Análise – Code Vein

  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Quando foi anunciado e ainda hoje em dia, muitos acabam por referir Code Vein como sendo o “Anime Souls” do género. No entanto tal como Nioh se conseguiu distanciar e destacar, Code Vein também demonstra que consegue criar um conceito novo e diferente daquilo que já conhecem.

Curiosamente, apesar de utilizar o formato da série Souls, Code Vein acaba por lembrar mais God Eater em múltiplos aspectos, apesar da jogabilidade ser bem diferente. Ao contrário da série Souls e tal como God Eater o faz, Code Vein conta com uma história mais activa e elenco de personagens que juntam-se ao jogador ao longo da sua aventura.

Code Vein tem lugar num futuro próximo onde vários monstros começaram a surgir por todo mundo. De forma a enfrentar estes monstros a humanidade decidiu criar os Revenants, corpos humanos que são ressuscitados com a ajuda de um parasita que é alojado no coração e que os fazem actuar como vampiros. Com isto, estes humanos que agora regressaram à vida tem poder suficiente para lutar contra estas criaturas, mas necessitam de sangue para manter a sua sanidade e evitar que tornem-se num Lost, criaturas que perderam toda a sua sanidade e humanidade.

O jogo começa a sua acção após a “Queen”, uma Revenant que decidiu virar-se contra a humanidade, ter sido derrotada. Vários grupos de Revenant formaram-se, humanos vivem em grandes comunidades ou a fugir a Revenant que os caçam pelo seu sangue, enquanto que alguns dos Revenant apenas vivem em desespero de não perderem as suas memórias de cada vez que “morrem” ou procuram por um fim eterno que apenas lhes é possível oferecer ao destruir o seu coração onde o parasita se encontra.

O jogador controla uma personagem sem memória do seu passado, personagem esta que é possível criar com um grande editor de personagem e que foi um dos pontos mais apreciados e falados por todos os que meteram as mãos ao jogo. Como já devem saber eu sou uma pessoa que gosta de passar o seu tempo e explorar estes modos de criação, demorando sempre uma hora ou mais a definir todos os detalhes, e Code Vein apresenta o melhor sistema de criação de personagem que a Bandai Namco já ofereceu (vamos ver como Blue Protocol se safa).

Existem algumas opções em falta, em especial mais personalização do corpo da nossa personagem, mas os elementos oferecidos são muitos e bastante bons para criarem a vossa personagem de nosso, ou o vosso pior pesadelo. Para além da vossa personagem também podem adicionar uma certa quantidade de acessórios e até meter os mesmos onde bem vos apetece. Isto é outro ponto positivo mas para mim o número, ou melhor dizendo, variedade de acessórios podia ser maior.

Como existe um jogo para além da criação da personagem vamos focar-nos no combate. Este segue o padrão da série Souls, onde atacar, correr ou esquivar dos ataques inimigos custa energia, mas Code Vein é mais rápido no seu combate e as personagens não tem o mesmo peso nas suas acções quando comparado com a série Souls.

Uma outra diferença, e um dos pontos que torna Code Vein diferente de todos os outros jogos do género é o sistema de Gifts que o jogo contém. O jogador pode equipar a sua personagem com diferentes habilidades passivas e activas que pode aprender através dos Blood Codes que colecciona ao longo do jogo.

Estes Blood Codes contam com um número de habilidades básicas que outras personagens utilizam durante o jogo, sendo tecnicamente “Skill Trees” nas quais os jogadores podem decidir em qual investir. Algumas das habilidades (Gifts) estão bloqueadas e requer que o jogador coleccione peças de memória para as desbloquear, enquanto que outras podem ser adquiridas logo a início. Estas habilidades a início são fixas a cada Blood Code, mas com o seu constante uso os jogadores “desbloqueiam” as mesmas para utilizar quando tem outros Blood Codes equipados.

A ideia de poder desbloquear habilidades que estavam previamente fixas a uma certa “skill tree” e utilizar as mesmas acaba por mudar a maneira em como todos abordam o jogo. Ao invés de os jogadores focarem-se apenas num Blood Code o jogo incentiva então que experimentem todas as possibilidades e combinações, oferecendo mais oportunidades de criarem a vossa própria build com as habilidades que conhecem melhor e que combinem com o vosso estilo de jogo.

Outra diferença, e algo que é inspirado em God Eater, são as Blood Veils. Tal como seria de esperar é possível equipar a personagem com diferentes tipos de roupa, neste caso casacos, e cada casaco é dividido entre uma de quatro categorias: Ogre, Stinger, Hound e Ivy.

Basicamente, para além de prestarem atenção aos stats de cada casaco que queiram equipar (e se vos parece bem), também necessitam de ver com atenção qual é o tipo de Blood Veil que essa casaco apresenta, pois é bastante importante para a jogabilidade. O parry e o charge attack irá mudar dependendo do Blood Veil que tenham equipado, como já podem ter reparado em alguns dos trailers, algumas personagens por vezes invocam caudas que fazem lembrar escorpiões ou duas cabeças de cães que atacam os inimigos, com isto a ser os Blood Veils.

Cada Blood Veil contém um timing diferente para parry, o que indica que tem de treinar bastante com alguns, por exemplo Ivy tem a janela de parry mais longa de todas, sendo necessário começar o parry ainda antes de o inimigo começar o seu ataque. Enquanto que Ogre tem a janela de parry mais rápida de todas, sendo apenas necessário iniciar o parry no momento em que o ataque do inimigo está a chegar. Tanto o parry como os charged attacks, combo attacks (e também back attacks) aumentam a quantidade de ichor (MP) que o jogador pode ter, o que permite ao uso das habilidades dos Blood Codes.

Em termos de mobilidade esta é afectada por vários factores. Cada Blood Code muda os stats base da personagem, e juntando a isso temos o equipamento e armas que também adicionam ou removem alguns desses stats. A velocidade com a qual a personagem move-se ou esquiva-se é determinado pelo peso Blood Veil (casaco) equipado e pela arma actual.

O jogador pode ter duas armas equipadas mas apenas consegue utilizar uma de cada vez, e o movimento da personagem é feito pela arma que esteja a ser utilizada e não as duas em conjunto, o que poderá afectar a estratégia do jogador caso este mude de arma a meio de um combate se aperceber-se do peso total que esta adiciona.

Quanto ao resto da jogabilidade, o jogador colecciona haze ao derrotar inimigos, podendo utilizar este haze para adquirir novas habilidades, aumentar de nível (ao invés de escolher qual stat quer melhorar como na série Souls), e comprar novo equipamento. Ao morrer o jogador perde o seu haze, embora este ainda possa ser recuperado caso o jogador não morra uma segunda vez. Uma outra opção é o jogo ir até às águas termais e recuperar metade do seu haze.

No jogo existe uma outra mecânica onde é possível aceder a memórias passadas de várias personagens, para isto é necessário encontrar fragmentos espalhados pelos mapas (cada mapa é dedicado a um conjunto) e depois aceder às memórias através de Io. Alguns destes segmentos aparecem automaticamente com a história enquanto que outros são simplesmente conteúdo adicional (ou necessário para desbloquear novas habilidades), mas oferecem algum contexto para certos eventos ou até personagens que o jogador tenha encontrado.

O modo online permite que uma pessoa junte-se ao jogador e o seu parceiro controlado pela Inteligência Artificial. Caso o jogador convidado esteja a um nível superior este fará level scaling para um nível igual ao do host, mas existe alguns problemas com o modo online. Primeiro de tudo quem é fã de PVP não o poderá fazer pois o sistema de invasão não existe, e os jogadores apenas podem entrar no jogo de outra pessoa desde que esta não tenha derrotado o boss da área.

É uma pequena restrição que não faz muito sentido tendo em conta que não existe nenhum formato de PVP, sendo que então os jogadores podiam ter a liberdade que quisessem para explorar o mundo juntamente com amigos. Também é pena que o online esteja apenas restrito a 1 jogador apenas, formando assim equipas de dois ou três caso a AI esteja presente.

Em termos de parceiro e dificuldade, a AI faz o seu trabalho de uma forma bastante competente. Por vezes facilitam o combate, sem dar tempo que o jogador reaja, enquanto que outras vezes os desafios apresentados estão à altura da equipa. Neste caso os jogadores tem umas quantas opções, ou podem mandar a AI embora se querem um maior desafio, ou não aumentar de nível. No entanto um dos apelos de Code Vein é que existe uma constante presente ao lado do jogador, ao contrário de outros jogos da série onde é necessário invocar por um tempo limitado.

Já a sua história, esta tem os seus pontos altos e baixos, começando de uma forma interessante e criando um bom background para o mundo onde tem lugar, no entanto a meio do jogo a história começa a seguir o caminho onde de uma forma ou outra todos estão ligados. Quer seja o familiar de pessoa X que esteve em conversa com pessoa Y, ou pessoa W que conheceu pessoa Z que era familiar com pessoa Y e por aí fora. Pela maneira em como a história estava a ir, e o grande foco de que muitos perdem a sua memória ao longo do tempo, o facto de que numa altura ou outra todos podem ter estado na mesma sala sem saberem acaba por ser um pouco ridículo.

Quanto à sua apresentação, tendo em conta que Code Vein tem lugar numa época perto da nossa, o cenário representa isso, embora por vezes opte por um aspecto mais fantástico tal como é possível observar com a Cathedral of the Sacred Blood que faz lembrar Anor Londo (e que ao contrário da maioria não achei assim tão complicado de navegar). Quanto aos inimigos que o jogador encontra durante o jogo, a sua maioria acaba por ter um design um pouco simples.

Ao contrário da série Souls e semelhantes, Code Vein tem uma banda sonora que é um pouco mais activa. Esta banda sonora conta com umas boas faixas mas existem outras que apesar de fazer uso do mesmo tema não parecem encaixar nem marcar Code Vein como algo único. Já para não falar que não existe muita variedade durante o jogo todo, o que é pena pois com um pouco mais de atenção e dedicação Code Vein poderia ter recebido uma grande banda sonora.

Code Vein consegue deixar a sua marca. O jogo podia ter feito algo mais único ou apostado ainda mais na sua história e outras secções como a banda sonora para o destacar ainda mais, mas consegue oferecer algo diferente e interessante o suficiente do habitual que os fãs encontram em séries semelhantes. Desde que a Bandai Namco não o deixe ficar de lado, Code Vein poderá ser o início de uma série interessante que poderá melhorar imenso com o passar do tempo.

Positivo:

  • Bom criador de personagem
  • Consegue distanciar-se da série Souls

Negativo:

  • Online podia ter menos restrições
  • História podia levar com menos “coincidências”

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