Análise – Dark Souls 2

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Apesar de todo o sucesso e reconhecimento que a série tem vindo a adquirir ao longo dos anos, é preciso reconhecer que Demon’s Souls ficou bem aquém do mérito e respeito que merecia para a altura em que foi lançado.

Felizmente, o mérito foi reconhecido e o respeito começou a ser ganho gradualmente e entre centenas de jogos que tentam ser o grande exemplo do que é ser um projecto dedicado/ hardcore, Dark Souls continua a ser o rei e senhor de um género que  tem tanto de difícil, como viciante.

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Na altura em que ainda estava no MyGames, Dark Souls foi o nosso jogo do ano, por isso as expectativas eram colossais para esta sequela. Pronto para morrer mais e mais vezes a conquistar um novo mundo. Deitei mãos à obra para conquistar Drangleic. Será melhor? Pior?

Nunca jogaram Dark Souls? Não sabem sequer do que se trata? Esta é uma série criada pela From Software que procura desafiar o jogador, colocando todo um mundo à disposição para explorar e conquistar. A grande diferença entre este jogo e os demais, é que Dark Souls é um misto entre uma aventura difícil e uma procura pela perfeição. Jogar qualquer um dos jogos da série de forma descontraída ou casual resulta quase sempre na morte do jogador, o qual acaba sempre por ser punido pelos seus erros.

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Dark Souls funciona como os jogos de antigamente, onde a perícia era testada de forma permanente. Com cada morte e erro, o jogo está constantemente a ensinar-nos a dura realidade de cada desafio que enfrentam. Cada novo monstro que descobrem é um puzzle que precisam de perceber e cada boss é um desafio de persistência, concentração e experimentação. Isto faz obriga a que tenham de fazer sempre o vosso melhor. É normal morrer por vezes na procura de dar o golpe derradeiro num inimigo, apenas para este nos acertar no seu último suspiro.

Mas porque jogar algo que é altamente punitivo? A verdade é que Dark Souls é igualmente recompensador, o simples facto de derrotar um Boss aparentemente impossível várias mortes depois, é uma verdadeira sensação de missão cumprida e de uma vitória merecida alcançada, a qual nos faz querer avançar e derrotar o próximo grande inimigo.

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Mesmo que a início a Namco Bandai possa ter revelado que Dark Souls 2 ia ser mais acessível, está realidade não o impede de ser o jogo que bem conhecemos e nada próximo de um desafio mais fácil, afinal, acessibilidade não é sinónimo de facilidade.

Dark Souls 2 convida-vos a visitar a região de Drangleic, um reino caído em ruína, onde vários seres humanos amaldiçoados com vida eterna são “convidados” a visitar para destruir esta maldição. Tal como nos jogos anteriores, a história não é o centro da acção, sendo que o pouco que conhecem deste mundo é transmitido de forma críptica pelos poucos NPC que encontram, ou através do próprio mundo e inimigos que o habitam.

Preparem-se para visitar inúmeras áreas deste reino com temas bastante distintos, desde florestas a fortalezas e de cavernas a túneis de esgotos. Ao contrário do jogo anterior, em Dark Souls 2 vão encontrar o mundo um pouco mais fragmentado, o que funciona contra e a seu favor. Se por um lado isto permite que tenham mais localizações com ambientes diferentes, também é verdade que o mundo parece menos interligado, como se cada zona tivesse o seu limite em vez de ser um mundo interligado e mais orgânico, ou seja, tirando um ou outro caso, podem esquecer as grandes descobertas de atalhos bem pensados.

Com esta mudança, chegou uma grande novidade, o teleporte entre Bonfires. Está é uma novidade importante que permite agora que viagem para qualquer localização imediatamente entre fogueiras. A início pode parecer uma facilidade, mas a estrutura da campanha faz com que esta seja uma necessidade, pois a maioria dos NPC e lojas do jogo estão localizadas numa aldeia que precisam de visitar para quase todos os fins.

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Fiquei bastante contente por ver que a pressão típica da série não foi prejudicada por algumas destas novidades. Quando visitam uma nova zona, cada inimigo parece sempre uma ameaça bem maior quando o avistam pela primeira vez, e avançar para zonas desconhecidas com uma boa quantidade de Souls guardadas cria bons momentos de tensão para não morrer. Além disso, quando morrem, a vossa vida começa a ficar cada vez mais pequena e só conseguem recuperar todos os fragmentos bloqueados recuperando a vossa humanidade, o que acontece com alguns itens menos comuns que encontram pelo mundo do jogo. Esta penalização é uma boa forma de gerir o risco da morte e evitar morrer ainda mais para não serem obrigados a ter de usar uma Efigie de humanidade.

Uma grande novidade em Dark Souls 2 é a limitação imposta à quantidade de vezes que podem matar cada inimigo, após várias mortes, estes deixam de aparecer definitivamente, o que obriga a gerir melhor onde gastam as vossas almas. Confesso que não concordo totalmente com este sistema, pois os jogadores iniciados podem morrer demasiado e perder as suas almas ou até gastar em coisas inúteis, não tendo muito mais por onde farmar depois. Pelo menos na zona inicial, isto não deveria acontecer.

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Em termos de jogabilidade, Dark Souls 2 continua a usar o mesmo sistema dos anteriores. Cada estatística que evoluem e arma que equipma influência o vosso ataque, resistência, velocidade e muito mais. Podem escolher várias classes a início, mas a forma como as evoluem tornam cada personagem numa personagem única com forças e fraquezas de todos os tipos e feitios.

Podem jogar como um guerreiro, um arqueiro ou até um feiticeiro, existindo outras classes e formas de abordar cada estatística ao vosso estilo de jogo. Tanto os inimigos mais simples como os muitos bosses fantásticos vão testar a vossa perícia e escolhas de armas ou estatísticas.

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Apesar de ser uma campanha singleplayer no seu âmago, Dark Souls 2 inclui o sistema Online da série de mensagens e Covenants. Enquanto jogam, podem encontrar mensagens e os últimos segundos da morte de um jogador no chão, estas são dicas (por vezes armadilhas) deixadas por outros jogadores que tornam o jogo numa aventura mais imersiva e viva. No que toca aos Covennats, estas são instituições do jogo que se movem por determinados princípios. Quando se unem a elas, vão poder realizar missões ou actividades que envolvem ajudar ou lutar contra outras pessoas ou entre Covenants.

O PVP e cooperação é tudo feito com a invasão do mundo dos outros jogadores, o que depende de certas condições. Podem convidar alguém para vos ajudar a derrotar um Boss, ou ser invadidos por um jogador que vos tenta matar. A experiência que obtive foi manchada por alguns problemas de ligações, mas foi apenas durante os primeiros momentos em que os servidores foram abertos. Não me vou alargar muito em Covenants pois é mais giro que descubram as suas localizações e objectivos por vocês.

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Visualmente, Dark Souls 2 deixa um tanto ou quanto a desejar, está uns furos acima do primeiro Dark Souls e mostra alguns efeitos de iluminação bastante bons, mas no geral, está bem aquém do melhor que podem encontrar na PS3 e Xbox 360. Não que seja realmente preciso, pois este é um jogo que vive mais das imperfeições e da jogabilidade afinada. De qualquer forma, podem contar com muitas texturas básicas e vários bugs, como inimigos mortos a flutuar ou espetados nas paredes. Felizmente, nada que estrague o jogo.

O áudio minimalista de Dark Souls 2 rima de forma harmoniosa com a banda sonora orquestral negra que toca cada vez que encontram um novo Boss. A aldeia principal tem uma música calma e soberba que encaixa lindamente com a paisagem solarenga e os inimigos tem sons bastante adequados. O trabalho vocal continua a ser realmente estranho, mas de forma propositada na maioria das personagens, ao ponto de até ter imensa piada.

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Passei bem mais de 60 horas de puro divertimento e desafio a explorar Dark Souls 2 para esta análise e só posso dizer que cada momento que passei longe da consola só queria voltar a jogar e explorar mais um pouco para evoluir a personagem. Este é daquele jogos à moda antiga que nos vicia e nos faz querer continuar, que vai connosco na cabeça e tentamos resolver, quer estejamos longe da consola ou a jogar no momento. Dizer que Dark Souls 2 é melhor que o primeiro é uma tarefa complicada, pois são os dois fenomenais, são aventuras similares mas com direções distintas que valem bem a pena explorar. Prontos para morrer novamente?

Vejam também a nossa análise em vídeo de Dark Souls 2!

Positivo:

  • Continua difícil como semprepn-recomendado-ana
  • Atmosfera opressiva impressionante
  • Teleporte nas Bonfires
  • Combates de boss empolgantes
  • Altamente viciante
  • Mais acessível sem perder a sua dificuldade

Negativo:

  • Mundo bastante partido em zonas
  • Gráficos bastante datados

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