acedidas por transportes públicos ou com ajuda de certos NPC. Isto resulta em alguns loadings bem disfarçados, mas que acabam por se tornar avantajados depois de vermos a mesma coisa a acontecer várias vezes seguidas.

A cidade em si é rica em coisas para fazer e é fácil não ir directamente ao objectivo. No meu caso, só saí da primeira zona com quase cinco horas de jogo, isto porque resolvi começar a explorar e fazer alguns objectivos secundários, alguns dos quais abriram caminho para mais coisas para fazer.

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A exploração e combate continua a ser feita inteiramente na primeira pessoa, embora existam momentos onde Jensen aparece, seja a esconder atrás de uma cobertura ou a executar golpes nos inimigos quando estes estão demasiado próximos. É relevante referir que todos estes sistemas foram vastamente melhorados e que agora, o sistema de cobertura é provavelmente um dos melhores que apareceram até aos dias de hoje.

É verdade que a inteligência artificial ainda tem vários problemas, o que cria alguns momentos constrangedores, mas de resto, o posicionamento, forma como nos abordam, depende muito dos poderes que vão escolhendo, pois é possível enganar ainda mais os inimigos com todos os escudos e módulos de invisibilidade que vão sendo desbloqueados.

Já que falamos nisso, vamos também falar aqui da evolução da personagem, que agora surge de uma forma mais equilibrada. Existem vários elementos para evoluir mais normais e uns extras que requerem que desactivem outros. Estes são mais fortes, mas vão ter de abdicar de outros, o que pode mudar radicalmente a forma como jogam. Tendo em conta que estamos a falar de um Deus Ex, este é um factor bastante positivo.

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Como já referi, a história ainda dura algumas horas e há muito para fazer, no entanto, existem também outros modos extra que ajudam a aumentar a longevidade, embora não sejam tão valiosos como parecem. Para começar, temos algumas missões extra que contam mais um pouco da história de Adam Jensen e de certos acontecimentos que o rodeiam, depois, existe o Breach.

O Breach em si, é um jogo de missões sequenciais com objectivos simples num mundo virtual. Existem coisas como matar certos inimigos, fazer hacking ou coisas do género, o que parece bastante bem. O que me incomodou mais é que este parece um modo que foi feito à pressa e incomodou a constante aproximação ao formato free-to-play, com dinheiro envolvido para ter “melhor equipamento”, mais depressa. Eu sei que é opcional, mas é tão intrusivo como jogar um jogo mobile gratuito.

O visual da versão que joguei (PS4), mostrou um trabalho bastante bom e com boa atenção ao detalhe. As personagens mais importantes são as que beneficiam mais com a evolução gráfica, mas não posso dizer o mesmo de outros NPC. Por outro lado, tudo o que são estruturas e elementos das cidades/cenários, estão muito bem conseguidos. Existem muitos “clones” de inimigos à mesma e por vezes lá vemos um ou outro bug, mas não é nada que destrua a qualidade global.

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A banda sonora é tão boa quanto seria de esperar, utilizando elementos de música sintetizada com alguns tons mecânicos. As vozes estão bem conseguidas no geral e os diálogos são bons, mas alguns sotaques são demasiado forçados, o que os leva para o plano da caricatura.

Como já deu para perceber, Deus Ex Mankind Divided é um jogo de alto gabarito do qual eu gostei imenso. Mesmo que o modo Breach seja uma extensão feita para tentar obter mais uns trocos, esta acaba por ser mais um extra para quem quer um segmento com mais acção directa ou furtiva, por isso não é totalmente negativo.

O trabalho feito pela Eidos Montreal na campanha não é perfeito, mas é mais do que suficiente para fazer dele um dos melhores jogos deste ano e um que os fãs de RPG e tramas futuristas devem jogar.

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Positivo:

  • Temática com sentidopn-recomendado-2016
  • Muito para fazer e explorar
  • A cidade tem muita vida
  • Liberdade na jogabilidade
  • Sistema de evolução

Negativo:

  • História sofre de alguns baixos
  • Modo Breach parece apressado
  • Vários bugs visuais
  • NPC com caras de batata

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Daniel Silvestre
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