Análise – Deathstroke: Knights & Dragons

Deathstroke foi uma das personagens da DC Comics, que conseguiu alcançar um nível, que o distanciou das obras em que era incluído como secundário, como em Teen Titans, para se tornar o protagonista da sua própria história. Assim, para além das inúmeras aparições que tem feito, seja nos jogos da série Batman: Arkham ou no universo compartilhado das séries da CW, Slade Wilson, vulgo Deathstroke, ganhou o seu próprio filme animado solo em 2020. Apesar de Deathstroke: Knights & Dragons já ser uma série animada, com apenas um episódio, a CW juntamente com a Warner Bros decidiu fazer um filme completamente original, seguindo os mesmos moldes da série, tanto no que diz respeito ao estilo da animação, com do próprio lore.

Nesta história, Slade Wilson é apresentado como um “homem de negócios” que executa várias “viagens de negócios” misteriosamente. No entanto, na realidade Wilson, foi treinado para ser uma máquina de combate, capaz de cumprir qualquer missão arriscada, contudo, esconde esta vida da sua mulher, Adeline Kane, e do seu filho, Joseph. Todabia, aquando de uma das suas “viagens de negócio”, Deathstroke acaba por ver a sua família envolvida na missão, o que resulta no rapto do seu filho, cuja garganta é cortada, mas que acaba por sobreviver.

Neste seguimento, Wilson terá não só de descobrir aquilo que motivou o rapto do seu filho, como simultaneamente lutar contra os seus demónios interiores, que acabam por inevitavelmente impactar o seu relacionamento com a sua ex-mulher. Portanto o filme aborda bastante bem, esta dualidade de situações, entre a vida de mercenário e a vida familiar de Slade, onde ambas se interceptam para criar esta narrativa totalmente original. Como é evidente, todo esta história esta envolvida no gigantesco do lore da DC Comics, logo há determinadas referências a locais e personagens deste último, contudo, o filme apenas recorre àquilo que é estritamente necessário para seguir a história em frente.

Aqui, a ameaça principal é uma figura misteriosa do passado de Wilson, apelidado de Jackal, que está associado com a infame organização do crime, H.I.V.E. Lady Shiva também dá a cara neste filme, mas apenas como antagonista secundária, o que resulta em algumas cenas marcantes com esta última. Mas voltando à ameaça principal, devo dizer que apesar da sua colocação na história ser acertada e bem desenvolvida, não fui grande fã da sua caracterização, pois muitas vezes, senti que era somente mais um vilão genérico, faltando algo a mais que o fizesse diferenciar-se da restante (e gigante) galeria de vilões da DC Comics.

Uma vez que Slade Wilson tem poderes de cura, anda carregado de um arsenal letal de armas de médio e grande porte, e é bastante habilidoso nas mais diversas artes marciais, seria de esperar que as cenas de ação deste filme, seriam um ponto alto da obra, certo? Correcto, efetivamente, todas as cenas de destruição e tiroteio de Deathstroke: Knights & Dragons estão muito bem trabalhadas e pensadas, pois fazem Wilson transparecer o seu lado mais badass, que a maioria dos fãs o conhece por. Em redor disto, a qualidade da animação é também do mesmo nível, não me recordo de nos últimos tempos, ter assistido a um estilo de animação tão simples, mas com um  toque de artística tão particular, o que é um ponto muito positivo.

O aspecto que me surpreendeu mais, foram as sucessivas revelações feitas, pois esperava uma obra muito mais condensada e até de alguma forma previsível, no entanto, este não é de todo o caso. Apesar do desfecho encaixar-se nos moldes desta última frase, o seu primeiro e segundo acto, foram as melhores partes, pois acabou sempre por me surpreender e me fazer ficar cativado com aquilo que me estava a ser apresentado. O subtítulo é que achei um tanto distante, apesar da obra explicar o porquê de tal decisão, como uma espécie de metáfora, de ser muitas vezes difícil diferenciar as pessoas do bem (knights) e as do mal (dragons), sendo que a maioria delas se encontra, de alguma forma, no meio termo desta linha.

Gostei do facto, de ser assumidamente um filme violento com imenso sangue e gore à mistura, pois no fundo é isso que espera de algo relacionado com Deathstroke.  O que acaba também por se traduzir nas temáticas, como a do divórcio e a dos problemas familiares, que estão presentes no filme. Portanto, segue a lógica do «Movie made by Adults, for Adults», mas que também pode ser assistido porque qualquer tipo de público.

Deathstroke: Knights & Dragons é um filme que qualquer fã da DC, e em especial deste anti-herói, deve assistir. É igualmente, uma ótima forma de introduzir esta personagem para quem a desconhece, não sendo necessário ter qualquer tipo de conhecimento prévio para entender este filme no seu esplendor. É um filme que entretém, cheio de cenas de ação e com uma narrativa decente, e com reviravoltas bem executadas. Pessoalmente, espero que com o sucesso desta obra, a CW e a Warner Bros continuem a série animada de mesmo nome, ou quem sabe, num futuro próximo, Deathstroke possa até ganhar um filme solo nos grandes ecrãs – só o tempo o dirá.

Positivo:

  • Cenas de ação;
  • Reviravoltas surpreendem;
  • Deathstroke carismático como sempre;
  • Estilo de animação com particularidades distintas;
  • Assumidamente um filme violento e carregado de sangue;
  • Boa forma de introduzir a personagem para o espectador casual;

Negativo:

  • Não fui o maior fã do antagonista principal;

João Luzio
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